Farra do Chocolate reúne 150 crianças no Córrego Grande em Florianópolis

Brincadeira que substitui a tradicional farra do boi foi realizada na manhã do domingo de Páscoa (8)

Rosane Lima/ND

Ana Clara encontrou um ovo nos galhos da árvore

Em pelo menos um ponto da Ilha de Santa Catarina a farra do boi está com os dias contados. E não precisou de lei, balas de borracha ou bombas de efeito moral para coibir à prática. No Córrego Grande, a receita é  incentivar as crianças a correrem atrás de ovos de Páscoa e cestas escondidas no meio da mata. A brincadeira reuniu 150 meninos e meninas na manhã de ontem.
Essa foi a sexta edição da Farra do Chocolate. Um dos criadores da atividade, o professor universitário Cesar Floriano, 58 anos, conta que a ideia é substituir uma tradição por outra mais saudável. As guloseimas escondidas nos ninhos foram arrecadas no bairro e pela internet. Ao todo, 80 ovos e 350 cestas. Débora Machado, 38, que é uma das organizadoras, revela que a iniciativa mudou os hábitos no bairro. “Deu certo. Antes as crianças iam com os pais correr atrás do boi. Hoje, os pais vem procurar chocolates com os filhos”, opinou.
A caça foi dividida em áreas por idade. Até os adultos, que também adoram chocolates, puderam se divertir. Um dos mais ágeis na tarefa foi o estudante Leonardo Mota Ribeiro Cassão, 11. Ele recolheu quatro cestas e dois ovos. Foi tanto, que ele teve que improvisar uma bolsa na camiseta para levar as lembranças para casa. Claro, no caminho o menino já comeu algumas guloseimas.
Um exemplo de que a tradição pode ser mudada é a auxiliar de serviços gerais Maria de Fátima Moreira, 42. Ela não mora mais no bairro, mas faz questão de trazer a filha, Ana Clara, 10, para participar da farra do chocolate. “Eu lembro do tempo que soltavam o boi no mangueirão. Hoje, as crianças crescem com uma noção diferente. Serão adultos melhores”, avaliou Fátima.

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