Infestação de caramujo africano atinge todas as regiões de Florianópolis

Atualizado

O caramujo africano, espécie que pode transmitir doenças, já infesta todas as regiões de Florianópolis. Segundo a prefeitura, a maior concentração ocorre nas regiões que têm maiores terrenos baldios.

Caramujo Africano infesta todas as regiões de Florianópolis – Foto: Reprodução NDTV RecordTV/ND

Da espécie Achatina fulica, o animal está disperso em todas as regiões, e a intensidade das infestações é variável. Geralmente esses moluscos são mais visíveis durante os meses quentes e nos períodos chuvosos, uma vez que hibernam durante os meses frios e secos.

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A bióloga Cíntia Petroscky do Centro de Controle de Zoonoses afirma que a infestação por caramujo africano é um problema mundial. “Sem predadores naturais e com rápida reprodução esse animal acaba se espalhando. É uma espécie exótica introduzida de maneira errada no país”, comenta.

Cíntia conta que o Centro recebe denúncias de todas as regiões da cidade. O número, no entanto, não trata da totalidade de caso, visto que muitas pessoas não fazem representações formais.

“Nos últimos dias, recebemos um número muito grande de denúncias vindas do Continente. Mas isso não quer dizer que há mais casos lá do que no Norte da Ilha. Isso quer dizer que há uma maior denúncia”, explica.

De acordo com um levantamento da prefeitura, até esta segunda-feira (2) foram registradas 15 denúncias. No retrospecto o número de denúncias aumentou nos últimos três anos. Passando de 36 em 2017, para 67 em 2018 e em 2019, 73.

Transmissor de doenças

O molusco pode transmitir doenças como a meningite eosinofílica e a angiostrongilíase abdominal.

Um levantamento feito pelo Centro de Controle de Zoonoses, realizado entre os anos de 2008 e 2016, identificou nos caramujos recolhidos pelo órgão em Florianópolis a presença do parasita causador da meningite eosinofílica.

Uma moradora da Capital que preferiu não ser identificada afirmou que contraiu uma doença por conta do contato com os animais.

Segundo a senhora que trabalha com jardinagem, depois de um serviço que fez no Parque São Jorge, no bairro Itacorubi, dores nas articulações, diarreia, vômitos e dores de cabeça passaram a ser constantes.

O caso ocorreu em 2017 e foram necessárias três idas ao médico para descobrir a causa dos problemas. “Passei muito mal durante 10 dias, tive que tomar antibióticos. Segundo o médico, a bactéria tinha alojado no intestino”, disse.

Limpeza é feita pela prefeitura

Na Capital, as denúncias de terrenos com infestações de animais como caramujos africanos são encaminhados à SMDU (Secretaria Municipal de Meio Ambiente).

Nos locais públicos, a Comcap é acionada e realiza a limpeza. Já nas propriedades privadas, um fiscal da prefeitura vai até o local e emite um comunicado determinado que a limpeza seja feita em até 15 dias.

Caso o proprietário não cumpra a determinação, a prefeitura realiza a limpeza do terreno e os custos são cobrados do dono do terreno.

Em nível estadual, a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) reconhece o problema. Segundo o órgão, os animais não possuem predadores no Brasil e, por isso, o único método que vem mostrando resultados satisfatórios em longo prazo é a coleta e destruição dos animais.

Para tentar combater os animais, a Dive afirma ainda que são necessárias “medidas de saneamento ambiental nas cidades para o controle da população de roedores”.

Desta forma, segundo o órgão, cabe às secretarias municipais de saúde “orientar e estimular a população para a adoção de medidas que possam reduzir e/ou eliminar o caracol africano das residências”.

De acordo com o órgão estadual não há registro de casos de infecção pelas doenças por caramujo africano. A justificativa é que o aparecimento de casos é ocasional  e de uma espécie exótica.

Saúde