Família quer confirmar se corpo encontrado carbonizado é de homem desaparecido em Joinvile

Neri Oscar da Rosa saiu de casa na manhã de sábado (23) para trabalhar e sumiu. No mesmo dia, um corpo carbonizado foi encontrado na região do Parque Guarani

Uma dor latente e uma porção de interrogações sem respostas. Desde a manhã de sábado, esta tem sido a vida da família Rosa, moradora do bairro João Costa, na zona Sul de Joinville. O fim da tarde de sexta (22) correu normalmente na casa de Neri Oscar da Rosa, 63 anos. Morando com a mulher e dividindo o terreno com o filho Diogo, a nora e as netas, o homem, que trabalha há 15 anos em uma empresa de estaqueamento, fez o que sempre costuma fazer: sentou na varanda, brincou com as netas e avisou o filho que trabalharia no sábado de manhã. Desde 2015, Neri trabalhava na obra da Ciser, na Estrada Rio do Morro.

Neri era um homem tranquilo, e que se saiba não tinha inimigos. Acostumado a ir trabalhar de bicicleta e sempre com os documentos e carteira no bolso, no sábado ele quebrou a rotina. Saiu para trabalhar por volta de 6h, a pé, sem os documentos. E, o pior, não voltou mais. “O que aconteceu é a pergunta que não quer calar”, diz o filho Diogo Oscar da Rosa.

Fabrício Porto/ND

Diogo com a carteira de identidade deixada pelo pai: o que pode ter ocorrido com o trabalhador?

Quando a mulher – que prefere não ser identificada – acordou e percebeu que a bicicleta e os documentos do marido estavam em casa, ficou preocupada e logo iniciaram as buscas. Unidades de pronto-atendimento e hospitais foram os primeiros lugares em que ela e alguns familiares procuraram por Neri. Mas, sem sucesso. Na tarde de sábado, eles fizeram a última tentativa de encontrá-lo, onde ninguém quer buscar informações sobre um familiar: o Instituto Médico Legal. Foi lá que as primeiras pistas do paradeiro do trabalhador foram encontradas. “Ela (a mãe) chegou e perguntou se algum corpo foi encontrado no bairro João Costa. O rapaz do IML perguntou novamente o bairro, ela confirmou e ele disse que um corpo carbonizado havia sido encontrado pela manhã ali perto, no Parque Guarani”, comenta Diogo.

Depois disso, a dúvida se tornou ainda maior. Por meio das fotos dos pertences, a mulher conseguiu reconhecer um casaquinho velho de lã que Neri sempre usava para ir trabalhar, o isqueiro amarelo utilizado no trabalho e os óculos. O corpo, que foi encontrado no alto de um morro, em um matagal perto do Complexo Penitenciário, segundo testemunhas, ainda em chamas, não pôde passar por identificação visual pela família. Funcionário do IML garante que ele está totalmente carbonizado e não tem como fazer o reconhecimento, embora o filho diga que uma testemunha do resgate disse ter visto que o rosto estava pela metade queimado.

E como o reconhecimento por pertences pessoais não serve de base para a identificação do corpo, se a vítima for mesmo Neri da Rosa, a família não poderá sepultá-lo ainda, pois é necessário exame de papiloscopia ou exame de DNA que comprovem a identidade. O corpo carbonizado foi encontrado por volta das 10h e o IML não pode afirmar ainda se o exame papiloscópico será conclusivo, porque as digitais também sofreram queimaduras.

Enquanto chora pelo desaparecimento, a família continua sem resposta. O exame que poderá identificar se o corpo encontrado é ou não de Neri está sendo realizado em Florianópolis e, segundo técnico do IGP (Instituto Geral de Perícias), o resultado ficará pronto até o fim dessa semana. Caso a papiloscopia não seja conclusiva, o tempo para obter respostas se estenderá por mais 60 dias. Se a identificação não puder ser realizada com esse exame, somente o exame de DNA poderá revelar a identidade e, finalmente, acabar com a angústia da família. “Queremos acabar com esse sofrimento. Estamos desde sábado velando um corpo que não está aqui”, lamentou o filho, questionando a falta de um perito em Joinville.

Família questiona falta de perito em Joinville

Para o filho Diogo, a angústia e sofrimento se misturam à indignação pelo tempo de espera para a conclusão do exame e pela não-liberação das imagens, por mais chocantes que sejam, para o restante da família. “Por que esse exame tem que ser feito em Florianópolis? Não tem ninguém para fazer isso aqui? Por que nós, filhos, não podemos ver as imagens? Minha mãe estava nervosa na hora. Ela pode ter se confundido ou não visto algum detalhe. Agora, estamos aqui, à espera de resultados”, avalia. Segundo o IGP, a realização do exame na capital não é por falta de profissionais em Joinville, e sim porque existe uma distribuição administrativa.

Cerca de uma hora caminhando. Essa é a distância entre a casa da família, no bairro João Costa, e o local onde o corpo foi encontrado. A primeira dúvida da família surgiu quando boatos de que outro corpo carbonizado teria sido encontrado na mesma região, mas o IGP descartou essa possibilidade, afirmando que somente um corpo carbonizado foi recolhido no fim de semana. E, se for Neri, o que, ou quem, o teria o levado àquele local de difícil acesso.

A nora, Constância Maria Costa, ressalta que são muitos pontos de interrogação. “Está tudo cheio de interrogação. São muitas perguntas para nenhuma resposta”, disse. O boletim de ocorrência de desaparecimento foi registrado ainda no sábado, mas nenhuma resposta ou pista foi repassada à família, que segue a procura. Ele tem seis irmãos, dois filhos e duas netas.

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