Feminicídios crescem 167% na cidade de São Paulo, diz estudo

Atualizado

Os feminicídios aumentaram 167% na cidade de São Paulo. Conforme o Mapa da Desigualdade, realizado pela Rede Nossa São Paulo e divulgado nesta terça-feira (5), os números de assassinatos de mulheres foram de 97 para 259 na capital paulista na comparação entre os anos de 2017 e 2018.

Pela primeira vez o estudo incluiu feminicídio e violências contra mulheres, LGBTs e negros – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Divulgação/ND

Pela primeira vez o estudo incluiu feminicídio e violências contra mulheres, LGBTs e negros. “A pesquisa revelou uma São Paulo machista, racista e preconceituosa”, afirma Carolina Guimarães, coordenadora da instituição.

Conforme os dados da Rede Nossa São Paulo, a violência contra a mulher, que não inclui dados sobre morte de mulheres, também aumentou em 2018 na comparação com o ano anterior, e saltou de 54.386 para 82.233 casos — o que representa um aumento de 51%.

Em relação aos casos de violência e injúria racial, a pesquisa mostra um aumento de 1.260 para 1.536 casos, um crescimento de 22%. “Esses dados refletem histórias de pessoas muito corajosas que conseguiram romper uma barreira para chegar à delegacia”, diz Guimarães.

A pesquisadora explica que a violência contra a mulher é analisada nas categorias física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. “Para não se chegar ao feminicídio, é preciso fortalecer mecanismos de prevenção e acolhimento”, afirma.

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Segundo ela, “não se pode perder de vista que vivemos sob uma cultura machista, em que a mulher tem mais espaço de fala em diversas esferas, mas, sobretudo, sobre o que se configura como violência”.

Alguns aspectos, diz Guimarães, ajudam a explicar o aumento de percentual, como o maior número de delegacias especializadas e a conscientização estimulada pela Lei Maria da Penha. “Antes, a violência contra a mulher estava atrelada à violência física. Hoje, há um entendimento sobre as demais formas que configuram o crime.”

Em relação aos crimes de racismo e injúria racial, o distrito da Sé, com 13 ocorrências para cada 10 mil habitantes, é o com mais registros na cidade. A região é seguida por Barra Funda (7,62), Jardim Paulista (6,96), República (6,54) e Bom Retiro (5).

Dos 96 distritos da cidade de São Paulo que constam no estudo, apenas três não registraram nenhuma ocorrência de racismo e injúria racial: Alto de Pinheiros, Jaguara e Marsilac. A média da cidade é de 1,8 caso para cada 10 mil habitantes.

De acordo com o estudo, o distrito com o maior número de negros na cidade é o Jardim Ângela, na periferia da zona sul, com 60,11% da população sendo preta ou parda.

Os distritos de Grajaú (56,81%) e Paralheiros (56,61%), também na zona sul, aparecem na sequência. Depois, quatro da zona leste: Lajeado (56,15%), Cidade Tiradentes (56,07%), Itaim Paulista (54,78%) e Jardim Helena (54,73%).

Já os distritos com menos negros na cidade de São Paulo são os bairros de Moema (com apenas 5,82% da população preta ou parda), Alto de Pinheiros, Itaim Bibi, Jardim Paulista, Vila Mariana e Perdizes. Todos possuem menos de 10% da população negra.

No total da cidade, 32,1% da população é negra.

A pesquisa destaca ainda a média de idade com que as pessoas morreram. Nesse aspecto, a maior disparidade é entre os bairros de Moema, na zona sul. Lá, uma pessoa vive em média 80,6 anos. Já na Cidade Tiradentes, na zona leste, em que a idade média para morrer é de 57,3 anos. A média da cidade, segundo a pesquisa, é de 68,7 anos.

“A Cidades Tiradentes está entre os sete bairros com o maior índice de mortalidade infantil. Isso porque, o distrito possui outras deficiências sociais como a falta de segurança pública, muitos jovens em supostos confrontos com polícia”, diz Guimarães.

Ainda conforme a pesquisadora, “por trás desses números há ciclos viciosos de pobreza e desigualdade que impactam o desenvolvimento do ser humano, sobretudo, em regiões que não tem equipamentos de cultura e saúde”.

Por terem maior poder aquisitivo, moradores de Moema, segundo Guimarães, têm a possibilidade de pagar paralelamente pelo sistema de saúde e de educação.

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