Funcionária esperou 45 minutos para ser resgatada após queda de elevador no hospital Celso Ramos

“Eu estava sem celular e não havia intercomunicador lá dentro. Dei socos e chutes na porta"

A técnica de enfermagem, Lenelita Lunelli, 48, começou mais um plantão no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, às 19h de terça-feira (15). Meia hora depois ela pegou o elevador social, no 5º andar, para ir até a garagem. O painel indicou que o equipamento subiria para o 6º andar, mas na sequência, começou a descer e foi até o térreo, quando despencou, parando somente no subsolo. A servidora ficou 45 minutos trancada até ser socorrida. “Além da queda, que parecia eterna, senti o maior medo da minha vida enquanto chutava a porta pedindo socorro”, disse a vítima, que sofreu ferimentos leves.

Reprodução/ND

Enquanto se recupera do susto, Lenelita agradece pelo fato de a queda ter sido apenas de dois andares. “Somando os cinco andares, mais os dois de subsolo, eu certamente não estaria aqui para contar sobre o acidente”, disse a servidora pública, que trabalha há sete anos no Celso Ramos. Lenelita lembra que ao chegar ao térreo, o elevador abriu e fechou rapidamente as portas antes despencar. A técnica caiu de joelho e na sequência bateu o cotovelo e a coluna. Quando ela pensava que o pior havia passado, teve de esperar durante 45 minutos até poder ser retirada do elevador. “Eu estava sem celular e não havia intercomunicador lá dentro. Dei socos e chutes na porta. Fiquei desesperada porque sei que poucas pessoas circulam pelo subsolo. Tinha luz, mas o ventilador não funcionava. Tive medo de desmaiar porque suava frio e estava tonta”, detalhou.

Lenelita não sabe ao certo em que momento seu pedido de socorro foi ouvido. Lembra apenas que o eletricista do hospital abriu a porta com um alicate de pressão para que ela pudesse sair. “Não quebrei nenhum osso. Meu maior dano foi psicológico. Eu vi meu velório e enterro enquanto estava presa. A queda somada ao calor e o tempo até o resgate me deixaram em pânico”, recordou. Ao se tornar paciente no próprio local de trabalho, a técnica foi atendida por colegas e medicada. Lenelita passou por exames antes de ser liberada, por volta das 22h. Na quarta-feira, a moradora do bairro Ingleses, no Norte da Ilha voltou ao hospital para fazer novas radiografias. Ainda com medo, ela utilizou somente as escadas.

Assista à entrevista de Lenelita para o Jornal do Meio-Dia

Servidores colam cartazes de alerta nas portas do elevador com defeito

Ironicamente a funcionária se feriu em um equipamento instalado há pouco mais de 30 dias, pela empresa contratada pela Secretaria Estadual de Saúde. Na quarta pela manhã, cartazes nas portas do elevador danificado chamavam a atenção dos usuários para o perigo. Os alertas foram fixados no 5º e no 2º andar. Nos demais pontos não havia nenhum aviso, embora o equipamento estivesse desativado. “Não usar: risco de morte” e, “Cuidado: caiu”, foram as frases usadas por colegas de Lenelita para alertar quem passava pelo Celso Ramos.

A precariedade dos elevadores do hospital prejudicou o atendimento na unidade de saúde em janeiro. Defeito nos equipamentos com mais de 40 anos de uso obrigaram os médicos a cancelar cirurgias. Na época, somente dois elevadores funcionavam, sendo utilizados para o deslocamento de pacientes, de lixo, equipamentos e roupas hospitalares. “Lembro que um paciente morreu e a equipe teve de descer o corpo em uma cadeira de rodas, após horas de espera pela manutenção do elevador de serviço. Pensei que aquela seria a pior situação que passei no Celso Ramos”, recordou Lenelita, ao comparar o episódio com o acidente da noite de terça-feira.

Alessandra Oliveira/ND

Bilhete com o aviso “risco de morte” foi colado de forma improvisada nos elevadores

Em razão dos problemas apresentados pelos equipamentos com mais de 40 anos, a Secretaria Estadual de Saúde assinou, ainda em janeiro, o contrato com a empresa vencedora de uma licitação em 2012 do edital para troca dos elevadores. Os dois primeiros equipamentos deveriam ser instalados até junho. Os outros dois ficariam prontos até agosto. Mais de 3.000 pessoas passam pelo Celso Ramos diariamente. Visitantes, pacientes e profissionais utilizam os elevadores para circular entre os oito andares, além do solo e o subsolo do hospital.

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde informou que o equipamento que caiu passou por testes e estava em funcionamento há mais de um mês. A empresa responsável pela instalação foi chamada para prestar esclarecimentos sobre o acidente com a funcionária do hospital Celso Ramos.

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