Governo divulga números do combate à prática Farra do Boi

Segundo relatório, houve redução de 64,7% em relação ao ano anterior. Em Governador Celso Ramos, farristas resistem as ações de conscientização e fiscalização

Animal apreendido durante farra em Governador Celso Ramos – Divulgação/FBNM/ND

O número de ocorrências da Farra do Boi caiu 64,7% em relação ao ano passado. Foram 136, em 2018, e 48 em 2019. O balanço foi divulgado pelo Governo do Estado, que mobilizou 350 agentes no combate à pratica criminosa. Embora, os avanços sejam perceptíveis em grande parte dos municípios do litoral, em Governador Celso Ramos, a ação resiste as campanhas de conscientização e a até mesmo a criminalização da farra, ocorrida em 1995.
O governo informou que intensificou o combate à prática da Farra do Boi em Santa Catarina em 2019. As operações mobilizaram a PM (Polícia Militar) e a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola). Houve diminuição nas ocorrências. Foram 88 casos a menos que o ano anterior. Em Governador Celso Ramos, que historicamente registra a maior parte dos atos, foram montadas barreiras 24 horas por dia durante o período da Semana Santa. A PM destacou que identificou propriedades rurais suspeitas e, juntamente com a Cidasc, fiscalizou dezenas de sítios e fazendas. E que uma relação de parceria também foi montada com ONGs e Coletivos de proteção aos animais para criar uma rede de informantes nas regiões onde a prática é mais comum. Este ano, 18 destas denúncias foram confirmadas pelos policiais, que abordaram ainda 271 carros nas barreiras. Para o comandante-geral da PM, coronel Araújo Gomes, o trabalho anda precisa avançar. “Ainda há muito por fazer, mas a PMSC está se esforçando ao máximo. Estamos motivados e com boas parcerias. É o caminho certo para combater os injustificáveis maus-tratos aos animais”, salientou.
Cenas de guerra
Um vídeo divulgado no final de semana mostra o trabalho dos policiais militares no combate aos farristas. As cenas são da madrugada do domingo de Páscoa, em Governador Celso Ramos, Integrantes do PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático) forçaram o recuo dos farristas na localidade de Ganchos, em Governador Celso Ramos.
Em Itapema, um boi que havia sido solto em Porto Belo, correu pelas ruas. As cenas foram registradas no bairro Meia Praia e foram divulgadas ontem. O animal foi capturado pela PM e pelo GOR (Grupo de Operações e Resgate).

Protetores lamentam sacrifício de animais

Representantes do grupo Farra do Boi Nunca Mais, ligado a ACAPRA (Associação Catarinense dos Animais) reconhecem que a redução dos casos é significativa. No entanto, defendem a implantação de um protocolo que possibilite a prisão de quem participa e a identificação dos locais de criação. Além de punição, eles argumentam que saber a origem do animal evitaria que ele fosse sacrificado.
Atualmente, por questões sanitárias, o gado que sobrevive a horas de crueldade, acaba sendo morto.

O grupo se refere ao resgate ocorrido no ano passado. Os oito bovinos que escaparam dos farristas, foram mortos. Eles tentavam enviar os bois para um santuário fora do estado, mas não houve autorização por parte do Governo do Estado. “O que mais condenamos é que os torturadores ficam sempre impunes e o boi, a única vítima, é condenado à morte sumária por não estar identificado, sem que haja uma investigação de sua saúde e de sua origem. E sabemos que há possibilidade da manutenção da vida dos bois com segurança”, contou um dos representantes, sob condição de anonimato. Segundo ela, a atuação nas redes sociais e denúncias já causaram grandes prejuízos aos patrocinadores da Farra do Boi.

Durante o período da Quaresma os defensores se organizam para tentar identificar os locais onde haverá soltura para denunciar à Polícia Militar.

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