Descarte de medicamentos vencidos

Duas redes de farmácia da Capital têm esquema especial para inutilizar remédios com data de validade vencida

Até o ano passado os moradores da Capital que tinham remédios vencidos em casa não tinham um local adequado para descartar os medicamentos corretamente. Porém, desde o início deste ano, duas redes de farmácias da Capital têm recebido frascos, comprimidos, caixas e bulas de remédios fora da data de validade.  Muitos, por falta de orientação, acabam descartando remédios no lixo comum, na pia ou vaso sanitário. Porém essa atitude provoca impactos negativos ao meio ambiente podendo contaminar o esgoto, lençol freático e até chegar aos rios e córregos.

Um contentor instalado nas farmácias separa comprimidos, remédios líquidos e pastosos e as caixa de embalagens  e bulas. O material químico coletado é recolhido por uma empresa especializada em produtos tóxicos  que encaminhará para um aterro especializado ou incineração. As caixas de embalagens, cartuchos de comprimido e bulas são separadas e encaminhadas para reciclagem, material recolhido pela Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital). O serviço é gratuito.

Para a engenheira sanitária da Comcap Karina de Souza hoje as pessoas tem repensado e mudado de atitude, por causa da própria problemática da questão e também por meio de projetos de educação ambiental. Segundo ela, os postos de saúde também recebem medicamentos vencidos e desde 2010 o Ministério do Meio Ambiente discute o assunto por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a logística reversa, um acordo em que as empresas que produzem este tipo de material devem ser responsáveis também pelo recolhimento. “Descartar incorretamente pode contaminar os rios e comprometer todo o sistema de tratamento de água. Os aterros comuns não estão preparados para filtrar estes resíduos químicos, por isso é necessário um cuidado especial. É uma questão muito séria, estes resíduos podem ser extremamente perigosos”, esclareceu Karina.

Objetivos dos projetos

Na  rede de farmácias do Sesi  o programa “papa-pílula” iniciou em janeiro deste ano em todas as lojas da rede. A iniciativa foi motiva pelos próprios clientes que vez ou outra perguntavam se podiam levar os remédios vencidos até a farmácia. Em quarto meses já foram recolhidos mais de 34 mil medicamentos, a média semanal é de 100 a 200 remédios por loja.

A farmacêutica Fernanda Souza, 32, afirma que o comprimido é o tipo de medicamento mais recebido. Além da importância ambiental, ela afirma que o projeto também alerta para o cuidado que se deve ter em não ingerir medicamentos fora da data de validade: “O remédio vencido pode se tornar tóxico e provocar uma série de efeitos colaterais e intoxicações. O descarte aqui é uma maneira de preservar o meio ambiente e orientar as pessoas sobre o uso correto do medicamento”.

A administradora Mariana Bianco Borba, 30, conheceu o serviço quando fazia compras e ficou contente com a novidade. Ela contou que é sua mãe e médica, mas mesmo assim descartava os medicamentos no lixo comum porque não sabia onde colocar. “É como as pilhas e baterias que também não sabemos muito o que fazer e onde jogar fora.  Tenho um filho de um ano e meio e dificilmente usamos uma dose inteira do remédio, parte acaba indo fora. Achei uma excelente ideia e agora sei como lidar com isso”, animou-se Mariana.

Na farmácia Panvel, os medicamentos são recolhidos por meio do programa Destino Certo, que foi lançado em Florianópolis em dezembro de 2011. Algumas lojas tem uma estação coletora onde os remédios e embalagens são separados. Uma máquina  registra os resíduos coletados digitalmente e o cliente pode conferir no site os resultados alcançados pelo programa. Na loja da Praça 15 de Novembro, no Centro da Capital, por exemplo, são recolhidos, em média, de três a cinco quilos a cada quinze dias. “É uma preocupação com o bem estar da população, o cliente faz parte do projeto conosco e assim colaboramos juntos para conscientização e preservação do meio ambiente”, afirmou Lenio do Nascimento, 32, gerente da Panvel.

No caso das seringas, agulhas e materiais cortantes o ideal é que sejam levados aos postos de saúde, as farmácias não tem um local de descarte específico para este tipo de material. Porém, as duas redes informaram que quando recebem este tipo de material  de um cliente descartam junto com as seringas utilizadas na farmácia e dão o destino correto para os resíduos.

FARMÁCIAS QUE POSSUEM COLETA DE MEDICAMENTOS VENCIDOS:

Rede Sesi – Todas as farmácias da rede em Santa Catarina

Algumas lojas:

Rua Conselheiro Mafra, 301, Centro

Rua General Liberato Bittencourt, 1773, Estreito

Rua Lauro Linhares, 2135, Trindade

Mais informações no site: www.papapilula.com.br

Rede Panvel – Nas seguintes lojas de Florianópolis:

Praça XV de Novembro, 23, Centro

Rua Coronel Pedro Demoro, 1814, Estreito

Rua Henrique Veras do Nascimento, 110, Lagoa da Conceição

Mais informações no site: www.descarteconsciente.com.br

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