Florianópolis ficará mais uma temporada fora da rota dos cruzeiros

Apesar de ter feito uma escala-teste em março do ano passado, a capital catarinense ficará mais uma vez de fora das rotas dos transatlânticos que aportam no Estado. Entre os principais motivos estão a falta de infraestrutura
para receber os turistas dos navios e também a morosidade e alto custo das licenças ambientais para construção de um atracadouro.

Turismo de cruzeiros movimenta economia nos pontos de atracação – SC Drones/Divulgação/ND

Além disso, o teste realizado mostrou que o local, em Canasvieiras, não era apropriado por ter um tempo muito grande de percurso até chegar em terra firme. Foram cerca de 30 minutos para deixar o navio e chegar à praia.

Depois dessa tentativa, um empresário teria manifestado interesse em construir um atracadouro entre as praias de Jurerê e Canasvieiras, considerado mais adequado para a estrutura. Mas o custo das licenças ambientais que beiram os R$ 100 mil teriam freado a iniciativa.

Consultada, a prefeitura de Florianópolis disse que não tem novas informações sobre o andamento da construção do atracadouro no Norte da Ilha.

O setor de cruzeiros cresce em ritmo avançado no mundo, e a expectativa da associação internacional do setor (Clia) é que haja 30 milhões de cruzeiristas viajando pelo mundo em 2019. Até 2021, 113 novos navios circularão pelo litoral do país.

Visão positiva do turismo

Mesmo com esse cenário, a presidente do Fortur (Fórum de Turismo da Grande Florianópolis), Zena Becker, considera que essa é a melhor fase da Capital nos últimos anos em termos de incentivos e criação de produtos de turismo.

“Sempre digo que temos poucos produtos turísticos, mas isso está mudando. Temos vários projetos no forno, como o novo aeroporto Hercílio Luz, a construção do centro de eventos de Canasvieiras – que deve fomentar o
crescimento no Norte da Ilha, e o turismo de eventos que já quebrou o paradigma da sazonalidade, movimentando a economia do município nos meses de inverno”, analisa Zena.

Para ela, o primeiro teste serviu para revelar que Florianópolis não tem estrutura de receptivo adequada. “Temos que ter um atracadouro adequado com espaço para receber os turistas, com cobertura, banheiros etc. Sem isso, não é possível receber os cruzeiros”, avalia.

A tentativa também teria ajudado a despertar a consciência e a vontade da cidade em operar o serviço. “Precisamos trabalhar a questão náutica. O projeto da Marina está adiantado e deve servir para dar o primeiro passo na quebra desse mito de que não podemos usar o mar”, aposta Zena.

“Nesse sentido, os cruzeiros também são uma ótima opção porque as
pessoas que conhecem a cidade acabam retornando em outro momento, seja para passar férias ou participar de algum evento e acabam movimentando o segmento de bares, restaurantes, hotéis e comércio em geral”, afirma.

Expectativa do comércio

Discutido há anos, o recebimento de transatlânticos na Ilha de Santa Catarina é aguardado com expectativa pela CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Florianópolis. “Esperamos que aconteça em breve, mas sabemos que não
basta a intenção, temos que estar preparados com roteiros e estrutura para receber as pessoas e tem que ter alguém que capitaneie a ideia para viabilizá-la”, diz o diretor de assuntos públicos e políticos da CDL, Lidomar Bison.

Na opinião dele, o investimento necessário para as licenças ambientais não é exorbitante, visto que o serviço pode ser explorado por consórcio de empresas de vários ramos, como o hoteleiro e o da construção civil, por exemplo.

“Temos um diálogo com entidades como Abrasel, Acate, Acif, Sebrae e outras, para identificar dentro da iniciativa privada interessados em explorar o serviço. Esperamos que se aprove a construção do atracadouro para que tenhamos mais estrutura e possamos explorar o serviço dos cruzeiros em um tempo médio de dois anos, na temporada de 2020/2021”, afirma.

Penha pode entrar na rota

Atualmente, três municípios catarinenses servem como escalas fixas dos cruzeiros marítimos: Porto Belo, Balneário Camboriú e Itajaí. Este último retomará o embarque e desembarque no dia 14 de dezembro, recebendo
13 roteiros turísticos da MSC Cruzeiros na próxima temporada.

Itajaí retoma linhas da MSC Cruzeiros no próximo verão – Marcos Porto/Divulgação

Após ficar de fora do roteiro dos grandes transatlânticos desde 2015, Itajaí vai utilizar a estrutura do porto comercial, até a construção de um novo píer de passageiros. Isso porque o píer turístico atual não comporta o tamanho dos navios que navegam na costa brasileira.

Com um navio atracando a cada sábado e capacidade para embarcar cerca de 1.500 passageiros de cada vez, o município do Litoral Norte estima um movimento de R$ 15 milhões em sua economia no próximo verão. O fato de
ser um porto alfandegado, que permite embarque e desembarque de passageiros do exterior, também contou pontos para a reinserção do município nas escalas brasileiras.

Turistas de cruzeiros movimentam a economia de Itajaí – Marcos Porto/Divulgação

De olho nesse filão de negócios que movimenta vários segmentos econômicos, o governo do Estado vem tentando incluir outras cidades nesses roteiros, como Florianópolis, Imbituba e Penha.

Dos três, Penha está um passo à frente. O município pode receber a escala-teste na praia de Armação do Itapocorói, onde há um trapiche para embarque e desembarque dos cruzeiros marítimos. Mas a prefeitura precisará criar um protocolo de preparação do píer, para melhorar a segurança do local de atracação.

Segundo a Santur, antes do teste é necessário ainda que o município apresente uma carta náutica à Capitania dos Portos para que sejam homologados dados técnicos, como o ponto de fundeio do canal de acesso e a capacidade do píer.

Feitas as adequações, o transporte de passageiros poderia ser feito do transatlântico até terra firme em seis minutos. A intenção é que os visitantes aportem a dois quilômetros do Parque Beto Carrero World, podendo usufruir dos atrativos regionais que incluem 19 praias, cinco mil leitos na rede hoteleira, gastronomia qualificada e atrativos como o futuro Parque da Ponta da Vigia.

A expectativa da Santur é criar a Rota SC, ampliando os destinos de cruzeiros no Estado, para que os navios permaneçam por mais tempo no nosso litoral.

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