Inscrições voltam a aparecer e relembram maior calote registrado em Florianópolis

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Inscrição voltou a aparecer na subida do Morro da Lagoa da Conceição. Foto: Flávio Tin/ND

Mais de 10 anos se passaram do maior calote registrado em Florianópolis e a inscrição “Samuca Eu Não Esqueci” voltou a aparecer em muros e placas de sinalização na Ilha de Santa Catarina. A frase faz referência ao caso Samuca, apelido de Samuel Pinheiro da Costa, proprietário da THS Fomento Mercantil, que lesou centenas de clientes no ano de 2007.

As inscrições voltaram a aparecer em dois locais: na subida do morro da Lagoa da Conceição, bairro onde Samuca foi criado e residia, e na Via Expressa Sul, na pista do sentido Bairro/Centro. Mas não é a primeira vez que as inscrições surgem em locais públicos para lembrar o golpe. Em 2014, ano de criação de uma comunidade no Facebook para “manter viva a lembrança de um calote aplicado pelo Samuca”, as inscrições já haviam aparecido na Capital e em Balneário Camboriú.

O caso Samuca veio à tona em novembro de 2007 quando a empresa THS Fomento Mercantil quebrou após uma retirada de R$ 10 milhões feita por um cliente (uma empresa do ramo pesqueiro). Com 17 anos de atuação até então, a empresa de factoring funcionava na avenida Osmar Cunha, no Centro,  e centenas de clientes procuraram a Polícia Civil para relatar o desaparecimento do empresário e o sumiço das aplicações das contas bancárias.

Os clientes investiam aposentadorias, rescisões trabalhistas e o dinheiro de transações pessoais ou profissionais, de olho no rendimento de até 4% ao mês, percentual acima do valor pago pelo mercado, que não chegava a 1%. Eram empresários, profissionais liberais, bancários, jornalistas, aposentados e trabalhadores.  Muitos lucraram enquanto o sistema funcionou, porém outros tantos acabaram perdendo todos os investimentos quando faltou caixa para a THS Fomento Mercantil.

Inscrição também apareceu na Via Expressa Sul. Foto: Flavio Tin/ND

Samuca se apresentou na sede da PF (Polícia Federal ) em 6 de dezembro de 2007 e ficou preso na carceragem por 54 dias até ser solto em 29 de janeiro de 2008. Denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por crime contra o sistema financeiro em abril de 2008, Samuca fez acordo judicial com base na legislação que prevê penas restritivas de direito quando a punição é pequena. O processo foi suspenso três meses depois da denúncia em troca de prestação de serviços comunitários e o bloqueio de R$ 341 mil.

Mesmo sem ser condenado, o caso Samuca continuou tramitando na Justiça com os pedidos de reparação feitos por clientes lesados que tentavam receber os investimentos.  São 175 processos que ainda tramitam na Justiça catarinense.  No último despacho envolvendo o caso, no STJ (Superior Tribunal de Justiça), os ministros decidiram que o banco não pode ser responsabilizado pelo calote, mas sim a THS Fomento Mercantil, a emitente dos cheques sem fundos.

Para tentar reaver o dinheiro, os clientes argumentavam que o banco tinha responsabilidade uma vez que havia liberado folhas de cheques de maneira indiscriminada para Samuca sem verificar se havia provisão de fundos.  Apenas nesta ação movida por pessoas de Florianópolis os valores chegavam a R$ 500 mil, mas especula-se que o golpe tenha ultrapassado milhões,  uma vez que muitos investimentos não foram declarados por supostos clientes.

Atualmente, o paradeiro de Samuel Pinheiro da Costa é incerto. Balneário Camboriú e Paraguai são algumas das localidades especuladas como nova residência do comerciante.

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