Florianópolis mais próxima da meta Lixo Zero 2030

Atualizado

Coleta de recicláveis pela Comcap (Autarquia Melhoramentos da Capital) aumentou 13% em 2019, em contraste com a coleta convencional (rejeito) – Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND

A produção de lixo no Brasil avança muito mais rápido do que as ações de infraestrutura para lidar de maneira adequada com esse resíduo, aponta análise do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019, lançado em novembro do último ano pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Apenas em 2018, o Brasil produziu, em média, 79 milhões de toneladas de lixo, segundo o relatório. Comparado com países da América Latina, é o campeão em geração de lixo. A capital catarinense, no entanto, vai na contramão da tendência nacional. A coleta de recicláveis pela Comcap (Autarquia Melhoramentos da Capital) aumentou 13% em 2019, em contraste com a coleta convencional (rejeito), que estacionou em zero por cento, interrompendo a tendência de alta entre 3% e 6% das últimas décadas.

Os ganhos com a coleta seletiva no município já somam R$ 8 milhões ao ano entre o que a Prefeitura de Florianópolis deixa de gastar com aterro sanitário e a renda proporcionada para 11 associações de triadores da Grande Florianópolis. “Investimos em educação, conscientização e promovemos ações para nos aproximarmos na nossa meta Floripa Lixo Zero 2030. Agora, já começamos a colher os resultados destas iniciativas”, afirma o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro.

Durante o ano passado, a cidade separou 2 mil toneladas a mais em papel, plástico, metal, vidro e orgânicos compostáveis para os roteiros de coleta seletiva ou para os pontos de entrega voluntária (PEVs) e Ecopontos da Comcap.  A coleta seletiva da Comcap movimentou 17.554 toneladas de resíduos em 2019. Em 2018, foram 15.489 toneladas. “Os dados demonstram que o cidadão tem participado do esforço pela meta Lixo Zero proposto pela Prefeitura de Florianópolis”, avalia o presidente da Comcap, Márcio Alves.

Compostagem de resíduos orgânicos aumentou 135% no último ano, apontam dados da Comcap – PMF/Divulgação/ND

Mudar o planeta começa na nossa casa

Thaianna Cardoso, conselheira da Acesa (Associação Catarinense de Engenheiros Sanitaristas e Ambientais) e mestra na área de resíduos sólidos pelo Programa de engenharia ambiental da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), diz que vê com otimismo os resultados divulgados pela Comcap em relação a meta Floripa Lixo Zero 2030. “É preciso destacar que resultados como estes não são colhidos da noite para o dia e que a atuação técnica dos profissionais do órgão é o diferencial na entrega de serviços de qualidade para os cidadãos de Florianópolis. Floripa é uma das cidades pioneiras na implantação da coleta seletiva no país”, destaca.

A especialista ensina que fazer a diferença no planeta começa pelas nossas atitudes em casa. “ Metas como estas são utopias que nos motivam a melhorar todos os dias, aprendendo a nos tornar cidadãos mais sustentáveis. Por isso, quem mora em Florianópolis precisa saber: A separação dos resíduos domiciliares e a coleta seletiva podem definir se um determinado resíduo terá ou não mercado para a reciclagem. O que compramos no comércio limpo e organizado, após consumido, precisa ser devolvido para o setor produtivo limpo e organizado e essa é a nossa responsabilidade cidadã no quesito resíduos sólidos”, explica Thaianna.

Mas a coleta seletiva é sinônimo de reciclagem? A resposta é não, de acordo com a conselheira da Acesa. “Esse é apenas o primeiro passo após a separação dos resíduos domiciliares, contudo, depois de coletado seletivamente o resíduo reciclável precisa ser triado rigorosamente nas diversas frações de materiais a serem comercializados e reintroduzidos nos processos produtivos industriais em substituição parcial ou total das matérias primas virgens na confecção de novos produtos. Então além da separação e da coleta seletiva, o tratamento dos recicláveis pela triagem e a logística reversa (retorno dos resíduos ao setor produtivo) são questões que necessitam de um impulso da sociedade para avançarem conjuntamente”, enfatiza.

Equipamento exclusivo para coleta de vidro adquirido pela Prefeitura de Florianópolis no ano passado –  Leo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Economia circular e agricultura urbana

Ao mudar o destino dos resíduos do lixo para a reciclagem, o cidadão promove a economia circular, com ganhos ambientais e sociais, e reduz custos públicos com aterro sanitário, lembra o presidente da Comcap, Márcio Alves. Os recicláveis secos são doados às associações de triadores e por elas reinseridos na indústria. Os resíduos orgânicos compostados servem para ajardinamento e hortas urbanas.

O material encaminhado para reciclagem permite ganhos sociais da ordem de R$ 8 milhões ao ano se for somado o que a Prefeitura de Florianópolis deixa de gastar com o transporte até o aterro e o valor revertido pelas associações ao comercializar o material para a indústria. Foram 12.929 toneladas de recicláveis secos doadas para associações de triadores que deixaram de custar R$ 2 milhões de aterro (R$ 161 a tonelada) e promoveram receitas de R$ 4,9 milhões na venda para a indústria (em média R$ 381 a tonelada triada e comercializada pela ACMR).

Os resíduos orgânicos que, por terem sido separados pela população deixaram de ir para aterro sanitário, permitiram economia de R$ 655 mil em redução de custos públicos e geraram ao mínimo R$ 448 mil em valor, levando em consideração o preço público da Comcap para cepilho ou composto que é de R$ 0,11 o quilo. O cepilho e o composto da Comcap têm sido doados ações de agricultura urbana.

Foco no vidro e no orgânico

O aumento da seletiva, de acordo com a Comcap, decorre do investimento na coleta de vidro, por meio de PEVs (pontos de entrega voluntária), e na coleta de orgânicos. A coleta exclusiva de vidro por entrega voluntária aumentou 19% e a compostagem de orgânicos aumentou 135% em 2019. Foram processadas 1,4 mil toneladas de restos de alimentos no Centro de Valorização de Resíduos da Comcap no Itacorubi, em parceria com Associação Orgânica, e trituradas 2,6 mil toneladas de podas.

Neste ano, cerca de R$ 8 milhões serão investidos na implantação e ampliação destas duas modalidades. Já estão em licitação equipamentos para instalar 50 novos PEVs de Vidro, praticamente triplicando a rede existente, e para mais dois Ecopontos, além dos cinco atuais. Para que Florianópolis saia da frente das capitais brasileiras, em 2020, será implantada a coleta seletiva de verdes (podas) nos domicílios e a coleta de orgânicos (restos de alimentos) por pontos e em grandes geradores como condomínios residenciais e instituições como o Cepon, onde está sendo feita experiência piloto.

p style=”font-size: 7px;”>Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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