Instituições que abrigam idosos em Florianópolis pedem ajuda durante quarentena

Atualizado

Com as medidas de afastamento social, as ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) de Florianópolis pedem ajuda para repor materiais e adquirir outros insumos necessários durante a quarentena. 

Instituições que abrigam idosos pedem ajuda durante quarentena do coronavírus – Foto: Arquivo/Daniel Queiroz/ND

Devido ao isolamento imposto pelo risco de contaminação pelo novo coronavírus, parte da arrecadação que vinha de bingos, bazares e festas foi interrompida. Por isso, esses estabelecimentos contam com a ajuda da população para adquirir fraldas, alimentos, materiais de proteção e de higiene, além de doações financeiras.

Como contribuir

Os quatro lares filantrópicos localizados no município detalham suas necessidades. Veja como você pode ajudar:

Cantinho dos Idosos

No Cantinho dos Idosos, em Ratones, no Norte da Ilha, a maior demanda é por toalhas de papel, luvas, máscaras, álcool gel 70%, água sanitária e fraldas geriátricas. “Apenas três idosos não usam fraldas, então o consumo é muito grande”, diz a enfermeira Gláucia de Oliveira.

Outro produto com grande consumo no momento é combustível, devido à restrição de transporte público. “A nossa ambulância busca e leva os funcionários para casa todos os dias, com isso o consumo de gasolina aumenta”, explica Gláucia.

“Quando os funcionários chegam, fazem toda a higienização recomendada, usam máscaras e luvas”, diz. A enfermeira afirma ainda que todos os cuidados de higienização estão sendo tomados e que nenhum idoso está com quadro de resfriado. Ainda assim, as visitas continuam suspensas.

Para fazer doações, as pessoas devem ir até a instituição, das 8 h às 17h30, de segunda à sábado. Uma funcionária recebe e higieniza os materiais. O lar fica na Estrada Intendente Antônio Damasco, 679.

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Seove

Já na Seove (Sociedade Espírita Obreiros da Vida Eterna), localizada no bairro Campeche, onde 27 idosos são atendidos, a maior necessidade é por leite zero lactose, álcool gel e material de limpeza, produtos de higiene pessoal, luvas, máscaras e fraldas geriátricas tamanho G. 

De acordo com a assistente social Andreia Tonin, a instituição tem 31 funcionários, mas no momento trabalham apenas as equipes de enfermagem, limpeza e cozinha. Os serviços de manutenção e recepção estão fechados. Também há gastos extras com combustível, porque é preciso atender o deslocamento dos trabalhadores.

A Seove já lançou uma campanha para quem quiser contribuir financeiramente, já que os bazares e recepção de roupas, alimentos e móveis estão suspensos. Depósitos devem ser realizados na agência da Caixa 3524, conta 1862-6, operação 013. Quem preferir levar o material pessoalmente deve ligar antes no (48) 3237-4123, de segunda à sexta, das 8 h às 11h30.

Serte

A Serte (Sociedade Espírita de Recuperação Trabalho e Educação) abriga 57 idosos em seu lar na Cachoeira do Bom Jesus. Vários funcionários, de uma equipe de 136 pessoas (incluindo administrativo e a Casa da Criança), estão em casa.

“Qualquer sinal de resfriado ou dor de cabeça já pedimos para ficarem em casa. Além disso, toda a parte administrativa e financeira que não precisa estar aqui faz trabalho home office; a escola está fechada e visitas canceladas desde a semana passada”, diz a gerente de projetos Joana Rochael. 

Para ajudar na higienização, os funcionários dispõem de pia e local para trocar de roupa logo na entrada do estabelecimento. Dessa forma, fazem a prevenção contra a contaminação logo ao chegar.

A casa de idosos precisa de fralda G e GG, leite integral e sem lactose, café, máscaras, luvas P, aventais descartáveis, álcool gel e água sanitária. Doação financeira também é bem-vinda e pode ser feita em qualquer uma das três contas bancárias, cujos números estão disponíveis na página do Facebook da Serte.

Situação crítica no Asilo Irmão Joaquim

A única instituição filantrópica não atendida pela Prefeitura de Florianópolis enfrenta uma série de dificuldades já que seu aporte financeiro principal vem da Associação Irmão Joaquim, que também administra o Hospital e Maternidade Carlos Corrêa.  Como o hospital trabalha apenas com cirurgias eletivas e está fechado, os recursos estão extremamente limitados. 

“Temos um custo fixo de R$ 180 mil mensais, sendo R$ 90 mil só com folha de pagamento. E são 36 idosos entre 62 e 102 anos de idade que não temos como abandonar, é nossa missão cuidar deles”, diz o presidente da Associação, Hipólito do Vale Pereira Neto. 

Em isolamento há 15 dias, o asilo também não pode contar com brechó ou bazar e seu presidente teme pela queda na arrecadação também de voluntários que contribuem pela conta telefônica. “Nossa maior preocupação é como vamos pagar essas contas. Alguns funcionários também são idosos e foram afastados e tivemos de contratar técnicos de enfermagem e profissionais de limpeza, o que são gastos extras”, afirma Hipólito.

O presidente diz que aguarda retorno da prefeitura sobre uma possível ajuda para manter a instituição. Doações podem ser feitas no Banco do Brasil, agência 3174-7, conta corrente 105.014-1, CNPJ 83.885.210/0001-31.

O que diz a prefeitura

De acordo com a secretária de Assistência Social da Prefeitura da Capital, Maria Cláudia Goulart da Silva, o Asilo Irmão Joaquim foi a única instituição que não renovou o convênio com a prefeitura no final de 2017, por falta de documentação. 

“Recebemos hoje [25] um ofício deles pedindo ajuda financeira e estamos analisando a disponibilidade orçamentária e a legalidade jurídica para um possível repasse. Precisamos saber o valor exato e se há recursos financeiros para isso. Também vamos levantar quais são as principais demandas e cadastrar a instituição na rede Somar Floripa”.

Segundo a secretária, a prefeitura criou um Fundo Municipal da Defesa Civil, que recebe doações financeiras na agência do Banco do Brasil 3582-3, c/c 13500-3. Através dela, uma campanha pode ser feita para arrecadar recursos para o Asilo.

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