Idalécio Almeida: o barbeiro que é referência na zona Sul de Joinville

Ele é o mais antigo profissional do setor em atividade na região

Fabrício Porto/ND

“Quando fiz 15 anos abri minha própria barbearia, numa salinha em casa mesmo”, conta Idalécio de Almeida

Idalécio de Almeida não nasceu no Itaum; nem mesmo joinvilense nato ele é. Mas isso não impede que sua barbearia seja hoje um ponto de referência no bairro. “Fica entre a Farmácia Coradelli e a Lanchonete 17”, explicava, citando dois dos ícones do bairro, ao passar o endereço ao repórter. “Só do Itaum, não. Sou o mais antigo barbeiro em atividade da zona Sul! O Arredesque faleceu no ano passado”, acrescenta, referindo-se a Arredesque Magagnin, que tinha uma barbearia no bairro Anita Garibaldi, falecido há cerca de um mês, aos 89 anos.

Idalécio de Almeida tem sua origem cercada de datas cívicas: “Nasci no dia 15 de novembro de 1937 em Araquari, e me criei ao lado do campo do 7 de Setembro”. Jogou no auriverde? “Só peladas. Era mais metido do que bom de bola”, admite. Filho de comerciante, acabou seguindo a carreira do avô João Maria, barbeiro. E começou cedo. “Eu tinha uns 8 anos de idade quando estreei na profissão, cortando o cabelo de uma prima. A empreitada rendeu até um prêmio: meia dúzia de cintadas do meu pai”, conta com o bom humor que é uma de suas características.

Mas o ofício pra valer ele começou aos 14, inspirado pelo vizinho Ernani Nascimento, em cuja barbearia foi aprendiz. “Acho que vinha no sangue mesmo, e o Ernani ajudou a me aperfeiçoar. Quando fiz 15 anos abri minha própria barbearia, numa salinha em casa mesmo. Dessa vez meu pai me incentivou.”

Queria ser comerciante

Depois de uma breve passagem pela paranaense Matinhos, Idalécio de Almeida retornou ao lar. Mas também foi curta essa volta. “Decidi procurar oportunidades melhores em Joinville. Cheguei no dia 10 de janeiro de 1957, e morei um tempo na casa onde funcionava uma barbearia, ao lado do antigo bar Santa Teresinha, no final da avenida Getúlio Vargas.” Morando numa barbearia, o emprego era até algo óbvio, certo? Mas não: “Eu queria trabalhar no comércio. A barbearia tinha um problema, aos sábados precisava atender até a noite, aí eu chegava atrasado nos bailes e só sobravam pelancas. As meninas mais bonitas já estavam dançando com os rapazes que fizeram a barba e cortaram o cabelo”.

Cansado de ser recusado nas empresas comerciais – “Ninguém queria dar emprego pra barbeiro”, lembra –, Almeida enfim rendeu-se à vocação nata, conformou-se em chegar tarde aos bailes e abriu sua barbearia, no Itaum. “Comecei lá perto do trilho, onde fiquei 21 anos. Depois, mais uma década no terreno do Micheref, e há 27 anos estou aqui. Quando adquiri o ponto, havia um templo evangélico onde hoje é o Coradelli, e ali onde está a 17 era um terreno baldio”, relembra. Na porta ao lado da barbearia funciona um estabelecimento concorrente, um salão de beleza. Só que há um sentimento muito mais nobre que a simples concorrência comercial entre os dois. Luiza Helena, a dona do salão, também é Almeida. “Meu salão é unissex, mas prefiro priorizar o público feminino e direcionar os clientes masculinos pra barbearia do meu pai”, diz a filha do Idalécio. “Tem casos de mulher que vai lá e o marido vem aqui”, confirma o pai.

Em 58 anos de Itaum, Almeida acumula fregueses de várias gerações. Como Waldemar Lourenço Furtado, 54: “Meu pai era cliente lá no tempo do trilho, e eu sou desde criança. Mesmo morando hoje no Guanabara, uma vez por mês estou por aqui”. Furtado só corta o cabelo, como a maioria dos clientes, mas a gamelinha e o pincel sobre o balcão provam que a raiz da profissão se mantém. “Sim, tenho fregueses que vêm fazer a barba”, garante Almeida. Ele nem pensa na hora de parar. “Pra quê? Tenho as mãos firmes, gosto do que faço, a freguesia é boa. E, ainda por cima, o governo me paga”, arremata, referindo-se à aposentadoria.

Com a palavra

“O Idalécio era uma espécie de barbeiro da família. Se alguém adoecia ele ia cortar o cabelo ou fazer barba em casa de meus pais ou avós. De minha parte ficou marcado o caixote de sabão Wetzel que ele colocava sobre a cadeira para que ficássemos mais altos. Quando o caixote deixou de ser usado foi sinal que já estávamos crescidinhos.” Acácio Martins, o radialista Cacá Martan.  

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