Incertezas rondam moradores do prédio interditado por risco de desabamento em Palhoça

Atualizado

A terça-feira (3) amanheceu chuvosa em Palhoça e com muitas nuvens carregadas de dúvidas para os moradores do prédio interditado no sábado pela Defesa Civil Municipal. Famílias que moram no edifício não sabiam ao certo qual seria o destino de seus pertences e até mesmo de suas rotinas. Gente como a aposentada Valmira Santilina, de 74 anos, que mora há 14 no local e só pensa em voltar para o apartamento.

Moradores ouviram representantes da Defesa Civil no Ginásio Caranguejão – Foto: Anderson Coelho/ND

Dona Valmira e outros moradores participaram de uma reunião no Ginásio de Esportes João Ivo Martins, o Caranguejão, localizado no Centro de Palhoça. No encontro, representantes da Defesa Civil, da Secretaria de Assistência Social e o arquiteto responsável pelo laudo que atestou o risco de abalo na estrutura da construção explicaram aos condôminos do prédio que eles não podem retornar aos apartamentos e às salas comerciais enquanto não for feito todo o escoramento da parte afetada.

Por isso, a assistência social da Prefeitura de Palhoça colocou à disposição das famílias o Ginásio Caranguejão, que será utilizado como abrigo enquanto a situação do prédio estiver indefinida. A notícia não foi bem recebida pela maioria dos condôminos que não contava em não poder voltar para casa ou ainda ter que perder a privacidade em uma moradia compartilhada. “Eu vou para a casa da minha filha, mas e os meus móveis, as minhas coisas, como ficam?”, questionava dona Valmira Santilina.

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Dona Rosileia dos Santos demonstrava maior preocupação com o filho de 23 anos que tem autismo. “Ele toma sete medicamentos por dia e não pode ficar num lugar cheio de gente, pois pode ter crises. A situação dele é diferente”, explicou Rosileia.

Rosileia dos Santos está preocupada com o filho autista – Foto: Anderson Coelho/ND

De acordo com a secretária de Assistência Social, Rosângela Campos, a prefeitura irá disponibilizar uma equipe médica e uma psicóloga para avaliar a situação de cada morador. “Cada caso será avaliado individualmente, mas para isso é preciso que todos façam o cadastro. Ninguém é obrigado a ficar no abrigo, a prefeitura disponibiliza para quem não tem outra alternativa”, disse.

Márcia Andreia Ribeiro da Silveira representou o síndico do prédio, João Paulo da Silveira, na reunião. Ela disse que estava em contato com o seguro do condomínio para tomar as providências, mas que ainda não tinha nenhuma informação consolidada sobre os procedimentos e os direitos dos condôminos.

“Para lá não volto”

Wiviane Felipe mora há 20 anos no prédio onde herdou o apartamento da mãe falecida. Assim como a maioria dos vizinhos, Wiviane está angustiada com a incerteza sobre o imóvel, os móveis e o futuro. “Deveríamos ter um lugar digno para ficar até as coisas serem resolvidas. As pessoas têm que tocar a vida, não dá para ficar assim”, desabafou.

O vendedor Alexandre da Silva também ainda não sabe se ficará no ginásio. Em poucos dias ele começará em um novo emprego e está preocupado que a atual situação atrapalhe no trabalho. “Eu acho que a gente tem direito a um tratamento melhor”, comentou.

Para Laerte da Silva que é proprietário de um apartamento onde mora há seis anos com dois filhos, o ideal seria o aluguel social – que é um benefício concedido pela prefeitura em casos de desastres, como enchentes. “Ficar num ginásio sem saber por quanto tempo não dá!”, opinou.

Já o casal Maria da Conceição e Adroaldo Argolo alugou uma quitinete. “O aluguel é muito mais caro do que o do prédio, mas é seguro. Para lá não volto nem mesmo se me pagarem”, disse Argolo.

Estrutura do abrigo

A psicóloga Aline Simas, diretora de Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Assistência Social de Palhoça, explicou que no Ginásio Caranguejão as famílias abrigadas terão quatro refeições diárias, acesso a banheiros e lavanderia. No local também haverá um vigilante para manter a segurança patrimonial. Ao final do cadastro, apenas seis pessoas optaram por ficar no abrigo oferecido pela prefeitura.

Prédio está localizado no bairro Ponte do Imaruim, na esquina da Avenida Anacleto Zacchi com a rua Augusto Westphal – Foto: Anderson Coelho/ND

Parede de tijolos segurou estrutura

Na manhã de terça-feira (3), o secretário-adjunto de Segurança Pública de Palhoça, Leonel José Pereira, o coordenador da Defesa Civil Municipal de Palhoça, Júlio Germano Marcelino, e o arquiteto responsável pelo laudo que indicou o risco de desabamento, Toni Bolzan estiveram no prédio condenado. Localizado nas esquinas da Avenida Aniceto Zacchi e rua Augusto Westphal, no bairro Ponte do Imaruim, parte do prédio está visivelmente inclinado em direção à rua Augusto Westphal.

O arquiteto Bolzan explicou que a estrutura não veio abaixo no sábado quando a coluna cedeu porque uma pequena parede de tijolos maciços segurou o peso. “Se não fosse essa parede aqui, tudo teria vindo ao chão, pois as colunas perderam a eficiência, não têm mais resistência”, disse o especialista.

Defesa Civil avaliou  a parte interna da estrutura – Foto: Anderson Coelho/ND

O próximo passo agora será concluir o escoramento de toda a estrutura e fazer o isolamento do prédio com tapumes para que não haja trânsito nas calçadas e após isso será avaliada a segurança para que as famílias entrem, cada uma por vez, para a retirada dos móveis e demais pertences.

“A avaliação de que o prédio pode ser habitado após o reforço e reconstrução da estrutura deverá ser feita por uma empresa especializada, que deve ser contratada pelo condomínio. Somente após esse laudo será possível saber se o prédio deve ser mantido ou demolido”, explicou o secretário Leonel Pereira.

Parte da estrutura danificada recebeu escoramento na segunda-feira (2). Todo o prédio deve ser reforçado, segundo o perito – Foto: Anderson Coelho/ND

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