Juiz deve definir na semana que vem se caso Gabriella vai a juri popular

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Nesta sexta-feira (11) foi realizada a segunda etapa da audiência de instrução do Caso Gabriella Custódio Silva, 20 anos, jovem que foi assassinada pelo namorado Leonardo Natan Chaves Martins, 21, em julho deste ano. A primeira aconteceu na semana passada, ambas no Fórum de Joinville e conduzidas a portas fechadas pelo juiz Gustavo Aracheski.

Leonardo está no presídio de Joinville, chegou ao local de mãos e pernas algemadas e permaneceu por cerca de duas horas. Ele responde pelo crime de feminicídio e fraude processual.

Gabriella foi morta com um tiro no peito em Joinville – Foto: Redes Sociais

O pai dele, Leosmar Martins, também responde, mas em liberdade, por fraude processual e posse ilegal de arma de fogo. O revólver dele foi usado no crime. A defesa alega que o tiro foi acidental. Os dois confirmam ter jogado a arma num rio da região e ela não foi encontrada.

Na audiência desta sexta foram convocadas 18 testemunhas pela defesa, porém 12 foram ouvidas. Na anterior foram chamadas as testemunhas de acusação. Tanto a promotoria, quanto a acusação pedem que o caso seja levado a juri popular. A defesa vai se manifestar por escrito e tem cinco dias para apresentar as alegações finais.

Após esse prazo o juiz deve decidir se o caso vai a juri popular. Além disso, os advogados de defesa tentam reverter a prisão do seu cliente em liberdade provisória.

“A defesa vai pedir para que o Leonardo aguarde o julgamento em liberdade, uma vez que todas as testemunhas já terão sido ouvidas e não haverá mais o argumento de que ele possa atrapalhar a investigação, que foi o argumento para decretar a prisão dele”, afirmou o advogado Pedro Wellington Alves da Silva, que defende Leonardo.

Já o advogado de acusação Marco Aurélio Marcucci demonstrou irritação sobre o pedido de liberdade feito pela defesa. “Lamentável. Ele matou a Gabriella. Ele tem que ficar preso até o juri. Isso é o mínimo que a sociedade espera”, disparou.

O julgamento – pelo juri popular ou por um juiz singular – deve ocorrer nos primeiros meses de 2020, uma vez que o cronograma de 2019 já está fechado. Tudo depende do cumprimento rigoroso dos prazos processuais pelas partes envolvidas.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 23 de julho, em Joinville. Após o disparo, Leonardo colocou a jovem no porta-malas do carro e a levou até o Hospital Bethesda. Gabriella já chegou morta na unidade.

Após deixar o corpo no local, Leonardo teria fugido para São Francisco do Sul e, no caminho, jogado a arma usada no crime em um rio.

Em depoimento ele alegou que o disparo foi acidental e que teria ocorrido enquanto mostrava a arma para a companheira. A perícia, porém, identificou que a arma foi apontada na direção da vítima por conta do trajeto da bala e da marca na parede.

Na semana passada, a reportagem do ND+ publicou com exclusividade trechos de conversas entre amigos de Leonardo, que apontam que a família estaria com o celular da vítima dias depois do crime. Além do aparelho dela e de Leonardo, a arma do crime nunca foi encontrada.

Leonardo foi denunciado por feminicídio e fraude processual. O pai dele também responde por posse ilegal de arma. Outras duas pessoas, que teriam ajudado a esconder provas do crime, estão com os processos suspensos.

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