Julio Garcia demonstra poder político em primeiro pronunciamento como presidente da Alesc

Considerado nome forte da política catarinense, Julio Garcia (PSD) retornou ao legislativo catarinense demonstrando poder de articulação. Eleito por unanimidade na manhã desta sexta (1º) para assumir pela terceira vez a cadeira de presidente da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) disparou: “Isso aqui não vai ser uma casa de carimbos dos projetos do governo, mas uma casa de análises”. O parlamentar volta à vida política depois ocupar por nove anos como conselheiro do Tribunal de Constas, órgão que chegou a presidir.

Júlio Garcia foi eleito para assumir a presidência da Alesc - Marco Santiago/ND
Júlio Garcia foi eleito para assumir a presidência da Alesc – Marco Santiago/ND

Com trânsito livre em diversas frentes partidárias, Garcia iniciou as tratativas para composição da nova Mesa Diretora logo após o resultado das eleições de outubro do ano passado. Terceiro mais votado, conseguiu estabelecer diálogo e acomodou as principais bancadas ao seu lado.

No entanto, confessou que não manteve conversas com o governador Carlos Moisés (PSL). “Não conversei com ele depois da posse. Procurei e não fui procurado”, disse emendando que o governador chamou para si a responsabilidade de compor sozinho o governo.

Não por acaso, o PSL acabou ficando de fora da Mesa e dos principais postos nas Comissões, em uma clara demonstração de que a independência dos poderes terá peso preponderante para a tomada de decisões no Legislativo.

“O PSL não está na mesa por uma razão muito simples, são 12 partidos que não cabem nos sete cargos que a mesa tem. O PSL em função de ter o governo todo não fica desabrigado”, explicou em seu primeiro pronunciamento à imprensa após a posse. E desafiou: “Quem tem que construir maioria [na Assembleia] é o governo. Ele é que tem que tomar a iniciativa e certamente a partir de hoje fará”.

Confira como ficou a composição da Mesa Diretora da Alesc:

Além do próprio PSD de Garcia, compõe a Mesa Mauro de Nadal (MDB), 1º Vice-presidente; Rodrigo Minotto (PDT), 2º Vice-presidente; Laércio Schuster (PSB), 1º Secretário; Padre Pedro Baldissera (PT), 2º Secretário; Altair Silva, 3º Secretário; e Nilson Berlanda (PR), como 4º Secretário. Garcia foi eleito com 40 votos, os demais membros foram eleitos com 38. Bruno Souza (PSB e Jessé Lopes (PSL) se abstiveram na votação dos demais cargos.

Líder do governo diz que PSL terá espaço nas comissões

Escolhido como líder do governo, o deputado Onir Mocellin foi o único correligionário do partido a manter conversas com o grupo mais próximo de Garcia. Ao ND disse que a falta de representatividade do PSL na mesa foi acordado.

“Nós temos o governo e precisaremos de apoio dos deputados para aprovar os projetos. Por esse motivo decidimos que os demais partidos deveriam ser prestigiados a ocuparem os espaços de poder”, disse Mocellin.

Mesmo assim, o partido ficou de fora de comandar as principais comissões, que são Finanças e Constituição e Justiça, que ficarão com o MDB e PSDB. E terá presidentes em outras três comissões de menor expressão: Pesca, Idoso e Legislação Participativa.

Com seis deputados, formando a segunda maior bancada da Alesc, o PSL vai formar bloco com o PR e assim aumentar seu poder de influencia nas comissões. “Nós teremos dois membros nas comissões mais importantes juntos com o PR, que também vai presidir também a comissão de Segurança Pública”, disse Mocellin.

Principais trechos do primeiro pronunciamento de Garcia como presidente da Alesc:

Político convicto: Garcia fez questão de dizer que é político e criticou os eleitos que se vangloriam de não assumirem a condição quando eleitos:

Julio Garcia: “Não existe velha política e nova política, a política é uma só. Isso é utopia. Esse negócio é discurso de campanha. A campanha acabou, agora nós vamos cair na real”.

Relação com o governo de Carlos Moisés:

Julio Garcia: “Você sai de um governo do Raimundo Colombo (PSD) que era totalmente acessível, mandato complementado pelo Eduardo Moreira (MDB), que também foi muito acessível. Antes o Luiz Henrique da Silveira (MDB), da mesma forma, mas com estilos diferentes. Eu acho que o governador tem o estilo dele e tem que ser respeitado. O que nós temos que se preocupar não é com o estilo nem com a forma, conversar é necessário, o que nós temos que nos preocupar é com os resultados”.

CPI da Ponte Hercílio Luz: deputados eleitos iniciaram coleta de assinaturas antes mesmo da posse.

Julio Garcia: “Essa é uma ação política. Antes de tomar posse não se pode pedir CPI, eles anunciaram que vão entrar com requerimento. O que estiver dentro do regimento não tenho nenhuma dúvida que vou determinar que se proceda. Não tenho nenhum compromisso em não fazer. A CPI quando é feita com responsabilidade, com fato determinado, eu acho que é um instrumento importante. Não se pode é banalizar a CPI”.

Perfil:

Técnico em Contabilidade Julio Garcia foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986, com 17.129 votos, e cumpriu o mandato de 1987 a 1991. Em 1987 foi líder da bancada do então PFL – hoje DEM. Em 1990 foi reeleito para o mandato de 1991 a 1995, com 16.523 votos. Foi líder da bancada de seu partido de 28 de fevereiro de 1991 a 9 de março de 1995. Em 1998 ficou como segundo suplente do DEM, tendo contabilizado 25.989 votos. Em 17 de fevereiro de 2000, assumiu uma cadeira na Assembleia no lugar de João Macagnan, que passou a exercer cargo no Executivo. Na mesma data, Julio Garcia foi eleito líder da bancada. Com a eleição de Ciro Roza à prefeitura de Brusque, em novembro de 2000, efetivou-se como deputado estadual.

Em 2002 foi reeleito com 32.573 votos, para o mandato 2003 a 2006. Em 1º de fevereiro de 2005 foi eleito, por unanimidade – algo inédito -, presidente da Assembleia Legislativa para o biênio 2005/2007, na primeira eleição com voto aberto para o cargo. Em 1º de outubro de 2006 foi reeleito deputado estadual com 51.010 votos. Em 1º de fevereiro de 2007, Julio Garcia foi reeleito para mais um mandato como presidente do Poder Legislativo para o biênio 2007/2009. Na eleição, aberta, obteve novamente a unanimidade dos votos.

Em 2008 deixou a vida política e foi indicado pelo governador Luiz Henrique da Silveira (MDB) para uma vaga de conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Seu nome foi aprovado por 37 votos na Assembleia. Em 2017 anunciou a sua aposentadoria no TCE e a volta a vida política.

Outros cargos que ocupou: Antes de ingressar na vida pública, o deputado Julio Garcia fez carreira profissional do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC). Exerceu as funções de Contador, Gerente e Diretor de Crédito Geral e Câmbio. Também ocupou a presidência da Indústria Carboquímica Catarinense S/A (ICC), do Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Badesc) e da Companhia de Água e Saneamento de Santa Catarina (Casan). Em 11 de outubro de 2005, Julio Garcia assumiu o governo do Estado por 12 dias, durante viagem do governador Luiz Henrique da Silveira e do vice-governador Eduardo Moreira, ambos do PMDB, para o exterior. 

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