Falta de manutenção coloca em risco programa federal de alerta contra desastres naturais

Na última quarta-feira (7), quando o Estado enfrentava sérios problemas , 136 dos 376 equipamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres forneceram dados às defesas civis

Um importante sistema de previsão de desastres naturais aos poucos está deixando de operar em Santa Catarina. Dos 376 pluviômetros automáticos instalados em 139 municípios catarinenses, 41 estão parados por falta de manutenção. O equipamento mede o volume de chuva e fornece informações em tempo real. Esses dados são utilizados por profissionais da Defesa Civil dos municípios, gestores públicos e população em geral. Se bem interpretados, podem ajudar a evitar tragédias. O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) informou que as manutenções estão previstos apenas para o segundo semestre.

Na quarta-feira (7), Santa Catarina registrou volumes elevados de chuva. Quem optou por utilizar o mapa interativo do Cemaden, plataforma na internet para visualização dos dados com intervalos de uma a 96 horas, verificou que uma série de municípios estava sem atualização há 24 horas. Ao todo, haviam 136 locais enfrentando problemas. Os pluviômetros são marcados no mapa online com cores que variam do verde ao vermelho, dependendo da quantidade de chuva.   No caso, os aparelhos com defeito ficam na cor cinza.

Equipamento sobre a prefeitura de Porto Belo não funciona desde outubro do ano passado - Everton Palaoro/ND
Equipamento sobre a prefeitura de Porto Belo não funciona desde outubro do ano passado – Everton Palaoro/ND

A área técnica do Cemaden explicou que em alguns casos, pode ocorrer atraso no envio das informações, por exemplo, por ausência do sinal das operadoras de telefonia móvel. No entanto, a entidade questiona a quantidade de equipamentos com problemas. Por meio da assessoria de imprensa, o Cemaden destacou que há 41 pluviômetros fora de operação, sendo que 89% do sistema está ativo.  Outros 24 foram removidos por ausência de sinal ou por reincidência de casos de vandalismo.

Grande Florianópolis entre as principais prejudicadas

Um dos critérios para a instalação dos pluviômetros automáticos é a cidade já ter sofrido algum desastre natural, como deslizamentos, alagamentos ou inundações. Os municípios da Grande Florianópolis, Vale do rio Tijucas e Costa Verde Mar tem uma ampla rede de cobertura. Nessas regiões, foi possível constatar problemas em Florianópolis, São José, Palhoça, Nova Trento, Tijucas, Porto Belo, Camboriú, Navegantes e Ilhota.

O coordenador da Defesa Civil de Porto Belo, Claudio Silvino, nunca conseguiu utilizar os dados do pluviômetro instalado no telhado da prefeitura do município. O aparelho parou de transmitir dados em outubro de 2016.  Para contornar o problema, Silvino informou que busca informações de outras fontes como a Epagri, Defesa Civil e por vezes consulta um morador que adquiriu um sistema de monitoramento importado.

No caso dos municípios litorâneos os dados de precipitação são fundamentais para tomada de decisões. Essas regiões sofrem ainda o efeito da tábua da maré. “Hoje, eu também consigo fazer uma média com o volume registrado em Bombinhas e Itapema. E também recorro ao equipamento particular. Outro instrumento importante são os alertas emitidos pelo Cemaden e pela Defesa Civil do Estado”, destacou Silvino.

Verba de manutenção cortada pela metadade

A direção do Cemaden não relaciona a falta de manutenção com problemas orçamentários. Informou apenas que os reparos deixaram de ser feitos devido ao término do contrato com a empresa responsável. O orçamento para custear as despesas do projeto “Pluviômetros Automáticos” teve previsão de R$ 4.224.913. O valor é o mesmo do ano anterior. Além do congelar os repasses, o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) contingenciou 44% desse montante. Na prática, vai repassar pouco mais da metade do valor necessário.

Caso os valores não sejam liberados, a direção do Cemaden alerta que o cronograma de reparos pode sofrer impactos consideráveis na rede de pluviômetros. Inicialmente, os R$ 4,2 milhões serão suficientes para 1.400 manutenções preventivas e outras 500 corretivas. Para consertar os aparelhos defeituosos em Santa Catarina, seria necessário destinar 8,2% desta cota.

Pela regra, os parceiros locais, no caso, as prefeituras, são responsáveis apenas pela limpeza do pluviômetro. O procedimento deve ser realizado a cada três meses. Já ações de caráter técnico, a cada 12 meses.

Retranca 3

O meteorologista Marcelo Martins, do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidro Meteorologia) da Epagri, explica que há diferentes tipos de equipamentos. Alguns mais, outros menos confiáveis. Segundo ele, gestores e profissionais da Defesa Civil recebem informações atualizadas e verificadas.

O Centro recebe informações de aproximadamente 200 estações meteorológicas espalhadas pelo território catarinense. São instrumentos modernos e que verificam não somente o volume de chuvas, mas também umidade do ar e velocidade do vento.

Os dados captados demoram, em média, 10 minutos para serem publicados na página do Ciram na internet. Esse período é o tempo que leva para que os profissionais consigam conferir essas informações. “As vezes descartamos alguns dados que apresentam variações muito grandes. Tudo que é captado passa por um crivo antes. Nossas estações atendem as normas internacionais”, destacou Marcelo.

Segundo ele, a manutenção das estações é fundamental para o bom funcionamento do sistema. “São equipamentos com um grande custo. As mais modernas variam de R$ 10 mil a R$ 15 mil. É preciso fazer uma manutenção periódica para que elas forneçam dados precisos”, ressaltou.  

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