Impressões de um gigantesco ato antifascista (visto de dentro)

Na capital catarinense foram mais de 20 mil pessoas nas ruas centrais da cidade bradando "Ele Não", em repúdio à candidatura Bolsonaro

Concentração começou ás 10h, no Largo São João Paulo 2º (Catedral) - Carlos Damião
Concentração começou às 10h, no Largo São João Paulo 2º (Catedral) – Carlos Damião
Saída do Largo da Catedral para a passeata - Carlos Damião
Saída do Largo da Catedral para a passeata – Carlos Damião

Este sábado, 29/9, foi um dia histórico em centenas de cidades brasileiras e pelo menos 70 cidades estrangeiras. A marca do #EleNão, alusiva ao candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, esteve presente às ruas de cidades catarinenses, como Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Joinville, Balneário Camboriú, entre outras, mostrando uma força de mobilização muito rara e extraordinariamente bela. A convocação que precedeu os atos deste sábado partiu de grupos feministas, que utilizaram as redes sociais e as redes de comunicação dos movimentos sociais, unindo, por exemplo, organizações não-governamentais ligadas ao movimento negro,  LGBT, estudantes, professores, sindicatos, intelectuais, artistas, políticos e partidos.  Na Capital, as bandeiras , faixas, cartazes, bottons e outros materiais de divulgação comprovavam a diversidade política, cultural e social. Havia representantes do PT e do candidato Haddad, do PSOL e do candidato Boulos, do PDT e do candidato Ciro Gomes, da Rede e da candidata Marina Silva, do PCdoB e de seus candidatos às eleições proporcionais. Em comum, a rejeição ao nome de Bolsonaro e o combate franco e aberto ao fascismo, aos retrocessos sociais e políticos,  ao ódio, ao preconceito e à intolerância. Não foi o ato de um ou outro candidato. Mas um evento político coeso, unitário, fraterno, em torno da expressão #EleNão, de impressionante e solidária força mobilizadora.

Não faltaram cartazes criativos para estimular o protesto - Carlos Damião
Não faltaram cartazes criativos para estimular o protesto – Carlos Damião

Havia mulheres, homens, crianças, idosos, portadores de deficiência, gente de paz e de afetos, que respondeu ao chamamento para comparecer ao Largo da Catedral (São João Paulo 2º) e depois saiu ordeiramente em passeata pela Praça 15 de Novembro, Avenida Paulo Fontes e Avenida Beira-Mar Norte. A organização calculou a participação de mais de 20 mil pessoas. Imagens divulgadas nas redes sociais, captadas da passarela do Terminal Rodoviário Rita Maria, mostraram uma massa humana raras vezes vista na capital catarinense nos últimos anos. Foi o maior e mais simbólico ato político realizado na cidade desde 2013. Com a diferença de que, desta vez, não havia o sentido “apartidário” e “apolítico” adotado por alguns grupos naquele ano, sentido que acabou despertando a formação de facções de extrema-direita, inclusive o chamado “Bolsonarismo”.