Inventário revela falta de 2.500 árvores em ruas e avenidas centrais de Florianópolis

Censo encomendado pela Floram, que será apresentado publicamente na CDL, será base para plano diretor de arborização urbana

Marco Santiago/ND

Estudo fez uma radiografia sobre árvores nas ruas e alamedas da Capital

 

Elas parecem muitas, mas representam apenas a metade do número ideal e nem todas são nativas. São quase 4.000 árvores de diferentes espécies e origens catalogadas em vias públicas da área central de Florianópolis, de acordo com o inventário iniciado em 2014 sob a coordenação do agrônomo Jarbas Prudêncio Junior, da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente). 

Supervisionado pelo professor Demóstenes Ferreira da Silva, especialista em arborização urbana, o censo é resultado de acordo de compensação ambiental e será apresentado oficialmente hoje, na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) com abertura das discussões sobre ações para ampliação da cobertura vegetal nas ruas e avenidas da cidade.

“Os números não são animadores, as árvores catalogadas representam apenas 7,75% do solo da área central”, resume Prudêncio. O índice ideal é de 15% a 20%, de acordo com especialistas em arborização urbana reconhecidos internacionalmente. A ideia a partir da divulgação do inventário, segundo o agrônomo da Floram, é mobilizar os diversos setores da sociedade e iniciar efetivamente as discussões para implantação do plano diretor e que reordenará os critérios para plantio e corte. Pelos cálculos da Floram, são necessárias pelo menos mais 2.500 novas mudas na cidade.

“É preciso levar em conta, por exemplo, os conflitos com equipamentos urbanos, como postes e fiação da rede elétrica, e os danos em calçadas e seus efeitos na mobilidade de pedestres e cadeirantes”, diz. O inventário traz informações sobre o patrimônio arbóreo das vias públicas, como condição fitossanitária, localização, os conflitos atuais e potenciais com a rede de energia elétrica, com a infraestrutura urbana e a valoração monetária das árvores mais significativas.

A partir da sistematização em banco de dados relacional, foram gerados gráficos e mapas indicando, por exemplo, a frequência relativa das espécies, a localização das mais frequentes, as árvores mortas e aquelas com raízes sobre calçadas ou pistas de rolamento.

Plano definirá critérios para plantio e corte

No trabalho de campo da empresa privada SM Consultoria Ambiental, foram localizadas as que necessitam de poda e as árvores mais frondosas e valiosas. Com imagens de satélites, o inventário permitirá o planejamento de ações preventivas, como podas, substituições de árvores com risco de queda, tratamento fitossanitário dos indivíduos arbóreos. O censo também será ferramenta para futuros projetos de expansão para áreas com cobertura arbórea insuficiente.

“Para nos aproximarmos dos percentuais ideais, precisamos de 2.500 árvores de copas frondosas e densas”, diz o agrônomo Jarbas Prudêncio Junior. Estas características, segundo ele, permitirão a cobertura de superfícies com elevado potencial para absorver energia e gerar calor, e deverão ser compatíveis com a estrutura urbana que terá que ser repensada.

“A dificuldade de cultivar espécies de grande porte pode ser tratada como uma oportunidade para redesenhar calçadas e vias públicas, e reservar espaços para as árvores, até mesmo onde os carros estacionam”, argumenta. Os critérios para plantio, segundo ele, são a base para aprovação do Plano Diretor de Arborização Urbana ou de Florestas Urbanas.

Qualidade de vida sem conflitos urbanos

São muitos os benefícios das árvores urbanas. Elas são importantes para atenuar a temperatura e luminosidade, aumentam a umidade atmosférica, amortizam impacto de chuvas, criam abrigos da fauna, absorvem parte do ruído e filtram parcialmente partículas no ar.

“Fazem a reciclagem do ar por meio da fotossíntese, fixando carbono e promovendo a oxidação de gases tóxicos”, explica Prudêncio. Ruas bem arborizadas podem filtrar grande parte da poeira em suspensão no ar que interferem na direção e na velocidade do vento, além de trazer benefícios econômicos com a valorização de propriedades, benefícios sociais e benefícios à saúde humana física e mental.

Para o agrônomo, a prioridade será dada a espécies, mas apenas àquelas com qualidade e tamanho certos para uso em espaços públicos, sem interferência em calçadas e redes elétricas. “Em algumas áreas verdes, parques e praças, o uso delas é bastante recomendável. Mas as exóticas, excluindo as invasoras ou tóxicas, também podem ser bem adaptadas e oferecer importantes serviços ambientais à cidade”, admite.

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