Fim de uma era

Fim de uma era

Depois de cinco anos, Jorge Luis Schwatz deixa o comando técnico do futsal de Blumenau. Funcionário da AD Hering há 23 anos, foi convidado para dividir com Ditmar Strub a gestão da associação. Também vai ser uma espécie de manager (gestor/gerente) da modalidade. Ou seja: vai ter plenos poderes para escolher seu substituto e montar o time para a próxima temporada. Pelo que senti dele e das pessoas envolvidas no projeto, o futsal tem tudo para dar um salto de qualidade, dentro e fora de quadra. E o que é mais importante: terá uma pessoa do ramo exclusiva, por exemplo, para buscar parceiros e recursos.

Méritos

Somando o trabalho como treinador com a garotada (no qual foi o fundador da escolinha da AD Hering) e no adulto, foram 22 anos dedicados ao futsal. Jorginho conquistou nove títulos estaduais e nas categorias de base (do SUB 9 até o SUB 20), e revelou centenas de atletas e cidadãos. A premissa de uma escolinha é formar o caráter e a personalidade do aluno. O primeiro objetivo é a socialização. O segundo, caso ele reúna condições, é torná-lo um atleta. Esse trabalho Jorginho fez como poucos. Por isso, merece os cumprimentos.

Prêmio

Como treinador do time adulto, nunca foi uma unanimidade (existe algum?). Mesmo assim, alcançou feitos importantes como o título da Liga Sul, este ano, em Videira. Essa conquista vai colocar o futsal de Blumenau na vitrine nacional do salonismo brasileiro, afinal, estão entre os adversários Intelli SP e Krona SC, campeão e vice, respectivamente, da última Liga Nacional. Lembrando que a competição será disputada em Concórdia, em fevereiro ou março de 2013.

Conquistas

Também não podemos esquecer que sua equipe foi bicampeã dos Jogos Universitários Catarinenses (2010 e 2011), duas vezes vice-campeã dos Jogos Universitários Brasileiros (2009 e 2010) quando perdeu as finais para Corinthians e Brasília, dos Jogos Abertos (2010 e 2011) e ainda 3ª colocada da Divisão Especial (2010) quando tinha em mãos o terceiro pior orçamento entre os 12 clubes participantes.

Disparate

Aliás, cabe um registro sobre receita. Não há hoje no atual elenco de 15 jogadores quem ganhe mais do que R$ 2.500,00 por mês. Exceção da Liga Sul, os números da temporada foram muito ruins (rebaixamento de divisão nos Jogos Abertos e penúltimo lugar no Estadual). Com uma folha na casa dos R$ 25 mil não há treinador que faça mágica ou tenha condições de concorrer com Jaraguá e Joinville – que têm um orçamento anual de “apenas” R$ 4,5 milhões.

Mister M

Dessa forma, pelo dinheiro que entrou no caixa nesses últimos cinco anos, Jorginho tem méritos e muito mais acertos do que erros. Desejo muita sorte a ele que sempre foi um cara muito solícito e educado com o Grupo RIC nos treinos e nos jogos – mesmo após as derrotas.

Quem diria!

Finalizo essa coluna com uma curiosidade que chamou muito minha atenção. Jorginho começou a bater bola no futebol de campo, no Blumenau Esporte Clube. Em pouco tempo passou para a quadra. Essa mudança aconteceu porque em 1981 o BEC montou um time de futebol de salão. Jorginho integrou o grupo que se tornou campeão estadual, categoria 15 anos. O BEC ainda seria vice-campeão de futebol de salão em 1992 até desativar o futsal.

Gran Finale

Por ter se destacado no BEC, foi chamado para atuar na AABB e posteriormente na Sulfabril. Rodou por Campos Novos e voltou para Blumenau onde encerrou a carreira, aos 32 anos de idade. Começava ali, em agosto de 2000, a sua relevante história com a AD Hering e com seus discípulos.

Fim de uma ERA

Reinold Schlottag viveu nos anos em que os tropeiros foram substituídos pelos caminhões no abastecimento do mercado de carne de Joinville.

Rogério Souza Jr.

Testemunha. Com 90 anos completados neste domingo (8), Reinold ajudou na condução de rebanhos de Lages a Joinville

Para a família de Reinold Schlottag, a Páscoa deste ano tem um significado a mais: neste domingo ele completa 90 anos de idade no gozo de uma saúde de botar muito cinqüentão no chinelo. De uma disposição formidável, Reinold é morador do bairro Anita Garibaldi, onde costuma receber familiares e amigos com invariável bom humor.

Considerado uma lenda viva de Joinville, Reinold admite que sua suas memórias poderia render um bom livro biográfico. “Além de ser o último remanescente dos tropeiros de Joinville que buscavam gado nos campos de Lages para abastecer os açougues daqui, fui também carroceiro e dono de um táxi. Se tudo o que vivenciei fosse reunido, claro que daria um livro divertido”, assinala enquanto bota mais uma lasca de madeira num velho fogão, onde gosta preparar comidas campeiras.

Nascido no dia 8 de abril de 1922, ele lembra que veio ao mundo no ano do centenário da independência do Brasil. “Espero chegar ao bicentenário, só faltam dez anos e pela saúde que desfruto quero chegar lá inteirinho,” assinala determinado. Ao mergulhar nas lembranças do tempo de menino, Reinold conta que seu pai, Alberto, era negociante de cavalos e gado. Com 10 anos de idade teve a autorização do pai para acompanhar um açougueiro de Joinville numa viagem a Lages, de onde iria comprar uma tropa de cem bois para trazê-la a pé até a cidade.  “Foram 14 dias de muito trabalho para chegar com a boiada inteira em Joinville. A selas das mulas serviam de travesseiro, a comida não era nada boa, mas mesmo assim me apaixonei pela lida de tropeiro”, relata saudoso daquela aventura.

Na seqüência, Reinold tornou-se profissional de tropeadas e ficou na estrada tangendo manadas de gado de Lages para Joinville, entre 1932 a 1944. Depois de tantas andanças largou a profissão quando a mulher engravidou pela segunda vez. “Foi difícil abandonar as manadas de gado, mas o dever de pai falou mais alto e aí dei um ponto final à vida de tropeiro”, esclarece. Longe das manadas de gado, comprou então uma carroça para puxar madeira da estação ferroviária até o portinho do Bucarein.

Três anos mais tarde, e já dono de três carroças, Reinold  viu a intromissão  dos primeiros caminhões e tratores  no transporte de madeira da estação ferroviária até o portinho do Bucarein. As carroças, bem mais lentas que os veículos motorizados, começaram a perder espaço. Prevendo dificuldades futuras, ele se desfez do negócio e comprou um táxi, com o qual trabalhou até se aposentar em meados da década de 1970.

Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Outros tempos: Reinold no casamento com Alzira, no início dos anos 1950

“Além de ser o último remanescente dos tropeiros de Joinville que buscavam gado nos campos de Lages para abastecer os açougues daqui, fui também carroceiro e dono de um táxi.”


Chapéu e bombacha

O velho tropeiro guarda até hoje o chapéu e a bombacha dos tempos das tropeadas.  Durante muitos anos ele manteve um cavalo com o qual fazia passeios regulares. Nos últimos anos deixou de montar, mas continua cuidando do um cavalo de um neto. “Sabe como é, para quem já foi tropeiro, não dá para ficar longe das montarias”, esclarece

Das tropeadas, Reinold conta que as maiores dificuldades enfrentadas pelos tropeiros era na hora de atravessar rios sem pontes. “A boiada se refugava de subir nas balsas e por isso o jeito era fustigá-la para atravessar a nado. Apesar do perigo, nunca perdi uma cabeça de gado nessas travessias”, lembra com uma pontinha de orgulho.

Pai de um rapaz e duas moças, Reinold tem seis netos e cinco bisnetos. Viúvo de dona Alzira desde junho do ano passado, ele mora desde então sozinho na casa onde criou a família. Nos fundos do pátio mantém um rancho onde fica o estábulo do cavalo, o galinheiro e as casinhas dos cachorros. “Gosto daqui por que tenho bom espaço, os familiares moram perto e me visitam todos os dias; uma filha me traz até a comida e por isso o fogão está meio desativado”, deixa escapar sem conter a risada.

Descontraído, Reinold avisa que só não gosta de ser visitado das 8 às 10h da manhã. “Nessas horas estou ocupado com o cavalo, as galinhas e os cachorros. Depois aproveito o tempo para ler os jornais e tirar uns bons dedos de prosa com resolve bater na minha porta”, informa o disposto noventão do bairro Anita Garibaldi.

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