Grupo aplica golpe milionário de falso pacote de viagem à Terra Santa

Atualizado

Um grupo suspeito de aplicar golpes milionários em catarinenses, por meio da venda de pacotes de viagem falsos em uma empresa com sede em Florianópolis, é alvo de uma nova operação da Polícia Civil. Agentes de Santa Catarina e do Paraná trabalharam em conjunto para deflagrar a Operação Shalom, na manhã desta quarta-feira (19). Os policiais civis cumpriram nove mandados de prisão e 13 de busca e apreensão na região de Curitiba e também em São Paulo.

Após três meses de investigação, a polícia estima que os golpistas levaram mais de R$ 500 mil em uma das cidades em que atuaram. Algumas vítimas chegaram a pagar até R$ 9 mil. Segundo o delegado Lucas Gomes de Almeida, 108 pessoas caíram no golpe em Blumenau. Juntas, essas vítimas perderam cerca de R$ 800 mil.

Segundos as investigações, os estelionatários criaram uma empresa de fachada na capital catarinense para vender supostos pacotes de turismo para Israel, onde prometiam visita à Terra Santa. Os criminosos criavam caravanas e cobravam o dinheiro adiantado, mas desapareciam antes do embarque.

A empresa em Florianópolis, segundo a Polícia Civil, não durou muito tempo – apenas o necessário para conseguir um CNPJ e passar a imagem de empresa de confiança.

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A polícia apontou que o grupo enganou várias igrejas católicas e evangélicas. Os membros da organização chegaram até a se apresentar como pastores, utilizando documentação falsa. Dessa forma, as igrejas abriam suas portas para os estelionatários fazerem a propaganda dos pacotes de viagem falsos.

Suspeitos de integrar a quadrilha que aplicava os golpes foram presos nesta quarta-feira – Polícia Civil/Divulgação/ND

Em algumas igrejas, os golpistas chegaram a montar um stand up de vendas. Eles começavam vendendo os pacotes para nove dias de viagem, incluindo passagens, hospedagem e passeios turísticos, por R$ 10 mil. Como a procura e as vendas eram baixas, os estelionatários anunciavam uma promoção, com o falso pacote custando R$ 6 mil. O pagamento deveria ser em dinheiro ou cartão – muitas vítimas, inclusive, tiveram seus cartões clonados.

Os suspeitos devem ser indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa e devem responder pelos crimes na Justiça catarinense e paranaense. O líder do grupo já havia sido preso em 2015, quando aplicou um golpe de R$ 1 milhão. A polícia suspeita que eles vinham agindo há mais de um ano e não apenas em Santa Catarina e no Paraná, mas também no Rio Grande do Sul e São Paulo.

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