Florianópolis entregue à sujeira com um dia sem recolhimento de lixo

Em 12 dias, servidores da Comcap paralisam pela terceira vez e lixo fica jogado nas calçadas e ruas

Daniel Queiroz/ND

Iraci reclama do forte odor que o acumulo de lixo exala nos dias de calor

Os servidores da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital) – que recolhe e trata o lixo – fizeram uma nova paralisação, em Florianópolis. O motivo é o atraso em 24h para liberação do vale-alimentação. Num dia, 500 toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas.

Com o protesto dos servidores, a população, que paga R$ 35 milhões anuais ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para que o lixo seja recolhido diariamente, acaba sendo prejudicada.

Pelas ruas sacolas se acumulam. Alguns sacos foram rasgados espalhando dejetos pelas calçadas. Iraci Vieira da Silveira, aposentada teve trabalho duplo: depositou o conteúdo nas lixeiras, a Comcap não recolheu, os gatos estraçalharam o plástico, e na manhã a senhora teve que lavar a calçada.

As lixeiras na frente da casa de Iraci são compartilhadas com os restaurantes, em consequência o acumulo é maior. “Com esse calorão o cheiro fica forte, atrai moscas e enfeia a cidade”, reclama.

Odete Santos, 43, cabeleleira, mora em Ingleses e reclama que os ratos invadem o bairro cada vez que os garis não fazem o recolhimento. “Os alimentos apodrecendo também juntam baratas. É um problema para nós”, ressalta Odete.

O diretor financeiro do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis/sc), Márcio Nascimento explica que no mês anterior o vale-alimentação – de R$ 420 por funcionário – foi depositado dia 2. E que os trabalhadores estão sendo prejudicados. “Avisamos que iríamos paralisar se o atraso se repetisse. Temos um acordo há mais de 10 anos que prevê que os benefícios estejam na conta do trabalhador no primeiro dia útil do mês”, esclarece Nascimento.

O diretor administrativo da Comcap, Charles Pires, diz que o dinheiro foi depositado sexta-feira, às 17h. E que às 10h30 de segunda, estava na conta da instituição. “Essa postura é absurda”, salienta Charles.

Os servidores devem retomar suas atividades nesta terça-feira.

Três paralisações em 12 dias

Dia 22 de março, os servidores da Comcap paralisaram por 24 horas seus serviços, em função do reajuste da data-base. Um pedido de ilegalidade de greve foi encaminhado ao Tribunal Regional do Trabalho pela direção administrativa da companhia.

Charles Pires questionou a paralisação, já que a data-base dos trabalhadores só vence em novembro e teria sido adiantada por questões políticas. 

Outras reivindicações dos 1.523 funcionários da companhia são a redução de jornada de 40 horas semanais para 30 horas sem alteração no salário; e ticket extra para alimentação. “Mesmo não trabalhando todos os dias são pagos 30 tickets por mês”, afirma Pires.

Se os pedidos foram atendidos na íntegra custariam R$ 30 milhões a mais por ano para a instituição. O que é entendido pela administração da Comcap como “impossível”.

O diretor defende que como os funcionários fazem um serviço essencial para manutenção da cidade: “50% da classe precisa dar continuidade ao trabalho. E, também, definir as datas das paralisações com antecedência”. No dia 27 de março os funcionários anunciaram greve, mas voltaram ao trabalho algumas horas depois, após acordo com a diretoria.

A Prefeitura anuncia que irá reunir as chefias para estudar uma solução caso as paralisações continuem ocorrendo.

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