Investigação quer encontrar dono de linha de cerol que matou mulher na Via Expressa

Atualizado

Até a manhã desta segunda-feira (22), ainda não havia sido definida a delegacia que ficará responsável pela investigação da morte de Josiane Marques, de 34 anos.

A publicitária morreu após ter sido atingida por uma linha de cerol, enquanto conduzia uma motocicleta, na manhã de sábado (20), no km 4 da Via Expressa, no limite entre Florianópolis e São José, na Grande Florianópolis.

Josiane Marques morreu após ter sido atingida por linha de cerol na Via Expressa – Arquivo Pessoal/ND

Segundo o delegado Manoel Galeno, da DIC (Divisão de Investigação Criminal) de São José, a previsão é que no período da tarde haja a definição se o caso ficará com a DIC ou a Delegacia de Homicídios de Florianópolis.

O objetivo é identificar o dono da linha de cerol que causou o acidente fatal.

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A morte trágica de Josiane mobilizou amigos e familiares nas redes sociais, que postaram mensagens de despedida e relembraram momentos especiais com a publicitária.

A irmã mais nova de Josiane, Andreza Marques, publicou no domingo (21) um texto em que destaca a convivência ao lado da irmã, a quem se refere como “irmãe”.

“Quando eu nasci, minha irmã tinha 14 anos, mas cuidava de mim como se fosse minha mãe, guardava todos os trocadinhos que ganhava e ia comprar coisinhas de cabelo para me enfeitar, escrevia coisas no álbum do bebê e fazia um book de fotos minhas quando criança”, relata Andreza.

A irmã mais nova conta, também, que as duas costumavam ir juntas de moto em uma praia pouco frequentada em Governador Celso Ramos, a qual chamavam de “nossa praia”.

“A gente entrava na água, conversava sobre qualquer coisa, dava risada uma da cara da outra, jogava água e tomava aquele caldo da onda, mas sempre lembrando do conselho da mãe de não ir muito no fundo”, relembra ela.

Josiane e a irmã Andreza – Arquivo Pessoal/ND

Andreza recorda, ainda, do último presente que ganhou da irmã. “Há dez dias ela me deu um presente fora de época, mal sabia que esse seria o último. O que era? Por ironia do destino, um relógio. E a gente não fazia ideia do pouco tempo que nos restava juntas”, diz Andreza.

A empresa onde Josiane trabalhava também publicou nota de pesar pelas redes sociais, descrevendo a publicitária como disposta e atenciosa, desempenhando um papel fundamental na organização.

Leis e fiscalização

A Lei Estadual 11.698, de 2001 proíbe a utilização em Santa Catarina de pipas ou similares equipadas com instrumentos cortantes e com linhas preparadas à base de produtos cortantes.

A lei prevê ao infrator a apreensão do objeto e uma multa no valor de R$ 200, entretanto, se trata de uma infração administrativa e não há regulamentação de como se dará a apreensão do objeto e a multa.

Segundo o sub- comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Ricardo Souza, a fiscalização realizada pela guarnição se baseia no artigo 132, do Código Penal, que qualifica o uso de cerol como crime passível de prisão, já que o porte da sustância pode colocar a vida de outras pessoas em risco; e no artigo 121, que qualifica como crime de homicídio. Denúncias de uso indevido do cerol podem ser feitas na Central de Emergência da Guarda Municipal de Florianópolis no número 153.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a fiscalização por parte dos agentes é constante, principalmente em rodovias próximas a áreas urbanas.

No entanto, a PRF relata que há dificuldade em realizar o flagrante do uso do cerol porque a linha, após ser cortada, pode ser levada pelo vento e acabar perto de áreas urbanas e rodovias, se afastando do local de origem.

Em maio, a PRF apreendeu sete pipas nas rodovias do Estado – PRF/Divulgação/ND

A PRF alerta que no período de férias escolares a atenção deve ser redobrada, sobretudo entre motociclistas que costumam trafegar em rodovias urbanas.

A polícia sugere o uso de uma antena que é colocada no guidão da moto e corta a linha. A PRF afirmou que em maio foram recolhidas sete pipas com cerol na Via Expressa.

Em nota, a PMRv (Polícia Militar Rodoviária) informou que a fiscalização desse tipo de irregularidade é feita de forma permanente nas rodovias estaduais, por meio de patrulha dos policiais.

“Porém, essa atividade é de difícil controle, já que qualquer um pode fabricar a linha com cerol em sua casa. Os melhores resultados são alcançados com conscientização”, completa a nota.

Em razão da ocorrência no final de semana, a PMRv afirmou que irá “mobilizar o máximo de pessoas para tratar do assunto”.

Código Penal

O Código Penal descreve que o adolescente flagrado utilizando o cerol em sua linha poderá ser encaminhado para a delegacia, juntamente com os pais, para ser lavrado o ato infracional.

Como é inimputável, o menor não será penalizado. Os pais, porém, podem ser qualificados no artigo 249 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) por ter permitido que o menor brinque com substâncias perigosas.

Como penalidade terão de pagar uma multa que pode variar de um a 20 salários mínimos. Dependendo do caso, o menor poderá ser também penalizado com medidas sócio-educativas. S

e a linha cortante provocar alguma morte, o crime passa a ser homicídio. A lesão corporal, crime previsto no artigo 129, prevê pena de detenção de três meses a um ano de detenção.

Já o crime de homicídio prevê a pena de reclusão de seis a 20 anos.

Relembre o caso

Josiane Marques pilotava sua motocicleta quando foi surpreendida pela linha de cerol que estava atravessada na rodovia. Ela recebeu atendimento dos socorristas, mas não resistiu aos ferimentos de um corte profundo na garganta e morreu ainda no local do acidente.

Segundo a PRF, é difícil determinar de onde veio a linha, pois ela arrebenta depois do impacto. No entanto, resíduos de cerol no ferimento da vítima confirmaram que se tratava da substância.

O relatório da polícia informou que a vítima conduzia uma moto Honda, com placas de Biguaçu. O acidente ocorreu pouco depois do meio-dia, no km 4,6 da BR-282. Josiane era moradora de Florianópolis e trabalhava com marketing em uma empresa em São José.

A publicitária foi velada em Barreiros, em São José, e cremada neste domingo no Cemitério Jardim da Paz, no bairro João Paulo, em Florianópolis.

Polícia