Gerente da CNI participa de palestra em SC: “reforma da Previdência é necessária”

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A reforma da Previdência é necessária para que o Brasil saia de uma armadilha macroeconômica e volte a crescer. A afirmação é do gerente de política fiscal e tributária da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Mário Sérgio Carraro Telles, em palestra no evento ‘Nova Previdência O Brasil Não Pode Esperar’, realizado na tarde desta segunda (10) no auditório da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina).

Fiesc recebeu o evento ‘Nova Previdência O Brasil Não Pode Esperar’ – Flávio Tin/ND

Ativo debatedor da reforma da Previdência nos últimos 12 anos, Carraro Telles defendeu o posicionamento da CNI em relação à atual proposta que tramita no Congresso Nacional.

Para o diretor tributário da CNI, todas as discussões foram válidas para despertar o interesse da opinião pública sobre o assunto.

“A sociedade foi ganhando consciência em saber o porquê se deve fazer a reforma”, destacou, citando pesquisa feita em março que apontou que 59% dos brasileiros são favoráveis à reforma da Previdência.

De acordo com Carraro Teles, se as atuais regras previdenciárias forem mantidas, o Brasil sofrerá com aumento de carga tributária ou de inflação para fazer o custeio das despesas com previdência.

“Quem mais é prejudicado com aumento de inflação são os pobres” , salientou para ressaltar a necessidade de fazer a a reforma. Para a indústria, a importância da reforma consiste em superar o que Carraro Telles chama de “armadilha macroeconômica”, uma vez que desde meados da década passada, o PIB do Brasil não acompanha a demanda interna, por falta de poupança e de investimento, e a indústria não consegue acompanhar o ritmo do varejo, que é atendido pelas importações.

“(A reforma) é fundamental para reverter essa poupança negativa do setor público. É fundamental para destravar essa armadilha e o Brasil voltar a crescer mais de 1,5% ao ano, como vai crescer esse ano”, relatou.

Para Carraro Telles, a atual proposta de reforma da Previdência tem todos os elementos para avançar. “É positiva. Está atacando as classes mais altas da sociedade”, definiu, antes de listar as principais alterações de tempos de idade mínima e de contribuição das diferentes categorias.

O diretor tributário da CNI destacou uma alteração sensível da aposentadoria rural, com a inclusão de uma contribuição específica de R$ 600 por ano, para que exista um melhor controle.

“Isso porque 30% das aposentadorias rurais são dadas por decisão judicial”, relatou, em referência à pessoas que saem das cidades em direção ao campo apenas para pedir aposentadoria.

Seminário reuniu líderes empresariais e deputados federais

O seminário Nova Previdência, O Brasil Não Pode Esperar reuniu líderes empresariais de diversos setores, além dos deputados federais Darci de Mattos (PSD) e Pedro Uczai (PT), que participaram de um debate com as presenças do palestrante e do presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar.

Anfitrião do evento, Aguiar destacou que a reforma da Previdência pode trazer impactos imediatos na política econômica do país, pois é uma questão matemática, de indiscutível necessidade. “Porque vai mostrar que o país está enfrentando questões que inibem o crescimento e dão credibilidade para ações de desenvolvimento”, justificou.

Presidente da ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) e presidente executivo da RIC SC, Marcello Corrêa Petrelli, também participou da abertura do seminário e relatou recente viagem a Brasília, onde foi recebido pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão. “Tenho certeza que Santa Catarina será o Estado que mais vai contribuir para aprovar a reforma da Previdência. É o começo de uma década de reformas. Contem com a imprensa e com a mídia”, completou.

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