Falta de vagas para estacionamento vira alvo de discussão e polêmica em Florianópolis

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“A prefeitura pegou o estacionamento da rua todo para ela, é uma falta de respeito”, reclama o morador de Florianópolis, Mauro Gonçalves, de 72 anos. A falta de vagas de estacionamento para idosos tem sido alvo de polêmica na rua Arcipreste Paiva, na lateral a Catedral Metropolitana, no Centro da Capital.

“Cadê a vaga que tava aqui?”, seu Mauro reclamou da falta de vagas para idoso na rua – Foto: Anderson Coelho/ND

Para quem desce a rua no sentido do Terminal Cidade de Florianópolis, anteriormente havia três vagas para idosos ao lado direito. Com o prosseguimento da operação Asfaltaço, deflagrada em maio desse ano, o espaço foi transformado em ciclofaixa.

O fato irritou seu Mauro, que frequenta todos os fins de semana a missa na Catedral Metropolitana. Segundo ele, a prefeitura teria utilizado quase toda a progressão da via para vagas de carros oficiais, e não é possível encontrar vagas próximas à igreja após a retirada das demais vagas para idosos da rua.

“Vão vários idosos para a missa no fim de semana e não encontram vagas porque retiraram essas três. Procurei a Secretaria de Assistência Social, e ficaram de me dar um retorno dentro de 30 dias” afirmou Gonçalves. Ainda segundo o idoso, ele teria ido até o gabinete do prefeito Gean Loureiro, mas não obteve resposta.

Registro de fevereiro, mostra vagas de estacionamento do lado direito da via – Foto: Google/Reprodução

Outra reclamação do morador é que durante os fins de semana, as vagas da rua são totalmente ocupadas por um hotel, dificultando ainda mais a procura por vagas.

Vagas serão realocadas

De acordo com a Prefeitura de Florianópolis as vagas oficiais sempre existiram no local, devido a sua localização estratégica. O gabinete da prefeitura fica na esquina da rua Arcipreste Paiva, e o prédio da Fazenda e Assistência Social, na própria rua. Então, segundo a administração municipal, há essa necessidade.

Durante o fim de semana, segundo a prefeitura, as vagas oficiais são de livre acesso para quem tiver a necessidade de parar no local.

De acordo com o diretor de operações de trânsito da PMF, Fabrício Ricardo Justino, todas as vagas no Centro da Capital que sofrerem alterações serão realocadas para o lado oposto da via.

Ainda segundo o diretor, duas das três vagas que ocupavam o lado direito já foram realocadas para o lado esquerdo da rua Arcipreste Paiva, onde normalmente ficam os veículos oficiais da prefeitura. “A primeira foi próxima a sinaleira, no fim da subida da rua, a outra foi realocada como a primeira vaga ao lado da catedral”, explica. Ainda segundo Justino, a terceira vaga será realocada para próximo à escadaria da catedral.

Segundo a administração municipal, os seguidos períodos de chuva têm atrapalhado a pintura de sinalização nas ruas. “Nos últimos quinze dias tivemos dois ou três dias de tempo seco. Para o asfalto receber a tinta quente, precisa de dois ou três dias de tempo bom”, explica Justino.

Ainda segundo Justino a princípio não houve mais nenhum ponto afetado.

Sem Zona Azul, vagas somem

Após o rompimento do contrato entre a Prefeitura de Florianópolis e a Dom Parking, empresa que administrava o sistema de Zona Azul na cidade, a falta de vagas e “bom senso” tem sido as principais reclamações de quem precisa estacionar no Centro.

A relações públicas Marlei Magro vai a cada 15 dias para o Centro da Capital para participar de reuniões de trabalho. Segundo ela, sem a Zona Azul tem sido impossível encontrar vagas para estacionar após as 8h. “Nós somos em 15 diretores, todos estão sofrendo a mesma coisa. Temos que deixar o carro em estacionamento pago porque é impossível encontrar lugar para estacionar”, reclama.

De acordo com Magro, na manhã desta segunda-feira (11), ela ficou mais de 40 minutos rodando pelo Centro para tentativa de encontrar uma vaga. A principal reclamação é que quem trabalha pela região deixa o carro o dia todo estacionado na vaga, não havendo rotatividade.

Magro acabou desistindo de encontrar uma vaga e acabou deixando o carro em um estacionamento pago. “Eles cobram preços exorbitantes, paguei R$ 28 para deixar meu carro uma hora e meia. As pessoas deveriam ter mais bom senso para colaborarem umas com as outras”, reclama.

O aposentado, Albi Justino de Castro, veio ao médico no Centro e teve dificuldade para achar uma vaga – Foto: Anderson Coelho/ND

O aposentado Albi Justino de Castro, de 80 anos, veio ao Centro para uma consulta médica e também reclamou da dificuldade para estacionar. “O trânsito já é um caos, agora para estacionar também ficou quase impossível, por sorte acabei encontrando uma vaga para idoso”, afirmou.

Guarda Municipal segue monitorando

De acordo com a Guarda Municipal a fiscalização segue sendo feita no Centro de Florianópolis, porém sem os agentes da Zona Azul, é impossível cobrir todas as irregularidades.

“Antes tínhamos mais de 100 agentes da Zona Azul fazendo a fiscalização dos veículos que burlavam o tempo de permanência ou cometendo alguma irregularidade. Não vamos conseguir ter a mesma abrangência para fiscalizar sem o apoio destes agentes”, explica o subcomandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Ricardo Souza.

Ainda segundo Souza, as motos da GMF fazem rondas por ruas prioritárias do Centro da Capital, além de revezamento em outras ruas secundárias. Ele explica que as motos passam no local e registram as placas dos veículos que estão estacionados. Após uma hora, a Guarda retorna para verificar se os mesmos veículos ainda estão estacionados nas vagas impedindo a rotatividade.

Caso o veículo ainda esteja na vaga, pode ser emitida uma multa. Ainda segundo a GMF, é importante que haja bom senso dos motoristas durante esse período de transição sem a Zona Azul.

Impacto no comércio

Segundo o presidente do Sindilojas de Florianópolis e região, Paulino de Melo Wagner, o comércio também sofre os impactos com a falta da Zona Azul.

Comércio do Centro também sente os impactos da falta da Zona Azul – Foto: Anderson Coelho/ND

Sem rodízio nas vagas, segundo o presidente, as pessoas acabam desistindo de vir ao Centro da Capital, reduzindo o número de vendas na região, mesmo com a proximidade da temporada de verão.

“O lojista sente e reclama da falta de mobilidade. As pessoas não veem para o Centro pela dificuldade que sabem que irão encontrar”, afirma o presidente.

Paulino foi um dos idealizadores da Zona Azul em Florianópolis. “Estruturamos todo o projeto para que fosse implementado na Capital através dos órgãos públicos. Foi algo nitidamente positivo ao fim da década de 1990, mas hoje, parece que retrocedemos, espero que isso logo seja resolvido”, lamenta.

Expectativa por “nova” Zona Azul

De acordo com o secretário da Casa Civil, Everson Mendes, com a publicação do edital no mês de outubro, a expectativa é de que o estacionamento rotativo esteja funcionando novamente ainda este ano em Florianópolis.

A proposta concebida pela Secretaria de Mobilidade prevê até cinco mil vagas  e sensores para detectar a presença de veículos.

Com a informatização, a prefeitura espera obter controle efetivo da arrecadação e da utilização do estacionamento público rotativo, a chamada Zona Azul. O novo sistema também permitirá a aquisição de dados para elaboração de planejamento, a longo prazo, da solução de mobilidade e planejamento urbano.

A operação do sistema vai contar com software de gestão e integração, mão de obra para manutenção dos serviços e orientação ao usuário final, implementação e manutenção das vagas, assim como software e talões eletrônicos para emissão de autos de infração pelos agentes de trânsito.

Créditos serão mantidos

De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade e Planejamento Urbano, motoristas que têm créditos junto à Dom Parking também terão o valor transferido para o novo sistema.

Uma das condicionantes do contrato é que a empresa vencedora do processo licitatório deverá fazer a transferência de valores assim que o novo sistema começar a operar.

O edital da prefeitura também prevê que o usuário poderá adquirir créditos por meio de diversas plataformas de pagamento — parquímetros, pontos de vendas fixos, aplicativo para celular, website, smartcards e, de maneira secundária, por meio de orientadores.

Os parquímetros também aceitarão cartões de crédito e débito. Ao todo, serão controladas e monitoradas 5 mil vagas de estacionamento para os veículos.

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