Grevistas pressionam vereadores e Câmara de Florianópolis entra na negociação

Reunião na manhã desta terça pode por fim à paralisação dos servidores municipais

A queda de braço entre a prefeitura de Florianópolis e os servidores municipais em greve pode estar perto do fim. Nesta segunda-feira (14), após aprovarem a continuidade das paralisações por unanimidade em assembleia, os trabalhadores marcharam até a Câmara, onde pressionaram os vereadores a trancarem a pauta de votações diante da falta de negociações com o executivo. Pelo menos 16 parlamentares assinaram o requerimento, que não chegou a ir à votação. Diante do impasse, o líder do governo na Câmara, vereador Dalmo Meneses (PP), agendou uma mesa de negociações para as 10h desta terça (15), o que pode por fim à greve iniciada no dia 2 de março.

Eduardo Valente/ND

Servidores municipais em greve foram às ruas nesta segunda-feira na Capital

O secretário de Administração, Gustavo Miroski, voltou a afirmar que as negociações só serão reabertas com o retorno ao trabalho. “Os trabalhadores estão descumprindo a decisão judicial que determinou o retorno ao trabalho. Não nos negamos a negociar na data-base, mas nossa posição é de aguardar eles retornarem”, disse.

A decisão judicial, movida pela prefeitura, que ainda na quinta-feira da semana passada determinava retorno imediato ao trabalho e autorizava corte de salários pelos dias não trabalhados não intimidou os servidores em greve.

“A prefeitura mente quando diz que está negociando com a categoria. Não será com spray de pimenta ou decisão judicial que vamos encerrar a greve, mas sim quando tiver negociação”, afirmou Alex Santos, presidente do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal).

Segundo o sindicato, o movimento grevista conta com 80% de adesão dos servidores. A pauta de reivindicações foi apresentada no dia 4 de janeiro, com 22 itens. O maior pedido dos trabalhadores é pela reposição da inflação do período (10%) e incremento no vale-alimentação.

Já o município, alegando dificuldades financeiras, diz que não tem condições de cumprir com a pauta de reivindicações, o que extrapolaria o limite legal com gasto de pessoal.

Segundo informou o secretário de Planejamento, Edson Caporal, se atendido o pleito dos trabalhadores, a folha sofreria um inchaço de R$ 103 milhões contra os R$ 64 milhões previstos na receita corrente líquida para o ano.

Nesta conta não estaria incluso o valor do IPTU, que com a cobrança em cota única pode recolher cerca de R$ 130 milhões, além do projeto de securitização da dívida ativa do município, que pode arrecadar até R$ 150 milhões para investimentos na cidade.

Apesar das duas semanas de greve, o Sintrasem garantiu que mantém os serviços essenciais em funcionamento, principalmente nas unidades de saúde. No entanto, a maioria das unidades está funcionando parcialmente.

Nesta segunda, por unanimidade, os vereadores aprovaram requerimento que abriu espaço de dez minutos para que o sindicato se manifestasse na tribuna da Câmara. Alex Santos pediu apoio dos vereadores para pressionarem a prefeitura a negociar.

Os vereadores também assinaram requerimento para que o secretário de Administração, Gustavo Miroski, e o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) fossem convocados a prestar informações na Câmara sobre as negociações.

O requerimento, assim como o que pede o trancamento da pauta, não foi levado em votação diante da possibilidade de uma negociação ainda nesta terça. Diante da continuidade da greve, os parlamentares prometem votar os dois pedidos ainda nesta semana.

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