Incêndios na Serra do Tabuleiro podem afetar o consumo de água

Atualizado

Desde o dia 2 de setembro, uma série de incêndios atingiu o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Palhoça, na Grande Florianópolis. O local é a maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina.

Mais de 1.000 hectares da vegetação foram devastados desde o início do mês de setembro – Foto: PMA/Divulgação

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A maior das queimadas destruiu uma área de 820 hectares de vegetação, equivalente a mais de 800 campos de futebol. De acordo com Carlos Cassine, coordenador do parque, neste período foram cinco grandes incêndios que acabaram atingindo uma área de mais de 1.000 hectares.

Cassine fez um alerta para um novo possível problema que as queimadas podem ocasionar: a qualidade da água do Aquífero Janaína pode ser prejudicada.

O coordenador do parque explicou que pessoas que vivem próximas a área do parque captam água de lençóis freáticos e também do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

O lençol freático nesta região litorânea e montanhosa forma uma base de água cristalina. A água do mar (salgada) que entra debaixo da areia é mais densa do que a água doce. Desta forma, forma-se um bolsão acima da água da chuva no Aquífero Janaína.

Com a estiagem, e o consequente rebaixamento do nível da água doce no aquífero, o fogo provoca um aumento de temperatura do aquífero, que faz a água do subsolo evaporar, diminuindo o peso da água doce e fazendo a água salgada avançar em terra firme.

“Ainda não há nenhum estudo mais preciso e concreto sobre isso e a salinização, mas creio que provavelmente já tenha salinização nos poços da região. Principalmente os moradores da Pinheira e Guarda do Embaú que consomem essa água. Pra mim essa seria a principal consequência dessa série de queimadas”, afirmou Cassine.

Incêndios criminosos

Apenas na última semana foram dois casos. Na quinta-feira (10), o primeiro incêndio foi rapidamente controlado e atingiu cerca de 10 hectares da vegetação do parque. Já na sexta-feira (11), um novo foco surgiu próximo à Estrada do Espanhol, na Enseada da Pinheira. Uma ação conjunta do IMA (Instituto do Meio Ambiente), Corpo de Bombeiros e PMA (Polícia Militar Ambiental) rapidamente controlou o fogo.

Cassine ainda afirmou que no domingo (13) houve outro susto. Um incêndio em uma estrada próxima a entrada do parque acendeu o sinal de alerta, mas, logo o fogo foi controlado e não atingiu à área de preservação.

Além do tempo e da estiagem, que favorecem as queimadas, há suspeita de incêndios criminosos. O coordenador do parque citou como exemplo um incêndio do mês de setembro que teve vários focos diferentes, o que é incomum em casos acidentais.

Apenas um dos incêndios foi responsável por queimar mais de 800 hectares de vegetação – Foto: Polícia Ambiental/Divulgação/ND

“Ás vezes temos alguns casos recorrentes de incêndio, mas assim é demais. Parece que a intenção é queimar tudo mesmo, antes não era assim. Antes era mais para abrir para a pastagem ilegal de gados, mas agora a persistência levanta a suspeita de incêndios criminosos mesmo”, afirmou.

O tempo também influenciou bastante, o forte vento que atingiu a Grande Florianópolis nos últimos meses se torna uma espécie de combustível para espalhar o fogo rapidamente.

A equipe do ND+ entrou em contato com a PMA (Polícia Militar Ambiental) para verificar quantos hectares foram destruídos pelo fogo desde o começo de setembro. A PMA informou que ainda não possui esse número, mas, irá finalizar o levantamento nos próximos dias.

Consequências ambientais

Para o coordenador do parque uma das principais consequências para a fauna e flora, é para os animais da região.

Cassine afirmou que armadilhas fotográficas espalhadas pelo parque, em áreas não incendiadas, flagraram variados animais que tiveram que “fugir” do fogo.

Bombeiros, IMA e Polícia Ambiental tem trabalhado em conjunto para combater o fogo e também fazer monitoramento da área – Foto: Eduardo Cristófoli/RICTV

“Gambá, tatu, anta, furão, cachorro do mato, capivara. Todos os animais se refugiaram em uma área do parque que não queimou. Geralmente em área de floresta, que é mais alta e tem mais umidade, dificultando a entrada do fogo na floresta. Os animais estão em toda a área do parque, então provavelmente alguns infelizmente foram consumidos pelo fogo”, lamentou o coordenador do parque.

Os incêndios foram tão intensos e destruidores, que até o helicóptero Arcanjo 3, de Blumenau, foi acionado para auxiliar no combate às chamas – Foto: Flávio Tin/ND

Previsão de melhora

A tão esperada chuva que finalmente chegou à Grande Florianópolis nesses domingo (13) pode ser um alívio também para o já castigado Parque da Serra do Tabuleiro.

A expectativa é que a chuva siga para os próximos dias, nesta semana, e a vegetação seca comece a ficar mais verde, impedindo a propagação do fogo em eventuais novas queimadas.

Meio Ambiente