Incoerências na saúde pública

Engana-se quem pensa que o mais grave em nova crise na saúde pública de Joinville diga respeito aos problemas do Hospital Regional, às filas em determinadas especialidades médicas ou ao afastamento do secretário municipal da Saúde. Não, o problema maior da saúde é a falta de evolução em problemas crônicos. É inadmissível, por exemplo, que passado tanto tempo ainda soframos com a falta de água quente e ar-condicionado no Regional. E a SDR, tentando se mostrar muito preocupada com os pacientes, comentou sobre sua cautela com a poeira e o barulho que as obras vão ocasionar nas dependências do Regional. Ora, será que o abandono, o desleixo e a fedentina que nocauteiam a instituição há meses não é mais insalubre e preocupante do que a poeira e o barulho? Pior é irmos nos acostumando com a realidade de que avanços só acontecem na marra, com a Justiça ou a polícia batendo à porta.

Luciano Moraes/Arquivo/ND

“É inadmissível, por exemplo, que passado tanto tempo ainda soframos com a falta de água quente e ar-condicionado no Regional.”

Reflexo
Era momento tenso em meio a um movimento grevista no porto de São Francisco do Sul. Mas um ato sutil serviu para desdobramentos que foram muito além do movimento paradista. Quando um operador portuário teve a coragem de, em meio aos grevistas, subir no caminhão de som, pegar o microfone e anunciar sua posição sobre a polêmica (derrubando especulações a seu respeito), conquistou não somente a simpatia dos trabalhadores, como o apoio de muita gente que percebeu na atitude a coragem necessária para um jovem político assumir a condição de candidato a candidato a prefeito. Era o vereador Christopher Camargo, o Manão (PMDB), que vem assumindo postura líder no partido, na Câmara e na própria política francisquense. No próximo dia 5, no Ipiranga, ele comanda festa de filiações no partido. Entre outros, assinarão com o PMDB o ex-prefeito Godofredo e Álvaro da Farmácia, já apontado como possível candidato a vice na chapa de Manão.
 
 
Derrapada
Eles até tentaram, mas não está fácil passar por descuido ou desatenção. O fato de se perder um prazo legal de fundamental importância para validar uma CPI que “descobrira” falhas gritantes em serviço público tão reclamado em Joinville, é passível de punição por parte do eleitor revoltado. E a punição, garantem, virá no voto. O fato é que o presidente da tal CPI do Esgoto, o relator e os três outros componentes da mesma estão marcados negativamente perante a opinião pública. A CPI jamais poderia ter conclusão tão deprimente. Nesta semana, a CPI protocolou o documento conclusivo dos trabalhos no Ministério Público. Foi uma forma de tentar aliviar o “esquecimento” dos prazos legais vencidos. Para que não se esqueçam dos nomes dos nobres edis: Maurício Peixer (PSDB), presidente; James Schroeder (PDT), relator; Manoel Bento (PT), Patrício Destro (PSB) e Rodrigo Fachini (PMDB), integrantes.
 
  
À toa
Diante de tanta negligência, mais uma vez a questão das diárias e da participação dos vereadores em cursos, congressos, simpósios e outros tantos eventos de relevância, volta à baila. Afinal de contas, para que tanto investimento de dinheiro público nesses aperfeiçoamentos dos nossos representantes, se acabam errando de forma tão infantil numa questão primária, que é o cumprimento de prazos? Para que tantos assessores parlamentares e até jurídicos no Legislativo, se sequer os prazos de um trabalho da importância de uma CPI são cumprido? Naturalmente, uma possível “conversa” dos vereadores da CPI, ou de alguns deles, com as empresas que não realizaram um trabalho correto em Joinville, teria estrategicamente motivado o “esquecimento” de prazos legais. Será? A questão, humilhante para homens públicos, tem sido comentada costumeiramente em redes sociais. Convenhamos que o beneplácido da dúvida é coerente por parte dos cidadãos. Até porque, à frente da CPI estavam vereadores já de longos anos na função, veteranos da Câmara.

Amnésia
Foi no pior estilo possível a espécie de retorno ao noticiário proporcionado pelo ex-prefeito Carlito Merss (PT), nos últimos dias. Com ar estrategicamente renovado, ele quis dar a entender que quando falavam de sua cassação, ocorrida até recentemente, estavam tentando prejudicá-lo, como se o fato não fosse verdadeiro. Mais uma vez fazendo política com o fígado e não com a razão, o ex-prefeito não comentou a tentativa estéril que teve de tentar calar a imprensa livre que abordava as decisões judiciais de forma clara e objetiva nos noticiários, quando foi derrotado nos tribunais. Também não comentou as constantes decisões de seu partido a favor de coligação com o senador Luiz Henrique (PMDB), contra quem parece nutrir mágoa particular e pessoal. Para fechar a retumbante reaparição, defendeu mensaleiros presos depois de julgados e criticou Joaquim Barbosa… Pelo menos ninguém pode reclamar que Carlito não tenha sido coerente com sua linha capenga de raciocínio!

 
 
 
EM ALTA
DARCI DE MATOS (PSD). O deputado estadual não baixou a guarda. Promete recorrer da decisão judicial em primeira instância que retirou a exclusividade das averiguações por parte dos Bombeiros Voluntários. A luta continua.

EM BAIXA
CPI DO ESGOTO. Sequer um pedido de desculpas público foi feito. Os vereadores que compõem a CPI, que só com muita pressão popular e de setores da imprensa foi criada, estão devendo explicações oficiais para o desleixo com que atuaram em trabalho tão sério. Eles, simplesmente, esqueceram-se dos prazos legais para apresentação do relatório final, que apontava uma série de erros na realização de serviços públicos em Joinville.
 
 
Abandono
Os dias vão passando, prazos informados todos já vencidos e os prédios abandonados por todo canto em Joinville, inclusive na área central, continuam expostos como autênticos monumentos ao imobilismo, à incompetência, ao pouco caso com a sociedade da maior cidade do Estado. Não se pode mais admitir que o governo do Estado permita que na rua Senador Felipe Schmidt, no Centro da cidade, o prédio que já foi sede da Casan e da Gered, esteja sendo depredado por vândalos e tomado pelo mato. E a SDR que, aliás, está localizada a 200 metros do local, não encontra sequer uma desculpa. Na esquina da Princesa Isabel com a Dona Francisca, no coração da cidade, o antigo Fórum é outro exemplo. Só o prédio da antiga Prefeitura é que parece com destino mais adequado. Vai funcionar ali o Centro de Segurança do município, com sede inclusive da futura Guarda Municipal. Isso sem falar de outros tantos locais nestas condições espalhados pela cidade.
 

DIRETAS

– Estão abertas as inscrições para o projeto de extensão universitária Encontro, do departamento de psicologia da Univille, que aborda com grupos da comunidade vários aspectos psicológicos relacionados à obesidade e ao sobrepeso. As inscrições e a participação são gratuitas e os interessados passam por triagem.

– Presidente da Câmara de Vereadores de Joinville, João Carlos Gonçalves (PMDB) garante que tem plena consciência de que é fundamental garimpar votos em toda a região, por isso mesmo articula parcerias políticas importantes em toda a região Norte e Nordeste do Estado. Não revela, porém, nomes estratégicos já fechados com ele.

– O senador Luiz Henrique (PMDB) propôs a expansão nacional do programa de sanidade agropecuária implantado em Santa Catarina durante seu governo. Ele entende que a iniciativa seria fundamental para o êxito das exportações brasileiras e que deveria ser adotada como política prioritária de governo.

– Joinville está recebendo sete pluviômetros automáticos para ampliar a rede de monitoramento de chuvas no município. Mas a melhor notícia nesse assunto virá ao longo do ano. A cidade pode ser apelidada convenientemente de “Amsterdan de Santa Catarina”. Manchester vai ser coisa do passado.

– Novas casas, novos nichos do setor, eventos e um universo de iniciativas pertinentes podem transformar Joinville, em pouco tempo, num dos três principais polos gastronômicos do Estado. E lembrar que até a década passada era difícil encontrar opções da gastronomia japonesa na cidade.

– A Fundação 25 de Julho e a Epagri concedem entrevista terça (25), às 9h, para falar das atividades programadas na 1ª Festa Regional do Palmito Cultivado.

– Está chegando a hora. Emissoras de rádio AM, em toda a região, já estão praticamente prontas para transformar o sinal em frequência modulada. É uma clara tentativa de resgatar a força que o rádio AM já teve junto à comunidade. A programação, porém, não deverá sofrer muita alteração.