Investigados na Operação Chabu vazaram fase da Lava Jato, aponta desembargador

Atualizado

O ND+ obteve com exclusividade a decisão do desembargador federal Leandro Paulsen, que autorizou a deflagração da Operação Chabu, ação da Polícia Federal que ocorreu nessa terça-feira (18) em Florianópolis, Criciúma e Porto Alegre (RS).

Operação Chabu foi deflagrada nessa terça-feira (18) – Anderson Coelho/ND

Em seu despacho, o magistrado registra que a Operação Chabu “tem como objeto investigar organização criminosa altamente estruturada voltada à prática de inúmeros delitos, dentre os quais se destaca a obtenção de informações sigilosas oriundas de investigações criminais para uso, notadamente, de detentores de mandatos políticos”.

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Em 48 páginas, Paulsen relata os principais pontos do relatório de 156 páginas encaminhado pelos agentes federais ao TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

De acordo com o documento, toda investigação iniciou após o depoimento de dois servidores comissionados da Assembleia Legislativa do Estado, o delegado federal aposentado Diógenes Duarte Barros de Medeiros e o policial militar Carlos Alexandre Melo, que levaram notícia-crime à PF.

Despacho do desembargador federal Leandro Paulsen – Reprodução/ND

Pivô oferecia interceptações telefônicas

De acordo com o relatório que consta do inquérito, ambos relataram que José Augusto Alves teria oferecido informações sigilosas relacionadas a operações policiais em andamento.

Afirmando ser representante da empresa de tecnologia voltada a serviços de inteligência chamada Suntech, Alves ainda ofereceu fornecer equipamentos para realização de interceptações telefônicas, “bem como apresentado listagem com alvos de operações policiais ainda não deflagradas, dentre as quais a 26ª fase da Operação Lava Jato e a Operação Patrola”.

Como já revelou o ND+, Alves é apontado como “peça central” do alegado esquema criminoso. Em outro depoimento à PF, o então presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis, Gui Pereira, também relatou aos policiais federais ter sido contatado por Alves, que o teria avisado que era alvo de operação policiais, além de ter oferecido um telefone “com tecnologia de criptografia”.

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Ainda segundo o relatório que consta do despacho do desembargador, no dia 12 de agosto de 2017 o delegado aposentado Diógenes Duarte Barros de Medeiros procurou a delegada federal Erika Mialik Marena para relatar que no dia anterior o então presidente da Alesc, Silvio Dreveck, teria sido alertado de uma investigação da PF envolvendo uma das empresas que prestam serviço terceirizado à Alesc.

“Tem chabu em Videira”

O quarto vazamento apontado pela PF foi o que inspirou o nome da operação deflagrada nessa terça. Foi quando, de acordo com a corporação, o policial rodoviário federal Marcelo Rubens Paiva Winter, à época cedido para atuar no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), em contatos telefônicos mantidos entre os dias 26 de maio e 2 de agosto de 2018, revela a José Augusto Alves os nomes dos alvos de uma diligência da denominada “Operação Emergência”, que seria realizada no município de Videira.

Alves, por sua vez, repassa a informação para o então secretário da Casa Civil do governo do Estado, Luciano Veloso Lima – também detido na operação -, afirmado a necessidade de “conversar urgentemente” com o secretário porque “tem chabu em Videira”.

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