Moradores da Grande Florianópolis sofrem com ‘apagões’ e contas abusivas da Celesc

Desde que o calor apertou, as quedas de energia estão sendo frequentes, especialmente à noite, quando as pessoas chegam em casa e acionam aparelhos elétricos, como ar condicionado e chuveiro, para suportar o forte calor, que tem ficado próximo de 40ºC. Áreas como Estreito e Capoeiras, na Capital; Potecas e Roçado, em São José, além das cidades vizinhas de Biguaçu e Palhoça são as mais atingidas. Nesta quinta-feira (31), houve falta de energia no começo da manhã em partes da Capital, São José e Biguaçu.

Rodrigo Nunes Rosa teve equipamentos queimados e deixou de atender clientes por conta da oscilação na energia - Marco Santiago/ND
Rodrigo Nunes Rosa teve equipamentos queimados e deixou de atender clientes por conta da oscilação na energia – Marco Santiago/ND

No Estreito, comerciantes reclamam das constantes interrupções no fornecimento de luz e também de oscilações na rede elétrica. Proprietário de uma academia de treinamento indoor na rua Coronel Pedro Demoro, Rodrigo Nunes Rosa afirma que os problemas começaram há três semanas, quando um estabilizador localizado em um poste próximo queimou. Segundo ele, o aparelho passou por manutenção na terça-feira (29), mas na quarta-feira (30) estourou novamente. “Saiu um líquido quente e pegou fogo, ficamos sem luz das 17h até 1h”, conta.

Por conta das quedas frequentes de energia, o aparelho de ar condicionado da academia queimou duas vezes, e Rosa também perdeu placas de computadores. “Precisei cancelar algumas aulas porque ficamos no escuro e agora estou sem internet, não posso acessar o aplicativo on-line de treinamento para atender meus clientes”, diz.

Rosa afirma que a lanchonete que fica dentro da academia também perdeu muitos alimentos, entre saladas e outros produtos, porque o freezer queimou. Sem refrigeração, a lanchonete nem funcionou nesta quinta-feira (31).

Um pouco mais à frente, na mesma rua, Leonardo Pereira do Amaral, dono de um pet shop, reclama do mesmo problema. “Já gastei R$ 2.500 com conserto do ar condicionado. Não tinha como emitir nota fiscal e nem fazer os serviços de banho e tosa sem luz, porque precisamos dos secadores”, afirma.

Amaral também afirma que o faturamento caiu cerca de 20% por conta dos dias que ficou sem luz. “Com o calor que está fazendo, ninguém quer ficar dentro de uma loja sem ar condicionado”, acrescenta.

Leonardo Pereira do Amaral teve queda de 20% no faturamento por causa da falta de luz - Marco Santiago/ND
Leonardo Pereira do Amaral teve queda de 20% no faturamento por causa da falta de luz – Marco Santiago/ND

Problema com alimentadores

Em São José, a moradora do bairro Potecas, Marcela Ximenez, conta que ficou sem energia por cerca de duas horas na segunda-feira (28) à noite. Na noite seguinte, um problema na rede da Celesc deixou mais de 17 mil unidades sem energia elétrica na cidade.

O problema, segundo a Celesc, ocorreu quando dois alimentadores na subestação do bairro Roçado se abriram e provocaram o rompimento de cabos. Por volta das 22h, não havia previsão para que a situação se normalizasse. “Após as 20h a energia caiu e voltou três vezes, por sorte não queimou nada aqui em casa, mas apelamos para as velas para conseguir alguma iluminação. Depois a luz voltou, mas agora fica ‘piscando’ o tempo todo”, diz. Sem energia, o ventilador ficou de lado e Marcela teve que apelar para o leque que ganhou de uma amiga para se refrescar.

Em Florianópolis, o bairro Coqueiros também sofreu interrupção no fornecimento de energia na quarta-feira (30) à noite, quando um incêndio em um transformador de energia de um poste destruiu um carro, na rua Desembargador Pedro Silva. Cerca de 6.000 unidades consumidoras na região de Coqueiros ficaram sem energia por cerca de uma hora.

Marcela Ximenes e o marido José Carlos Sá apelaram para as velas, em São José - Marco Santiago/ND
Marcela Ximenes e o marido José Carlos Sá apelaram para as velas, em São José – Marco Santiago/ND

Para Celesc, alta demanda provoca desligamentos

Segundo o gerente do Departamento de Engenharia e Planejamento do Sistema Elétrico da Celesc, Marco Aurélio Gianesini, os desligamentos pontuais na área de concessão da companhia nestes últimos dias se devem principalmente à alta demanda por aparelhos de refrigeração e climatização por conta das temperaturas elevadas. “As temperaturas recordes que temos registrado nos últimos dias demandam muito mais dos nossos sistemas de refrigeração, tanto no comércio como na indústria e nas residências. Com isso, os aparelhos trabalham muito mais e por um período intermitente, provocando uma demanda muito maior no sistema elétrico”, explica.

O gerente informa ainda que na quarta-feira (30) o Estado bateu o quinto recorde de demanda no sistema elétrico neste mês, chegando a mais de 5.300 Mw. Os outros dias de recorde na demanda foram 15, 16, 17 e 29 de janeiro. “Esse tipo de situação pode provocar sobrecarga nos transformadores, o que leva à ativação das proteções para que não haja problemas de segurança para a população. Além disso, o forte calor também pode dilatar os condutores e se isso ocorrer e o condutor bater na vegetação pode haver um curto-circuito que derruba todo o sistema elétrico”, acrescenta.

A recomendação da Celesc é que as pessoas evitem chegar em um ambiente e ligar o ar condicionado em uma temperatura muito baixa, por exemplo em 17ºC. “Para manter essa temperatura, o compressor do ar condicionado vai trabalhar o tempo todo, consumindo mais energia. O ideal é deixar o aparelho em 23ºC ou 24ºC, permitindo que o equipamento trabalhe com um consumo mais racional de energia”, aconselha. Em caso de dúvida, os clientes podem entrar em contato pelo 0800 48 0120.

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