Facções criminosas

Divulgação/ND

Rafael José Nogueira, acadêmico do curso de Historia da Univille
rjnrafa@hotmail.com

Nos últimos meses tem se falado muito da guerra entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o PGC (Primeiro Grupo Catarinense). O PGC nasceu em março de 2003 na penitenciaria de São Pedro de Alcântara. E ficou notabilizado pelos ataques a ônibus e bases da policia em todo o Estado. A organização tem crescido desde sua fundação, não a ponto de territorializar seu poder, como o PCC fez em São Paulo. Deste modo o PCC normatiza a vida nas periferias.

Para o pesquisador Graham Willis, “o PCC é produto, produtor e regulador da violência”. Em outras palavras a regulação do PCC passa também por quem morre e por quem vive na cidade, contrariando o governo de São Paulo ao afirmar que o índice de homicídios diminuiu consideravelmente.

O PGC por sua vez aparenta estar caminhando nesse sentido como podemos ver nas últimas semanas, e, sobretudo a estratégia do território parece ser a próxima meta do grupo. Se o PGC entender que ele pode montar uma estrutura baseada em assistência social, ações solidárias que visem uma reciprocidade com os moradores e principalmente um estado de segurança relativa nas áreas periféricas de Joinville, ele pode substituir  uma suposta ordem estatal que muitas vezes é ausente por uma nova ordem social que se aproxima dos moradores por meio de trocas sociais.

Da mesma forma o PGC pode seguir os passos do PCC e compreender que é melhor ficar na invisibilidade para não atrapalhar seus negócios. Nas palavras de Graham Willis: “[…] ter um ambiente de segurança controlado, com regras internas muito rígidas que funcionem […]”. O pesquisador ainda postula que ataques promovidos pelo PCC são casos isolados, o problema não está na repressão ao mercado de drogas, mas sim quando o grupo sente sua segurança ameaçada.

E a resposta policial como sabemos é sempre mais violenta ainda. O que apenas reforça a ideia de proteção. Isto é, quanto mais se ataca o PCC, mais ele fica forte. Este pode ser o erro das nossas autoridades, continuar a responder de forma mais violenta contra o PGC, achando que o está enfraquecendo, quando na verdade pode estar fortificando ele ainda mais. E a situação precária das prisões vem a somar nisso. Afinal quem está fora protege quem está dentro. Essa é a lógica do PGC. Priorizar a repressão e continuar a não investir no sistema penal pode gerar um conforto na população ávida por justiça no presente, no entanto pode-se mostrar um erro fatal no futuro.

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