Festa sob a neve

Bodas. Casal curitibano que adotou Barra do Sul comemora 67 anos de união

Luciano Moraes/ND

Carinho. Ele aos 86 anos, ela com 85, Luiz e Josefina trocaram a capital do Paraná pela calma Balneário Barra do Sul

Neste sábado tem festa em Balneário Barra do Sul, na casa da família Paz. Mas o que a neve, que jamais deu as caras por estas bandas, tem a ver com a história? “Vamos comemorar bodas de neve”, explica Luiz da Paz, aludindo aos 67 anos de união com sua Josefina. Eles pretendem reunir o máximo possível da prole de quatro filhas, 13 netos e 14 bisnetos. Alguns deles, que chegam durante a entrevista, demonstram o amor que sentem pelos avós, a quem beijam e pedem a bênção.
Luiz da Paz e Josefina Andretta nasceram em Curitiba, ele no dia 4 de maio de 1926; ela, em 6 de janeiro do ano seguinte. Cobrador de ônibus na juventude, o seu Luiz era bombeiro militar quando conheceu dona Josefina. “A Segunda Grande Guerra já estava chegando ao fim, mas eu não pretendia correr risco de ser convocado. Três primos foram para lá e só um voltou; os outros dois ficaram no cemitério de Pistoia, na Itália. Então entrei para os bombeiros e acabei me aposentando como primeiro sargento.”
As circunstâncias em que Luiz e Josefina se conheceram foram bem prosaicas, como contam. “Eu tinha 17 anos e já namorava uma moça que um dia trouxe uma amiga junto para um encontro, pois naquele tempo os pais eram bem rígidos com esse negócio de namoro. Só que acabei me engraçando com a amiga, e foi com ela que me casei”, conta, com muito bom humor, o noivo. “Eu era para ser a vela, mas acabei me tornando esposa”, complementa Josefina. Eles se casaram no dia 14 de abril de 1945.
No tempo de bombeiro, Luiz fez um curso de desenho arquitetônico e aprendeu tudo sobre construção civil, tornando-se um mestre de obras de respeito. Ainda hoje tem um cantinho que transformou em escritório, onde guarda todos os projetos que elaborou. Uma prancheta prova que ele mantém o ofício, dividido entre pinturas, principalmente de temas marinhos, e peças artesanais. “Podem escolher uma casinha para cada um”, diz ele, presenteando repórter e fotógrafo com dois dos tantos porta-chaves em formato de casinha, cada um diferente do outro.

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Na moldura. Luis e Josefina, na época do casamento

“Eu era para ser a vela, mas acabei me tornando esposa.”
Josefina Andretta

De olho na casa nova
O casal Paz trocou a agitada capital paranaense pela tranquilidade de Balenário Barra do Sul há cerca de dois anos, atraídos por duas filhas que já moravam há tempo na cidade. Na mesma rua em que residem, bem no Centro, uma nova casa vai se erguendo a poucos metros da atual. De olho no trabalho dos pedreiros, seu Luiz pretende se mudar dentro de dois ou três meses. “Não preciso fazer trabalho pesado, pois a equipe dá conta e um neto está sempre por perto para fiscalizar, mas acompanho passo a passo a construção, pois disso eu entendo bem”, garante ele, admitindo ser “chato na cobrança por um bom trabalho”. Dona Josefina é a mais ansiosa pela mudança, pois não precisará mais subir a escada para o pavimento superior, como precisa fazer hoje no sobrado.
Mais velho de oito irmãos, Luiz não demonstra nem de longe os 86 anos que vai completar dentro de três semanas. “Nunca fumei nem bebi, sempre cuidei da saúde”, garante, lamentando apenas um AVC que enfrentou há noventa dias e que deixou alguma dificuldade de locomoção.
Totalmente integrados à comunidade barrassulense, Luiz e Josefina ainda guardam boas recordações de sua Curitiba natal. Um dos símbolos de sua origem está numa estante na sala: lado a lado, escudos do Coritiba e do Paraná convivem harmoniosamente. “Sou coxa desde criança!”, brada Luiz. “Eu era Ferroviário, e me tornei paranista”, completa Josefina. Uma camisa do Coritiba surge durante a conversa, envergada pelo neto Alexandre – que, por sinal, comemora 29 anos de idade justamente hoje, junto com as bodas de neve do vô e da vó.

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