Florianópolis, uma cidade com ilhas por todos os lados

Rosane Lima/ND

Localizadas ao Sul de Florianópolis e Palhoça, as Três Irmãs são rochedos que brotam do mar, cobertos por densa vegetação da mata atlântica

Nas águas calmas das baías Norte e Sul ou em mar aberto, desertas ou passagem obrigatória para mergulhadores e pescadores, ilhotas e calhaus formam uma espécie de cinturão, como sentinelas que brotam do fundo do mar em pontos estratégicos para proteger a porção insular de Florianópolis. Algumas pertencem a municípios vizinhos, como Palhoça, Biguaçu e Governador Celso Ramos, mas integram o mesmo arquipélago, possuem ecossistemas semelhantes e se equivalem em importância ambiental.

Recente inventário feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) catalogou outras 21 ilhotas no território da Capital. Destas, duas são consideradas  propriedades privadas – Francês, ao Norte, desde 1894; e Campeche, ao Sul, desde 1940, em que os termos de cessão ainda são os mesmos. “A legislação mudou em 2006 e, desde então, ainda têm validade apenas as antigas inscrições de concessão”, explica Isolde Espíndola, Gerente do Patrimônio da União em Santa Catarina.

Novas cessões, portanto, são inviáveis. “Mesmo porque, a maioria está localizada em alto-mar, sem áreas adequadas para aportar, são desertas e isoladas”,  acrescenta. Segundo Isolde, o aceso é livre, mesmo nas ilhas administradas por particulares. Ratones, na baía Norte, e Araçatuba, ao Sul, onde no século 17 foram erguidas fortalezas para impedir invasões espanholas, são responsabilidade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Formada por rochedos, as ilhotas do entorno parecem miniaturas de Florianópolis, cada qual com formato peculiar. Fauna e flora da mata atlântica, são as mesmas, onde coqueiros e figueiras servem de poleiro e fonte de alimentos a sabiás, sanhaços e saíras.

Referência para os navegadores

Depois de Florianópolis, a mais importante ilha do entorno é o Arvoredo, com área de 270 hectares, onde a Capitania dos Portos de Santa Catarina mantém três militares para manutenção do farol erguido a partir de 1878. Com torre pré-fabricada na Inglaterra, a obra foi inaugurada em 14 de março de 1883. A finalidade é orientar a navegação ao norte, emitindo luz branca com quatro ocultações a cada minuto e visualisada até 24 milhas náuticas de distância (cerca de 44 quilômetros).

Ligado do pôr do sol ao amanhecer, o farol funciona desde 2007 com painéis de células fotovoltaicas instaladas em convênio entre Celesc, Eletrosul, Laboratório de Energia Solar da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Marinha, com financiamento do Ministério das Minas e Energia. “É a segurança dos navegadores, diz o comandante da Capitania, Cláudio da Costa Lisboa. A força do sol, segundo Lisboa, é reforçada por geradores a diesel para garantir a sinalização em longos períodos de chuva ou nebulosidade.

A energia solar é apenas um detalhe no contexto da reserva Biológica Marinha do Arvoredo, que integra o entorno marinho, as ilhas Galés e Deserta e o calhau de São Pedro. Relativamente protegida da pesca predatória foi fechada a mergulhos contemplativos em 2000, de acordo com a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Fartos pesqueiros nas Três Irmãs

Referência para pescadores do Sul da Ilha, Palhoça e Garopaba, as Três Irmãs, formam um conjunto de ilhotas cercado de água cristalina e passagem obrigatória para cardumes de anchovas, tainhas, sardinhas ou corvinas. Sob costões encobertos de enormes mariscos, galerias submersas formam tocas onde se escondem garoupas, badejos, robalos e tartarugas, por exemplo.

Em tempos de pouco peixe no Pântano do Sul, é nas Irmãs que o pescador Maico Teixeira e colegas garantem o sustento. “Dependendo do vento e da claridade da água, dá para se defender”, diz, apontando os pesqueiros favoritos – calhau do velho Miguel e bananal,  na ilha do meio.

Pescadores desportivos também arriscam a travessia de 10 quilômetros em mar aberto para tentar fisgar garoupas e robalos nos costões. É o caso de Ernesto Loeds, 40, que passou a tarde de quarta-feira a bordo da voadeira ‘Piratas’, com motor de 115 hps, enquanto os amigos Pedro e Miguel deslizavam no fundo do mar. “Sempre que podemos, nos divertimos aqui”, garante Loeds.

Para Odori Aldo de Souza, 44, diretor da Associação dos Pescadores da Armação, que no verão ganha a vida transportando turistas, as Irmãs são mais do que isso. “Quando estamos no mar e o tempo vira, é para lá que a gente vai em busca de embate do vento”, explica.

Saiba mais

● A Ilha de Santa Catarina mede cerca de 54 km de comprimento (norte–sul) por até 18 km de largura (leste–oeste), ao Norte, totalizando uma área de 424,4 km².

● A região insular da cidade, que se destaca  no oceano Atlântico, é a maior entre as 21 ilhas pertencentes geográfica e administrativamente a Florianópolis. Outras dez que a circundam são de municípios vizinhos.

● Ligadas pelas pontes Hercílio Luz, Colombo Salles e Pedro Ivo Campos sobre canal com 500 metros de largura e até 28 metros de profundidade, as duas partes da cidade são separadas pelo estreito que delimita as baías Sul e Norte.

Outras ilhas

● Noivos ou Lamim, Diamante, Guarita, Perdida, Guarás Pequena, Guarás Grande, Pombas, Conchas, Abraão.

Municípios vizinhos

● Anhatomirim (Governador Celso Ramos).

● Cabras (Biguaçu).

● Cardos Grande, Largo, Papagaios, Coral, Moleques do Sul, Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba (Palhoça).

● Arvoredo, Galés e calhau de São Pedro (Bombinhas, área da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo).

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