Frequente poluição no rio Capivari, no Norte da Ilha, preocupa banhistas e moradores

A poluição do rio Capivari, que desemboca na praia dos Ingleses, no Norte da Ilha, tem sido uma preocupação constante dos moradores da região.  Há anos que a comunidade se une para pedir providências sobre a poluição do rio, que fica ainda mais intensa no verão. O problema já resultou na criação de um programa ambiental e até mesmo em uma denúncia, por parte da Associação de Moradores dos Ingleses, ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Visível poluição no rio Capivari nesta segunda-feira - Marco Santiago/ND
Visível poluição no rio Capivari nesta segunda-feira – Marco Santiago/ND

No ano passado, o programa Rioamar foi criado na tentativa de formar parcerias, para conscientizar e cobrar punições rígidas a quem polui o rio. “O programa tem procurado fazer a sua parte também. Parceria é a palavra chave para resolvermos esse problema, que é comum e atinge todo mundo”, afirma Alberto de Barros, do Rioamar. “Isso não atinge só a saúde pública, mas também a economia”, completa.

Barros acredita também que o crescimento desordenado da região dos Ingleses tem sido um fator agravante no processo de poluição do rio Capivari, através de ligações clandestinas de esgoto. “Essa ânsia de crescimento imobiliário é um problema que acaba impactando outras áreas, como saúde, educação e mobilidade”, garante.

A médica Eliane de Vargas mora próximo ao rio há dois anos e está arrependida de ter adquirido um imóvel ali. “Eu venho porque tenho um apartamento aqui, se não, não viria”, diz. Segundo ela, há momentos do dia em que a situação do rio fica ainda pior, fazendo com que a água se torne um esgoto a céu aberto. “Principalmente após as 16h, que provavelmente é a hora que começa a escoar mais esgoto”, comenta.

A situação também é presenciada pela corretora de imóveis Susi Fiorato. “É muito triste olhar para isso e não ver mais as aves. Não tem gaivota, não tem natureza, não tem mais sirizinho na areia. A nossa praia tá morrendo, tá acabando”, lamenta.

Moradores relatam que o problema com a poluição do rio aumenta consideravelmente durante a temporada de verão, que é quando cresce também a quantidade de pessoas no bairro. O fato é confirmado pelo relatório de balneabilidade do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), pois a única vez em que o ponto estava próprio para o banho foi em dezembro. Depois disso, todas as análises feitas revelaram que a água é imprópria para banho.

Enquanto isso, pessoas tomam banho no mar ou cruzam pela água do rio diariamente. O professor Valdir Oliveira é um dos frequentadores da praia que sente falta de uma sinalização alertando as pessoas sobre a condição ruim do mar. “Há um tempo a prefeitura colocou umas placas na parte de preservação da praia, no meio do mato. O matou tomou conta e encobriu a placa”, diz. “Tinha que haver melhores cuidados, para pelo menos alertar a população para que não tomem banho na região”, acredita.

Denúncia e investimentos

Diante da falta de providências, a Associação de Moradores dos Ingleses protocolou uma denúncia no MPSC, na qual relata a situação do esgoto de imóveis na água do rio. O dossiê reúne dados coletados nos últimos anos na praia dos Ingleses.

A prefeitura confirmou que vem realizando frequentemente ações de fiscalização de esgotos clandestinos, por meio do programa Se Liga Na Rede. Alguns imóveis já foram identificados com ligações irregulares e os proprietários foram identificados para resolver o problema.

Já a Casan, em nota, informou que lamenta que ainda seja uma prática recorrente a ligação clandestina de esgoto no rio Capivari e lembra que a região está recebendo investimento de R$ 84 milhões em rede de coleta e estação de tratamento. “O sistema vai colaborar com a recuperação ambiental do rio, mas a ligação de moradores fazendo a ligação correta ao sistema de esgoto, e não no ambiente ou nas redes de drenagem, também é fundamental para a recuperação ambiental da região. A Casan trabalha para colocar o sistema de tratamento de esgoto Ingleses-Santinho em operação no próximo ano”, diz a nota.

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