Geração de emprego em Florianópolis está concentrada em público com formação básica

É no último trimestre que as expectativas de melhoras na economia e nos índices de emprego se renovam. É neste período que muitas oportunidades de trabalho temporário se transformam em empregos fixos e também que os indicadores dão os melhores sinais de recuperação.

Apenas em Florianópolis, Sine oferece 67 vagas de emprego - Marcelo Bittencourt/Arquivo/ND
Desde o início de 2018, Florianópolis contratou 87.711 e demitiu 85.957 – Marcelo Bittencourt/Arquivo/ND

Pela primeira vez neste ano, o mercado de trabalho em Florianópolis teve saldo positivo segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de setembro deste ano. Indicador foi impulsionado pelos setores de comércio e serviços, que seguem sendo os que mais contratam na cidade.

Desde o início do ano, a cidade contratou 87.711 e demitiu 85.957, obtendo um saldo positivo de 1.754. O setor de serviços teve um crescimento de 955 contratações e o comércio de 609.

As vagas que mais empregaram pessoas foram as de digitador, assistente administrativo e servente de obras. De maneira geral, a maioria das demandas de empregos exigem formação básica, como no caso dos atendentes de telemarketing e recepcionistas, outras duas áreas com grande número de contratações.

Uma pesquisa da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina) para a temporada de verão 2018/2019 revela que a expectativa de contratações próximas do cenário que se consolidou na temporada passada.

Para o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, este ano o cenário vem se desenhando mais estável e com cautela por parte dos consumidores e dos empresários na hora de contratar, mas pondera que as contratações são importantes, ainda mais quando há a possibilidade de efetivação do trabalhador temporário para todo o ano. “A abertura de vagas para temporários aumenta os níveis de emprego na economia, dá oportunidades para jovens adquirirem mais experiência no mercado de trabalho e também movimenta mais recursos na economia, por meio da maior circulação de dinheiro”, ressalta o empresário.

A pesquisa apontou que 71,4% dos empresários irão contratar o mesmo número de trabalhadores temporários que no ano passado. A média de funcionários também apresenta indicador estável, em 2017 foi de 2,95 por empresa e em 2018 a projeção é de 2,92, confirmando o cenário de estabilidade nas contratações.

Prefeitura prepara entrada no mercado de trabalho

Dado do Trabalha Brasil, maior portal de empregos do país, mostram que atualmente há mais de 14 mil vagas de empregos disponíveis em Florianópolis. A maior parte delas justamente nas áreas que mais contratam.

Para dar conta de suprir a demanda e conseguir fazer o encaminhamento das pessoas que estão fora do mercado de trabalho, o Igeof (Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis) tem realizado uma série de ações para preparar os candidatos.

“Historicamente o Igeof realiza um trabalho mais social, com o público de baixa renda. Nós temos mantido este foco, mas também expandido nossa atuação entre os públicos que não se enquadram nesse perfil. Para isso nós desenvolvemos cursos, oficinas e palestras”, explicou o superintendente Guilherme Pontes.

Entre as ações do Igeof estão, por exemplo, a capacitação de moradores em situação de rua e imigrantes. “São públicos que têm dificuldades para conseguir ser reinserido no mercado de trabalho. Com esse público, nós realizamos oficinas de currículo e também deixamos aberta a participação nas demais oficinas”, emenda.

Atualmente, 56% das pessoas que procuram o Igeof para serem encaminhadas ao mercado de trabalho possuem ensino médio, enquanto 4,2% possuem ensino superior.

Setor de tecnologia não consegue contratar

As apostas dos empresários para colocar Florianópolis na vanguarda tecnologia fizeram o setor conquistar espaço na cidade. Atualmente são 2.600 empresas no setor que empregam 12 mil pessoas e geram R$ 4,7 bilhões em receitas.

Mesmo assim, segundo o diretor executivo da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Gabriel Santana, o setor tem encontrado dificuldades para ocupar entre 600 e 1 mil vagas abertas no setor. “Nós destacamos dois fatores principais. O primeiro é a dificuldade das universidades em atender a demanda e o segundo é que muitas das pessoas que procuram essas vagas não possuem o nível técnico esperado”, explica.

As alternativas para o setor ampliar o quadro de contratações, segundo Santana, passam por iniciativas de longo prazo, com o trabalho de disciplinas de lógica desde o ensino fundamental, a estratégias para inserção de novos profissionais no através da capacitação de base. “Essas pessoas não chegam no nível esperado, mas elas entram no setor e dali vão se capacitando para ocupar outras vagas”, explica.

EVOLUÇÃO DO EMPREGO POR SETOR DE ATIVIDADE ECONÔMICA        
ESTADO: SANTA CATARINA   MUNICÍPIO: FLORIANÓPOLIS        
                         
  SETEMBRO/2018 NO ANO ** EM 12 MESES ***
                         
SETORES TOTAL ADMIS. TOTAL DESLIG. SALDO VARIAC. EMPR % * TOTAL ADMIS. TOTAL DESLIG. SALDO VARIAC. EMPR % TOTAL ADMIS. TOTAL DESLIG. SALDO VARIAC. EMPR % 
                         
EXTRATIVA MINERAL 4 1 3 5,56 15 6 9 18,75 16 10 6 11,76
                         
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO 239 262 -23 -0,37 2.425 2.323 102 1,65 3.101 2.944 157 2,56
                         
SERV INDUST DE UTIL PÚBLICA 93 41 52 1,01 329 429 -100 -1,89 480 638 -158 -2,95
                         
CONSTRUÇÃO CIVIL 263 311 -48 -0,67 3.337 2.882 455 6,81 4.007 3.778 229 3,32
                         
COMÉRCIO 1.735 1.801 -66 -0,19 14.969 16.963 -1.994 -5,47 22.862 22.253 609 1,80
                         
SERVIÇOS 4.246 3.909 337 0,27 42.316 41.747 569 0,46 56.263 55.308 955 0,78
                         
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 61 41 20 0,75 469 445 24 0,90 724 741 -17 -0,63
                         
AGROPECUÁRIA 24 31 -7 -1,88 199 182 17 4,74 258 285 -27 -6,70
                         
TOTAL 6.665 6.397 268 0,15 64.059 64.977 -918 -0,51 87.711 85.957 1.754 0,99
FONTE: MTE-CADASTRO GERAL DE EMPREGADOS E DESEMPREGADOS-LEI 4923/65

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