Informações da Operação Alcatraz serão compartilhadas com órgãos federais

Todo o material apreendido durante as buscas realizadas pela PF (Polícia Federal) no âmbito da Operação Alcatraz será compartilhado, além da Receita Federal, com a CGU (Controladoria Geral da União) e com o TCU (Tribunal de Contas da União). A participação de integrantes dos órgãos de controle federais nas investigações foi expressamente autorizada pela juíza Janaína Cassol Machado. A medida, conforme despacho a que o Notícias do Dia teve acesso, tem a anuência da PF e do MPF (Ministério Público Federal) e é justificada para que as informações possam “subsidiar os processos administrativos de atribuição dos respectivos órgãos”.

Agente envolvido na investigação informou, sob a condição de anonimato, que o objetivo é promover um amplo cruzamento de informações e, com isso, chegar a um diagnóstico preciso da movimentação financeira, patrimônio, sócios e beneficiários de pagamentos realizados às empresas envolvidas, sejam a origem recursos federais ou estaduais.

Os policiais federais já trabalham para acessar os dados contidos nos aparelhos objetos de apreensão, assim como todo o conteúdo (mensagens, e-mails, redes sociais, arquivos) das mídias, computadores, celulares e similares, que deverão ser extraídos e analisados “para colheita de evidências sobre a atuação do grupo criminoso”, conforme palavras da magistrada.

Na ordem de busca e apreensão, a juíza ordenou ainda o recolhimento de documentos como “anotações, planilhas, agendas, comunicações, em meio digital e físico e obter outros elementos necessários à instrução do devido processo penal, que de outra forma não podem ser obtidos, além da apreensão de quaisquer valores em moeda estrangeira, de valores em espécie acima de R$ 10.000,00, cheques e outros títulos de crédito, ações ao portador de possíveis empresas offshore, documentos fiscais, contábeis e societários, enfim tudo que tiver relação com os delitos sob apuração”.

Preocupação com vazamento

Na decisão que ordenou as prisões e também as buscas e apreensões da semana passada, a juíza federal Janaína Cassol Machado deixa clara a preocupação com o possível vazamento da Operação Alcatraz.

Em um trecho do documento, a magistrada registra: “A fim de evitar a publicidade da medida e eventual prejuízo à investigação, fica dispensada a prévia obtenção do ‘cumpra-se’ do Juízo local nos mandados a serem cumpridos em endereços pertencentes a outras subseções judiciárias”.

Isso significa que nas ações fora de Florianópolis nem mesmo os juízes locais poderiam ser informados da ação da PF. Segundo informações extraoficiais, no ano passado havia circulado a informação que a investigação estava em curso.

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