Alerta: chuvas torrenciais prejudicam balneabilidade em alguns pontos da Ilha

Os turistas e moradores que frequentam as praias da Ilha de Santa Catarina neste final de semana devem evitar tomar banho de mar em locais próximos a foz de rios, riachos e saídas pluviais (canos de galerias que desembocam nas praias).  O alerta é feito pelo próprio IMA (Instituto do Meio Ambiente), que analisa amostras semanais para verificar as condições de balneabilidade, pois as chuvas torrenciais da noite de quinta (3) e madrugada de sexta (4) podem ter provocado alterações na qualidade das águas nestes pontos específicos.  

Em semanas normais (com cinco dias úteis), a coleta das amostras é feita nos três primeiros dias (segundas, terças e quartas) e o relatório de balneabilidade é publicado no quinto dia (sexta-feira). Porém, por ocasião do final do ano, as amostras de 380 pontos em todo o Estado foram coletadas na quarta (2) e na quinta (3), antes das chuvas. E os técnicos do Ima ainda se desdobraram para realizar as análises laboratoriais a tempo de publicar o relatório nesta sexta-feira (4).

“Como a chuva aconteceu após as coletas, naturalmente pode ter acontecido alguma alteração. Mas por isso o relatório não se prende a uma análise e se baseia nas últimas cinco coletas consecutivas”, informa o responsável técnico do IMA, Marlon Daniel da Silva.

De acordo com resolução do Conama nº 274/2000, outras duas situações também são observadas para determinar se o ponto é impróprio ou próprio para o banho: se a última amostra coletada apresentar valor superior a dois mil coliformes fecais (Escherichia coli) por 100 mililitros ou quando duas de cinco amostras consecutivas apresentarem valor igual ou superior a 800 coliformes fecais por 100 mililitros.

De acordo com o primeiro relatório de balneabilidade de 2019, 72,4% dos pontos analisados estão próprios para banho no litoral catarinense. Em Florianópolis, 76,2% estão adequados para banho. Em relação ao resultado anterior, lançado no último dia 28 de dezembro, sete pontos passaram da condição de impróprio para próprio e 17, de próprio para impróprio, em todo o Estado.

Para informar a população se o ponto é impróprio ou próprio, o IMA fixa placas nos pontos com amostras coletadas. Porém, as sinalizações têm sido alvo de vandalismo ou retirada dos locais, prejudicando o trabalho de esclarecimento da população. Nós últimos dois meses, o IMA teve que substituir ou recolocar cerca de 60 placas.  “Por isso, além do relatório semanal, o site do IMA (https://balneabilidade.ima.sc.gov.br) também apresenta um histórico do local que pode ser acessado para ter mais detalhes”, salienta Silva.

Historicamente, regiões com maior densidade urbana provocada pela ocupação sazonal tendem a apresentar problemas de balneabilidade na Ilha de Santa Catarina. “A Lagoa da Conceição, por exemplo, é um local mais suscetível a apresentar problemas do que a Praia da Joaquina ou a Praia Mole, que são praias de mar aberto”, exemplifica Silva. No Norte da Ilha, a praia dos Ingleses é outro exemplo, pois apenas 20% do bairro conta com coleta de esgoto, e o Rio Capivari desemboca na praia.

DICAS PARA EVITAR PROBLEMAS NA PRAIA

– Consulte o site do IMA (https://balneabilidade.ima.sc.gov.br) para escolher a praia a ser visitada de acordo com as condições de balneabilidade.

– Evite tomar banho perto de foz de rios e de saídas pluviais (canos que desembocam nas praias). A contaminação das águas pode provocar problemas gastrointestinais.

– Praias de mar aberto têm menor probabilidade de apresentar contaminação das águas.

– Não ingerir água do mar (salgada), pois podem provocar diarreia ou desidratação.

– Lavar as mãos (água e sabão ou álcool) antes de manipular alimentos que serão consumidos na praia. A contaminação pode não estar na água, e sim, na areia.

– Evitar ingerir alimentos comercializados por ambulantes não credenciados, sem embalagem adequada ou prazo de validade.

– Observar se a garrafa de água mineral comercializada está lacrada.

– Não levar animais de estimação para as praias, pois podem contaminar a areia com fungos e bactérias, originando bicho geográfico e dermatoses.

Fonte: Ana Cristina Vidor, médica e gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis

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