Florianópolis receberá Centro de Referência e Acolhimento de Imigrantes e Refugiados

Governos federal, estadual e municipal assinam convênio para a implementação do órgão de assistência aos estrangeiros

Na tarde de 12 de janeiro de 2010, uma terça-feira, um terremoto de grau 7 na escala Richter ceifou a vida de mais de 100 mil pessoas em um Haiti já devastado por conflitos políticos e ocasionou um dos maiores fluxos migratórios do século 21 na América. Paralelamente, em outras nações e continentes, guerras civis e militares geraram uma massa de refugiados que encontraram em outros países – entre eles o Brasil – o acolhimento necessário para reconstruir suas vidas.

Exatamente seis anos após o terremoto no Haiti, na tarde desta terça-feira (12), governo federal, Secretaria de Estado de Assistência Social de Santa Catarina e Prefeitura de Florianópolis assinaram um convênio para a implementação, na Capital, do primeiro Centro de Referência e Acolhimento dos Imigrantes e Refugiados (CRAI) do Estado, o segundo do Brasil (o outro fica em São Paulo).

Bruno Ropelato/ND

Representante do Movimento dos Haitianos, Paulo André diz que ação trará mais segurança aos refugiados

“Seja por conflitos armados, perseguições, fome, miséria ou em razão da natureza humana, a migração faz parte do mundo. Temos o desafio de constituir uma rede pública de acolhimento, atenção e assistência a imigrantes, baseada nos pilares do desenvolvimento socioeconômico e na garantia dos direitos humanos. Hoje demos um passo importante”, afirmou o secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, em cerimônia realizada no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.

Representante do Movimento dos Haitianos em Santa Catarina, o imigrante Paulo André elogiou a iniciativa e parafraseou o astronauta norte-americano Neil Armstrong para destacar a importância do CRAI. “Somos testemunhas de um movimento único na história do acolhimento e integração. Esse pode ser um pequeno passo para os homens e mulheres, mas pode ser um salto gigante no incremento da qualidade de vida e segurança dos imigrantes”, disse.

Ainda que implementado em Florianópolis, o CRAI irá atender imigrantes e refugiados que se instalaram em qualquer cidade do Estado. “Eles serão atendidos da mesma maneira que qualquer cidadão é atendido nos serviços de educação, assistência social e saúde, afinal, todos nós fomos migrantes, assim como eles, que hoje vêm buscar uma nova vida no nosso país. É um dia de vitória para todos nós”, destacou o secretário municipal de Assistência Social, Dejair de Oliveira Junior.

Atuação do CRAI

Com orçamento de R$ 1,5 milhão, já disponível para sua efetiva execução em até dois anos, o CRAI tem por objetivo prestar atendimento especializado a imigrantes e refugiados, intermediar vagas de trabalho e assessorar municípios e empresas do Estado. “Trata-se de uma questão humanitária que não podemos fechar os olhos. Nossa equipe estudará políticas públicas voltadas para estes imigrantes”, explicou o secretário de Estado, Trabalho e Habitação, Geraldo Althoff.

Além de assistência jurídica para a legalização e obtenção de documentos no Brasil, primordial aos recém-chegados, um dos principais focos de atuação do CRAI será a geração de empregos. Ao longo do ano passado, 3.704 estrangeiros buscaram postos de trabalho por meio da rede Sine (Sistema Nacional de Emprego) em Santa Catarina, mas cerca de 8.000 imigrantes buscaram colocação profissional sem suporte governamental.

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