Conscientização sobre infertilidade: problema atinge entre 10% e 15% dos casais

Estamos no mês mundial da conscientização sobre a infertilidade, problema que atinge entre 10% e 15% dos casais em idade fértil, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Somente no Brasil, existem cerca de oito milhões de pessoas que enfrentam dificuldade de engravidar, o que reforça ainda mais a importância desta campanha de junho. O objetivo é alertar homens e mulheres, falar sobre os tratamentos disponíveis e dar apoio aos casais que precisam desse atendimento.

Mas, e quais são os motivos que levam à infertilidade? Segundo a especialista em reprodução humana e ginecologista Kazue Harada Ribeiro, da Clinifert, há diversas causas, que podem ser femininas, masculinas ou a associação de problemas dos dois. “Atualmente, sabe-se que cerca de 35% dos casos de infertilidade estão relacionados à mulher, outros 35% ao homem, 20% a ambos e 10% são de causas desconhecidas”, afirma a médica.

Mila Ribeiro Cerqueira, Gustavo Cerqueira e Silva e Kazue Harada Ribeiro – especialistas em reprodução humana da Clinifert – capa dia 22

Adiar demais a gestação pode ser um risco

Dentre os problemas femininos, a idade é o principal desafio para alcançar a gravidez. “A partir dos 35 anos há um declínio progressivo da fertilidade, devido à diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos, resultando em menores chances de gravidez e aumentando os riscos de aborto e doenças genéticas”, explica a médica Kazue.

Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres brasileiras estão tendo filhos cada vez mais tarde. Entre as principais justificativas estão o investimento na formação acadêmica ou profissional e a dificuldade de encontrar o parceiro ideal.

Ainda entre as causas da infertilidade, em seguida vem a endometriose – doença caracterizada pelo aparecimento de células do endométrio fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, bexiga e intestino, além de outras partes do corpo.

“Aproximadamente 47% das mulheres inférteis são portadoras de endometriose e cerca de 60% delas se queixam de cólicas menstruais intensas ou dor na relação sexual”, aponta a também ginecologista e obstetra Mila Ribeiro Cerqueira, especialista na área.

Embora tenha grande importância na questão da capacidade de gerar filhos, o diagnóstico da doença ainda é tardio para uma boa parcela da população. “O tempo médio fica entre cinco a oito anos, o que pode levar à evolução da doença e ser fatal para a fertilidade”, diz.

Outros fatores que resultam na incapacidade de engravidar são as disfunções hormonais, os ovários policísticos, a obstrução tubária, inflamações pélvicas, tumores uterinos, abortamentos de repetição e falência ovariana precoce.

Após um ano de tentativas sem sucesso, casal deve procurar um especialista – Shutterstock/Divulgação

Nos homens são vários os fatores

Em relação aos problemas masculinos, a diminuição da quantidade, vitalidade e forma dos espermatozoides são responsáveis pela maioria dos casos de infertilidade. E há diversos fatores que podem ocasionar a baixa ou até a ausência de espermatozoides, como infecções e inflamações, varicocele, tumores, vasectomia, uso de medicamentos, distúrbios genéticos, hormonais e imunológicos, cita o médico Gustavo Cerqueira e Silva.

E também há os casos em que não é possível descobrir a causa específica do insucesso para engravidar. “São chamados de infertilidade sem causa aparente, que acomete entre 5% e 10% dos casais que não conseguem ter filhos”, explica a especialista Kazue.

Quando procurar um especialista

A dificuldade de engravidar é uma situação muito comum, mas como saber se é preciso consultar um especialista? Segundo a médica Kazue, que trata a infertilidade há mais de 30 anos, todo casal que não consiga engravidar no período de um ano de tentativas, deve procurar um especialista para investigar as causas do problema.

Entretanto, em determinadas situações, como idade da mulher acima de 35 anos, ou quando houver alguma causa conhecida de infertilidade, como endometriose e ovários policísticos, a consulta deve ser feita antes de um ano. “Mulheres saudáveis de 36 anos ou mais podem tentar engravidar naturalmente em um período de seis meses, e as acima de 40 anos devem procurar o especialista o mais cedo possível para uma completa investigação”, sugere a especialista Mila.

Tecnologia ajuda nos tratamentos

Tecnologia tem ajudado casais a realizar o sonho de ter um filho – Kelly Sikkema/Unsplash/Divulgação

A evolução dos tratamentos de reprodução assistida vem reacendendo as esperanças de quem quer realizar o sonho de aumentar a família. E, nesse quesito, a medicina reprodutiva tem ajudado bastante, por meio do desenvolvimento de novas tecnologias e constante aperfeiçoamento científico.

Alguns problemas de infertilidade podem ser tratados com sucesso por meio de tratamentos simples, como medicações hormonais, antibióticos, pequenas cirurgias e coito programado. “Porém, em casos mais difíceis ou de insucesso, as técnicas de reprodução assistida conhecidas como inseminação artificial e fertilização in vitro são as melhores alternativas para engravidar”, afirma a médica Mila.

A inseminação artificial é um procedimento mais simples, indicado para mulheres mais jovens com problemas ovulatórios, estenose cervical e para problemas masculinos leves. A mulher é submetida a uma estimulação hormonal sob controle ultrassonográfico para identificar o momento correto da ovulação. Então, é feito o processamento do sêmen, que permite a seleção dos melhores espermatozoides e, através de um cateter delicado, o sêmen é colocado dentro do útero.

Já a fertilização in vitro é o tratamento mais eficaz para engravidar. Nesse procedimento, conhecido também como bebê de proveta, o óvulo é fertilizado no laboratório e posteriormente o embrião é transferido para o útero. “Atualmente, utilizamos a técnica do ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), que consiste em injetar um único espermatozoide dentro do óvulo por meio de um sofisticado equipamento de micromanipulação e microscópio de alta resolução”, explica Kazue.

Congelamento de óvulos como opção

A técnica de congelamento de óvulos chamada vitrificação é outra possibilidade para quem deseja adiar o momento da maternidade. Com altos índices de sobrevida dos óvulos, a vitrificação abre perspectivas para driblar o relógio biológico em mulheres sem problemas de fertilidade. “Não existe idade específica para utilização dessa técnica, porém, a idade em que a mulher decide congelar os óvulos é primordial para o sucesso do tratamento, que deve ser feito de preferência antes dos 35 anos”, diz a médica Mila.

Cuidados ao planejar um bebê

1- Fique de olho no relógio biológico. Não retarde a gravidez

2- Tenha uma alimentação equilibrada e evite o consumo de agrotóxicos em frutas e verduras

3- Ajuste os ponteiros da balança: pratique atividade física regularmente e mantenha o peso adequado

4- Evitar o fumo, o álcool em excesso e o uso de drogas

5- Controle os níveis de estresse

6- Vá ao médico regularmente

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