Ginásio, sim. Ensino integral, não

Estudantes da Escola de Educação Básica Arnaldo Moreira Douat cobram promessas do Estado e criticam a nova grade curricular

Rogério Souza Jr.

Julia reclama da falta de atividades esportivas e da sobrecarga dos alunos

Alunos da Escola de Educação Básica Arnaldo Moreira Douat, no Costa e Silva, fizeram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (4) em frente à unidade para protestar pela demora na liberação do ginásio de esportes e contra o ensino médio integral. O ginásio de esporte ficou pronto em 2011, mas não está sendo utilizado, de acordo com a direção da escola, porque falta a rampa de acesso. Sem o espaço, os alunos reclamam da falta de atividades esportivas. “Temos só uma aula de educação física por semana”, disse Julia Aline Bayer, 14, uma das organizadoras do movimento.
O diretor Juliano Carvalho Bueno disse que encaminhou em março um ofício à SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional) solicitando a construção da rampa de acesso e a colocação de tapumes em volta do ginásio. A área está com entulho de material de construção, os tapumes estão caindo e com pregos à mostra, o que coloca em risco os alunos.
Segundo a gerente de Educação, Heliete Steingräber Silva, a SDR liberou a utilização do ginásio, mesmo sem a rampa de acesso. “Se o diretor não foi pegar, isso é um problema de gestão da escola”, afirmou a gerente.
Os alunos também reivindicaram o fim do ensino médio integral. Eles reclamam da carga horária e da falta de estrutura da escola e didática dos professores. A Arnaldo Moreira Douat é uma das três escolas que adotaram o ensino médio integral. As três turmas vêm enfrentando dificuldades de adaptação ao novo modelo.
No atual modelo de educação, a grade curricular foi expandida e agora os estudantes passam nove horas na escola. A proposta também altera a maneira de trabalhar os conteúdos. Os alunos têm aulas de empreendedorismo, inglês e espanhol mais aprofundadas e atividades culturais e esportivas.
Os estudantes afirmam que a escola prometeu cursos de capacitação profissional que não foram oferecidos. “Estamos tendo todas as aulas normais. O curso de empreendedorismo é dado como matéria normal e as aulas de espanhol e inglês continuam iguais. O integral sobrecarregou os alunos e não está agregando nada. A escola deveria se adaptar primeiro. Está bem puxado”, comentou Julia.

Processo lento de adaptação para professores e alunos

O diretor Juliano Carvalho Bueno confirma as dificuldades de adaptação tanto de alunos como de professores ao novo modelo de educação. “O início está sendo complicado, mas uma hora vai melhorar. O aluno e o professor estão se adaptando ao modelo. Precisamos rever a teoria na sala de aula e quem sabe procurar professores que se enquadrem no modelo integral”, afirmou o diretor.
Nos últimos dias, três professores desistiram do ensino médio integral. A escola está sem professores de português, inglês e matemática. A integradora do ensino médio e profissionalizante da Gered (Gerência Regional de Educação), Ângela Cristina as Silva, informou que a gerência faz reuniões semanais com os professores para traçar o plano de aula e que eles estão se empenhando ao máximo, mas que a mudança na maneira de dar aula é um processo lento.
“Estamos programando uma parada para conversar com os alunos e explicar o processo de ensino desse novo modelo, como fizemos no início do ano letivo. O que percebemos é que o aluno não tem se ajudado, não tem aproveitado esse tempo na escola”, afirmou Ângela. A integradora descartou a possibilidade do fim do ensino médio integral na escola.

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