Grupo presta apoio a famílias vítimas de violência no trânsito no Norte de SC

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No trânsito, o sentido é a vida. Esse foi o tema escolhido pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) para conscientizar motoristas e pedestres sobre a segurança nas estradas. Uma simples distração, como usar o celular enquanto dirige, pode fazer com que milhares de vidas sejam perdidas.

Grupo tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre os cuidados com trânsito – Sueli Bader/Marcha do Silêncio

Essa realidade não é diferente na região de Jaraguá do Sul, município do Norte catarinense. Só em 2018, aconteceram cerca de mil acidentes com vítimas na cidade, segundo dados divulgados pela Polícia Militar. Destas, 13 morreram.

Pensando em como ajudar as famílias a lidarem com a dor e a revolta das perdas causadas pela violência no trânsito, um grupo de voluntários criou em 2008 a Marcha do Silêncio.

A iniciativa partiu da aposentada Sueli Mader, 54 anos, após perder um amigo, vítima de acidente. “Ele foi, de moto, visitar o pai no hospital, e na volta um caminhão invadiu a pista e o atropelou. Toda essa situação mexeu muito comigo, principalmente por ser um rapaz jovem e muito querido”, explica.

Durante a missa de sétimo dia do rapaz, a aposentada lançou a ideia de realizar uma manifestação pacífica, com o intuito de mostrar a indignação dos familiares diante da violência no trânsito.

Em novembro daquele mesmo ano, uma nova manifestação foi organizada, e coincidência, marcada para o mesma data em que a ONU (Organizações das Nações Unidas) criou, em 2006, o Dia Internacional em Memórias às Vítimas no Trânsito. A partir daí, todos os anos neste dia, o grupo realiza manifestações e campanhas com o intuito de conscientizar a população.

Grupo serve de apoio a famílias

Além da prevenção, o movimento também trabalha com visitas de apoio às famílias que perderam alguém para o trânsito. Atualmente, o grupo conta com 30 voluntários e abrange os cinco municípios que compõem a região de Jaraguá do Sul.

Uma das pessoas acolhidas foi Edilcéia Martins Postai, mãe do ciclista atropelado por um motorista embriagado, em Jaraguá do Sul. Segundo ela, o grupo lhe deu apoio, principalmente nos momentos de dor.

“Eles surgiram no momento que eu mais precisava, quando perdi meu filho para a violência do trânsito. Em um primeiro momento, eles queriam me ouvir e me dar todo o apoio necessário”, conta Edilcéia.

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Além da ajuda emocional, o grupo também auxiliou Edilcéia a melhorar a postura no trânsito. Para ela, a Marcha do Silêncio é essencial na superação da dor pela perda.

“A marcha vem para me dar força, já que com eles eu posso chorar e pedir socorro nos momentos de dor. Eles se preocupam comigo e estão prontos para me ajudar no que for preciso”, conta.

Ações acontecem durante todo o mês de novembro em Jaraguá do Sul – Sueli Bader/Divulgação

Soma de todas as dores

A Marcha do Silêncio se reúne mensalmente para discutir campanhas e levar apoio às famílias das vítimas. Além das visitas, o grupo também realiza blitz educativa, caminhadas e reuniões com órgãos públicos da região, e os temas são sempre diferentes. Esse ano, o foco do grupo é a embriaguez ao volante.

Para Sueli, apesar dos anos de atuação, ainda é difícil falar do movimento, sem que as lágrimas escorram pelo rosto. “A marcha do silêncio é a soma de todas as dores, que acolhe todos que sofrem. Então eu sempre digo, até onde nossos olhos e braços alcançarem a gente vai “, conta emocionada.

A Marcha do Silêncio está aberta durante todo o ano para novos voluntários. Os interessados, podem entrar em contato com o grupo através da página no facebook ou pelo telefone 47 99690-2448.

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