Inclusão social: Pautas sobre acessibilidade deram luz ao problema em Florianópolis

Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos destaca a parceria do ND na luta por direitos de locomoção e inclusão

José Roberto Leal, o Zezinho, presidente da Aflodef (Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos), destaca o apoio do ND nestes 13 anos no atendimento às pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção. A entidade sem fins lucrativos foi fundada em 1985 e já atuou em mais de 20 municípios catarinenses, trabalhando pela inclusão social de pessoas com deficiência física e em vulnerabilidade social.

Entre as muitas reportagens produzidas pelo ND, foram abordados temas como acessibilidade em praias; protesto da associação em prol da necessidade de transporte coletivo adaptado; divulgação de projetos como o Porta a Porta, que busca pessoas com dificuldade de locomoção que vivem em áreas não cobertas pelo transporte coletivo municipal e as leva para atividades relacionadas à saúde, trabalho, educação e lazer; e de projetos de capacitação para o trabalho.

Zezinho, presidente da Aflodf, não se cansa de lutar por melhorias – Flavio Tin/NDZezinho, presidente da Aflodf, não se cansa de lutar por melhorias – Flavio Tin/ND

“Durante todos esses anos, a atuação do jornal resultou em diversas melhorias no atendimento à pessoa com deficiência, que chega a 27,5% da população da Grande Florianópolis. Esse contingente vivia preso dentro de suas casas, pois não tinha transporte, educação nem trabalho, e a parceria do jornal foi fundamental para mudar isso”, disse.

“O ND esteve ao nosso lado na luta por transporte coletivo acessível, que hoje chega a 78% da frota adaptada, e pela acessibilidade nas escolas municipais, onde hoje temos mais de 500 crianças estudando. Também batalhamos durante 12 anos pelo projeto Porta a Porta, que hoje realiza 568 atendimentos mensais”, afirmou.

Cotas para pessoas com deficiência

Zezinho lembra que a parceria ajudou a inserir essas pessoas na economia, trazendo à tona a necessidade de cumprimento da legislação trabalhista que prevê cotas para deficientes físicos. Segundo o artigo 93 da Lei 8.213/91, empresas com 100 ou mais funcionários devem preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência.

“Por intermédio do ND, que sempre deu atenção aos mais necessitados e apoiou nossa luta, mais de 1 mil pessoas estão trabalhando atualmente”, apontou.

O presidente da Aflodef destacou também as ações sobre a acessibilidade no trevo do Hospital Infantil Joana de Gusmão e nas praias. “Os cadeirantes eram obrigados a disputar espaço com os carros porque as calçadas não ofereciam condições adequadas. E na briga por praias com acessibilidade, o jornal também ajudou”, afirmou.

Para Zezinho, ainda há muito a discutir sobre a questão da mobilidade, principalmente no que diz respeito à acessibilidade no transporte intermunicipal e interestadual, no comércio e nas escolas estaduais.

“Nossa maior luta é para termos o simples direito de sair de casa e chegar onde quer que seja sem a ajuda de ninguém, e isso ainda não é possível em muitos casos por não haver acessibilidade arquitetônica. Isso precisa ser melhorado não só para o cadeirante, mas também para quem usa muletas, para idosos e gestantes”, disse.

“A nossa sociedade se tornou mais inclusiva, mas foi por intermédio dos meios de comunicação que abriram as portas para a gente falar, brigar e mostrar do que precisamos”.

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