Feminicídio em Jaraguá: Defesa e acusação duelam por qualificadoras de crime em julgamento

Atualizado

Acusado de matar a ex-companheira de 28 anos em Jaraguá do Sul, Marcelo Kroin é quem ocupa o banco dos réus nesta terça-feira (20), no Tribunal do Júri da comarca. O homem foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado. A vítima foi Andreia Araújo, 28 anos, companheira dele. O crime ocorreu em agosto do ano passado.

A previsão era de que ao menos 19 testemunhas fossem ouvidas antes do réu, o que deve prolongar o julgamento nesta terça.

Acusado por feminicídio segue em julgamento nesta terça-fera (20), no Fórum de Jaraguá do Sul. – Luan Vosnhak/ND

O promotor de Justiça Márcio Cota, responsável pela acusação, defenderá os agravantes de feminicídio (em contexto de violência doméstica) e morte por asfixia (constatada no laudo pericial).

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O MP também defende a qualificadora de ocultação de cadáver,  uma vez que o corpo da vítima foi encontrado enrolada em um cobertor dentro do carro do casal, o que indica a “intenção de escondê-lo”.

Uma tese apresentada inicialmente pelo acusado, de que Andreia teria levado um soco e batido a cabeça na queda, também foi derrubada. Segundo Cota, o laudo pericial indicou com clareza a causa da morte por asfixia. Foi comprovado também, segundo o MP, que a vítima tinha consumido bebida alcoólica quando sofreu a agressão.

Apesar de testemunhas, inclusive o próprio réu, afirmarem que a vítima estava grávida, o resultado do laudo pericial deu negativo. Caso houvesse gravidez, a pena do acusado seria aumentada pela metade. Segundo o promotor, a gravidez não será abordada no julgamento.

Defesa

O advogado de defesa do réu, Sebastião Camargo, declarou à equipe da RICTV que lamenta profundamente pela morte de Andreia, mas que, cabe agora, apresentar provas que auxiliem os jurados a chegarem a um veredito final.

Sebastião vai tentar derrubar a qualificadora de ocultação de cadáver. Ele defende que o acusado desistiu de cometer o ato. “Temos ainda outras qualificadoras que não se sustentam, como por exemplo, intenção, planejamento e frieza por parte do agressor”, alegou.

Previsão é de que o julgamento acabe no final desta terça-feira – Luan Vosnhak/ND

A defesa também alega que o acusado sempre esteve à disposição da Justiça e citou o decreto de habeas corpus que o manteve em prisão preventiva. “Faremos todo esforço para provar que a narrativa do acusado é coerente com os fatos, que ele não planejou e não agiu de modo premeditado”, defendeu o advogado.

A família da vítima está no Tribunal do Júri, mas preferiu não dar entrevista. A previsão é de que o julgamento termine no fim do dia.

*Com informações da RICTV 

Justiça