Justiça mantém condenação de mulher que chamou PMs de “vagabundos” no Oeste de SC

Atualizado

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a condenação de uma mulher pelos crimes de desobediência e desacato. De acordo com os autos, na madrugada de 21 de maio do ano passado, numa cidade do Oeste catarinense, ela se intrometeu no serviço de dois policiais militares e os insultou. 

A equipe averiguava uma denúncia de lesão corporal praticada por um homem em via pública quando a mulher chegou, aos gritos, batendo com as mãos no peito: “atira em mim, me dá um tiro”, “me prende, me prende”. Os policiais ordenaram que ela se afastasse, mas ela permaneceu onde estava e disse: “vagabundos”.

Conforme os autos, a mulher havia ingerido bebida alcoólica minutos antes, mas o motivo da fúria momentânea permanece um mistério. O juiz Daniel Radünz, titular da 2ª Vara da comarca de Capinzal, sentenciou a ré na pena de sete meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, mas substituiu a privativa de liberdade por multa no valor de um salário mínimo. 

A mulher recorreu e pleiteou a aplicação do princípio da consunção ou da absorção, utilizado quando ocorre uma sucessão de condutas dependentes umas das outras. Por esse princípio, o delito mais grave absorve o mais leve. Ou seja, ela queria ser julgada por apenas um crime – desacato – e não também por desobediência.

Porém, de acordo com o relator, desembargador Carlos Alberto Civinski, o que aconteceu não foi um crime único. “Embora praticados no mesmo contexto fático, não houve nexo de dependência entre as condutas da apelante.” 

Civinski explicou que “o crime de desobediência teve caráter autônomo e, inclusive, se consumou antes do crime de desacato, sendo praticados com condutas distintas e independentes”. 

Diante desses argumentos, os desembargadores mantiveram por unanimidade a sentença de 1º grau. A decisão foi publicada no dia 1º de agosto. 

Mais conteúdo sobre

Justiça