Investimentos em saneamento e água nos últimos anos recuperaram o passivo da Casan em SC

A empresa resolveu os problemas de falta de água em 49 municípios nas regiões Oeste e meio-Oeste, além dos investimentos em abastecimento na Grande Florianópolis

Santa Catarina subiu dez posições no ranking nacional do sistema sanitário, nos últimos quatro anos. Saiu do 23º lugar para o 13º. No mesmo período a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) resolveu os problemas de falta de água em 49 municípios nas regiões Oeste e meio-Oeste, além dos investimentos em abastecimento na Grande Florianópolis.  

Dos 295 municípios catarinenses, a Casan está presente em 199. O diretor-presidente da Casan, Valter José Gallina, acredita que os municípios voltaram a reconhecer a importância da Casan. “Durante os anos de 2004 e 2005, a empresa perdeu 32 municípios, por causa do passivo da instituição. A falta de água e de saneamento básico era uma situação presente em várias localidades. Com os avanços dos últimos anos, onde realizamos investimentos superiores aos R$ 2 bilhões, os municípios voltaram a reconhecer a importância da Casan e estamos negociando o retorno de 12 cidades”, afirma Gallina, que está há quatro anos à frente da companhia. Barra Velha, Chapecó, Paulo Lopes, Garopaba, Içara e Porto Belo são algumas que voltaram à rede da Casan.
Gallina assumiu a Casan em abril de 2014, quando o Estado tinha menos de 10% da população atendida pelo SES (Sistema de Esgotamento Sanitário). Com as obras que estão sendo entregues até o fim do verão de 2018, Santa Catarina vai pular dez posições e o serviço chegará a 28,5% dos imóveis. A partir das obras licitadas e em projeto, o objetivo é terminar 2019 na 4ª posição, com 49% dos catarinenses com rede coletora e estação de tratamento de esgoto.

Em um balanço de sua gestão, o presidente revelou pretensões políticas e os planos que pretende desenvolver até a sua saída da empresa pública, em abril.
Gallina está à frente da Casan desde 2014 - Joyce Reinert/ ND
Gallina está à frente da Casan desde 2014 – Joyce Reinert/ ND

Quais são as dificuldades na ampliação do sistema de esgoto sanitário?
São três dificuldades. A primeira é a financeira. Os recursos necessários para o sistema sanitário é muito forte, quase equivalente à pavimentação. Por que os governantes não trabalhavam em saneamento até pouco tempo? Porque é uma obra muito cara e a maioria preferia colocar asfalto. É uma obra enterrada e não dá voto. E dá muito transtorno, com abertura de valas. Hoje, os governantes já sabem que o saneamento básico é o link mais próximo de saúde pública. A cada R$ 1 investido em saneamento, resulta em economia de R$ 4,30 na área de saúde. Com certeza, onde há coleta e tratamento de esgoto as pessoas procuram menos os hospitais e poupamos vidas.


Onde foram feitos os maiores investimentos em saneamento?
Estamos investindo em 40 cidades em Santa Catarina, mas obviamente que Florianópolis tem o maior volume. Por que somente a Capital representa um terço da arrecadação da Casan. Em Florianópolis estamos investindo R$ 400 milhões em esgotamento sanitário. A ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Sul da Ilha está em obras, também está em plena execução o trecho entre o Santinho e Ingleses, lançamos a licitação de toda a bacia do Itacorubi com a ampliação da ETE Insular e vamos lançar a licitação de 100% dos bairros Monte Verde, Saco Grande, Sambaqui, Cacupé, João Paulo e Santo Antônio de Lisboa, que são obras com recursos da agência japonesa (Jica). Na metade de 2017, inauguramos parte do Abraão e Capoeiras e, com isso, o Continente tem 95% de cobertura. Também no ano passado inauguramos o sistema de Jurerê Tradicional, além de ter feito a ampliação do sistema de esgotamento sanitário da Cachoeira do Bom Jesus e Canasvieiras, onde também trabalhamos no tratamento do rio do Brás. O investimento total em saneamento é de R$ 1,650 bilhão em todo o Estado, com obras em Florianópolis, São José, Biguaçu, Garopaba, Braço do Norte, Laguna, Lauro Muller, Criciúma, Forquilhinha, Otacílio Costa, Canoinhas e Ituporanga. Além do investimento na despoluição da Beira-Mar Norte, onde a água vai ficar com balneabilidade.

Qual deve ser o principal foco da empresa nos próximos anos?
O principal foco é a água, que é o sinônimo de saúde pública. As pessoas vivem um dia sem energia elétrica, mas não conseguem viver sem água. Como acontece no Brasil e no mundo, onde temos apenas 3% de água doce, o nosso foco é viabilizar a água com planejamento e investimento. No Norte da Ilha, se falava que seria impossível resolver o problema de falta de água, mas demonstramos que o impossível é logo ali. Não tivemos falta de água no ano passado e nem este ano na região. Perfuramos dezenas de novos poços, pequenas estações de tratamento em Ratones e na Daniela, assim como no Sul da Ilha. E o principal projeto foi a construção do flocodecantador, porque há três anos conseguíamos tratar apenas 2.100 L/S e, agora, a capacidade é de 3.250 L/S. Um aumento de quase 50% no tratamento de água. Nos últimos 20 anos, a empresa tinha construído cinco ETA (estações de tratamento de água), mas nos últimos cinco construímos 40 em todos os cantos de Santa Catarina.


Qual o segredo do crescimento da Casan?
Acho que segredo dessas ações e do sucesso da instituição no momento é ouvir os técnicos. Nós ouvimos muito os técnicos e o pessoal de ponta de rede, encanadores e os mais de 200 chefes de agências. Não foi feito por determinação, mas pela experiência dessas pessoas que também sofriam com a falta de água. Isso resultou no ganho de vários prêmios nos últimos meses, o Fritz Muller, o Líderes de Empresa Revelação da Fiesc, o ADVB de prestação de serviço e o selo verde do Instituto Chico Mendes, que demonstram que a Casan está no caminho certo. A empresa vem dando lucro nos últimos anos e os recursos são investidos em serviços à população.

Quais foram os principais obstáculos?
Na questão do saneamento, as principais dificuldades também estão com os moradores e as licenças ambientais. Todos querem esgoto tratado, mas ninguém quer morar ao lado de uma ETE. Além disso, os órgãos ambientais estão bem rigorosos e todas as ETEs em construção ou ampliação são de sistema terciário, que também elimina o fósforo e o nitrogênio. No Brasil, o sistema terciário só existe em Florianópolis e em Brasília, porque o resto do país é com o sistema secundário. Essa também foi uma cobrança do prefeito Gean Loureiro (PMDB), quando presidente da Fatma.


O senhor será candidato na próxima eleição?
Vou colocar o meu nome à disposição do partido (PMDB) para ser pré-candidato, provavelmente, a deputado estadual. Encaro isso como uma missão, porque o florianopolitano precisa demonstrar um pouco de bairrismo. 
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