Jogo do bicho segue fortalecido e sem fiscalização na Capital

Reportagem da RIC flagra o jogo até mesmo em espaços de agências lotéricas, credenciadas pela Caixa Econômica Federal

Reprodução RIC TV

Reportagem flagrou apostas de jogo do bicho sendo feitas em agências lotéricas 

Mesmo enquadrado como contravenção penal pela legislação brasileira, o jogo do bicho está mais forte do que se imagina. Nesta terça-feira, a equipe da RIC TV Record flagrou três bancas arrematando apostas, com o agravante de duas funcionarem em locais credenciados pela Caixa Econômica Federal. O jogo foi flagrado na calçada da Felipe

Schmidt e em duas lotéricas credenciadas pela Caixa: uma em Jurerê Internacional e outra no Córrego Grande. Quem anotava os números, correspondentes aos 25 animais do jogo, sabia da proibição do ato.

O jogo do bicho, além de arrecadar um montante de dinheiro que não é fiscalizado pelo poder público, é responsável por crimes que a Polícia Civil identifica como satélite – por circundarem a infração – como a corrupção de agentes públicos, ameaças, homicídios e lesões corporais. O diretor da Polícia Civil Aldo Pinheiro D´Ávila crê que a legislação seja branda em relação aos jogos de azar.

“Temos uma legislação extremamente benevolente com o jogo do bicho. Se retira de circulação os agenciadores e uma lavratura no termo circunstancial autoriza a imediata liberação do indivíduo. E a contravenção perdura”, constata.

A corrupção de agentes públicos também estimula a continuidade do jogo do bicho. Em novembro de 2011, o delegado Ademir Serafim, ex-diretor-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, foi preso com outras oito pessoas, acusado de cobrar propina e fazer vistas grossas na fiscalização de jogos ilegais.

A delegada regional da Polícia Civil em Jaraguá do Sul, Jurema Wolf também foi detida, na operação Game Over, que investigava ligações criminosas ligadas ao jogo do bicho na região Norte do Estado. Tanto Jurema, quanto Ademir respondem ao processo em liberdade.

Entenda o caso

A operação “Jogo Duplo” foi conduzida pela força-tarefa composta pelo Ministério Público de Santa Catarina, Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria da Fazenda. O ex-delegado Ademir Serafim e outras oito pessoas foram presas, em novembro de 2011, depois de nove meses de investigações. Segundo o promotor de Justiça Alexandre Graziotin, o grupo envolvido no esquema facilitaria o funcionamento de cassinos clandestinos e casas de jogos.

Jurema Wolf, presa na operação Game Over, foi condenada a sete anos de reclusão em regime fechado por corrupção passiva e a um ano e três meses em regime semi-aberto por violação do sigilo funcional. Além de responder por ter acobertado o esquema de jogos de azar. 

Caixa responde

“Sobre a matéria veiculada nesta terça-feira (03), a Caixa Econômica Federal informa que a prática de jogo do bicho constitui contravenção penal, de modo que a CAIXA, tendo tomado conhecimento dos fatos por essa emissora, irá apurar a conduta dos lotéricos. Confirmados os fatos, as unidades envolvidas perderão suas permissões, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.”

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