Igreja São Francisco reabre com bênção no dia 13 de dezembro

Minuciosa reforma do patrimônio histórico demorou seis anos e foi custeada com recursos do governo do Estado

Vista lateral do templo, inaugurado em 1815 e um dos principais refúgios espirituais do Centro - Carlos Damião
Vista lateral do templo, inaugurado em 1815 e um dos principais refúgios espirituais do Centro – Carlos Damião

A Igreja São Francisco, na esquina das ruas Deodoro e Felipe Schmidt, será reaberta ao público na quinta-feira (13/12), depois de mais de seis anos de restauração. A cerimônia oficial, denominada “Bênção da Igreja São Francisco”, será realizada às 18h, com Santa Missa presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Wilson Tadeu Jönck.

A reforma do templo católico – tombado como patrimônio histórico do município e do Estado – consumiu cerca de R$ 7 milhões, a maior parte dos recursos oriunda do governo do Estado, por meio da SOL (Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte). As obras foram possíveis graças ao empenho do então governador Raimundo Colombo, que se sensibilizou com a necessidade de recuperação integral da igreja, não só por questão de segurança dos fiéis e dos visitantes, mas também por se tratar de um raro patrimônio de Santa Catarina, construído no início do século 19.

Arte na parede reproduz imagem de São Francisco na lateral do prédio - Carlos Damião
Arte na parede reproduz imagem de São Francisco na lateral do prédio – Carlos Damião

A restauração começou em 2012 e foi demorada devido à complexidade dos trabalhos, desenvolvidos em cinco etapas:

– parte estrutural (telhado e torres)

– interior, inclusive a parte elétrica

– altar, fachada e outros detalhes internos

– restauração artística das imagens sacras

– sistemas de climatização e segurança

Painéis numa parede externa contam a história dos Franciscanos, no mundo e no Brasil - Carlos Damião
Painéis numa parede externa contam a história dos Franciscanos no mundo e no Brasil – Carlos Damião

As torres e parte da cidade, em registro de 2017 - Carlos Damião
As torres e parte da cidade, em registro de 2017 – Carlos Damião

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Em junho de 2009 publiquei no ND uma matéria sobre a necessidade da reforma, cujo texto integral está a seguir, incluindo dados históricos:

Um santuário no centro da cidade 

Igreja São Francisco, muito procurada pelos fiéis, precisa de restauração com urgência 

Quem passa pelo calçadão da Rua Deodoro, esquina com a Rua Felipe Schmidt, logo vê uma imensa faixa ‘abraçando’ a fachada da histórica Igreja São Francisco das Chagas. “Francisco, restaura a minha Igreja”, diz a mensagem na faixa, mandada colocar pela Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, que administra o templo católico.

A frase é uma conclamação à cidade.

“É um sonho meu”, diz o frei Gunther Max Walzer, que integra a Ordem Franciscana e atua na igreja da Deodoro e na paróquia de Santo Antônio.

O pároco sabe que o sonho é possível, desde que a Ordem tenha o apoio necessário da comunidade e, muito mais, do poder público. “A igreja precisa ser restaurada, há muitos pontos precisando de reparos. Mas nós não agimos antes porque a Catedral era uma prioridade da nossa Arquidiocese”, explica.

O templo não apresenta problemas estruturais aparentes, mas há notícias de que algumas partes da construção, inaugurada em 1815, estão comprometidas pela ação dos cupins e também pelas infiltrações. Frei Gunther observa que já foram feitos muitos remendos no passado. “Isso não é mais possível, a recuperação tem que ser total, preservando as características de originalidade que a igreja conserva”, afirma.

De fato, como assinala a arquiteta e pesquisadora Eliane Veras da Veiga, autora do livro “Memória Urbana de Florianópolis”, “as reformas nesta igreja não foram muitas, nem muito acentuadas, quiçá pela falta de recursos da Ordem, o que, por outra parte, poderia ter contribuído para preservar o aspecto geral do templo, onde se fundem características arquitetônicas barrocas e neoclássicas”.

O frei destaca essa importância, lembrando que a igreja foi tombada como patrimônio histórico municipal e estadual, exatamente por se tratar de um dos poucos exemplares da arquitetura original que marcou o início do século 19 ainda presentes à capital catarinense. “O Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) fez um levantamento da história do prédio – é a Justificativa de Tombamento, de 17 de dezembro de 1975 – que é uma base fundamental para o nosso trabalho de restauração. Mas nós vamos contar com a atualização desse trabalho, através de um projeto técnico específico, com assessoria do IPUF”, diz o pároco.

A própria elaboração do projeto depende de recursos. Parte é arrecadada através de donativos da comunidade e da movimentação financeira da lojinha instalada no interior da igreja, que vende artigos religiosos. “Com o projeto definido, nós vamos procurar as autoridades, para que obtenhamos apoio e restauração comece com urgência”, diz o frei. 

Mais de mil visitantes por dia 

A Igreja de São Francisco das Chagas é considerada um santuário em pleno coração da cidade. Frei Gunther Max Walzer observa que é um dos templos católicos mais frequentados do Centro, com público estimado em até 1.200 pessoas por dia. Frequência que, por sinal, aumenta muito durante a temporada, por conta da presença de turistas, interessados em conhecer internamente o belo templo barroco.

Com a pintura castigada pela ação do tempo e iluminação natural deficiente, a igreja conserva em seu interior algumas imagens muito cultuadas pelos fiéis. Além de São Francisco, a imagem de Santo Antônio de Categeró – um frei negro, da Ordem Terceira de São Francisco, morto em 1549 – também é bastante reverenciada, da mesma forma que a dedicada a Nossa Senhora Aparecida.

Os católicos têm a oportunidade de frequentar missas diariamente às 18 horas. Aos sábados, às 16 horas e, aos domingos, às 10 horas. São encomendadas cerca de 70 orações por dia, durante a missa, em memória de falecidos ou pela saúde dos enfermos.

A igreja e a cidade, em registro da década de 1910 - Reprodução
A igreja e a cidade, em registro da década de 1910 – Reprodução

Poucas reformas em 194 anos 

A pedra fundamental da igreja foi lançada em 23 de março de 1803, quase 60 anos depois que a Ordem Terceira de São Francisco foi fundada em Desterro. Da fundação até a construção do templo a Ordem ficou abrigada na Matriz, atual Catedral Metropolitana.

A igreja abriu suas portas para os fiéis em 1º de abril de 1815. Dessa data em diante só se tem notícias de alguns melhoramentos, como a instalação dos sinos (1819) e reformas parciais. Duas destas estão registradas em placas: uma em 1910 e outra (reparos e pintura) durante o governo de Irineu Bornhausen, em 1956.

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