Lavador de carros agredido em festa da UFSC não fala e se alimenta por sonda

Atualizado

Depois de ser agredido dentro do campus da UFSC, no último dia 31 de agosto, o lavador de carros Giovane Matos Garcia, de 28 anos, que passou 12 dias na UTI, está em casa, porém ainda continua recebendo cuidados na cama, inclusive alimentação por sonda.

A agressão aconteceu durante um baile, que não foi autorizado, dentro da universidade. A instituição não identificou até o momento os agressores e os responsáveis pela festa.

Giovane Matos Garcia foi agredido em 31 de agosto e passou 12 dias na UTI – Foto: Reprodução/RICTV/ND

A mulher de Giovane, Thayná Angel Garcia, diz que o marido “está vegetando”. “Agora que ele está reagindo, mexeu as pernas os braços, mas ele não fala e está se alimentando por sonda”, conta.

Giovane teve traumatismo craniano e um dos pulmões foi perfurado. Ele passou 12 dias na UTI e hoje depende de doações pra sobreviver. Segundo Thainá, está sendo uma guerra, pois a família não possui condições de comprar as fraldas e a alimentação. “O Estado e a prefeitura não estão nos fornecendo, estamos vivendo de doações”, relatou a mulher.

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A vítima foi agredida durante um baile dentro da UFSC no dia 31 de agosto. No meio de uma discussão, ele tentou fugir, mas não conseguiu. Nas imagens das câmeras mostra o momento em que Giovane tenta fugir e é alcançado pelos agressores.

O secretário de Segurança Institucional da Universidade, Leandro Luiz de Oliveira, afirma que o baile não foi autorizado pela UFSC e que até hoje não identificaram os responsáveis pela festa.

Leandro relata que é um evento que vem sendo organizado via rede social e já aconteceu em outros locais da cidade. Porém, a festa inicia em outros lugares e acaba migrando para dentro do campus.

Por conta da contingência de recursos por parte do governo federal, a universidade teve que cortar gastos. Perdeu 36 profissionais entre porteiros e vigilantes. O prejuízo para segurança só não é maior porque o campus conta com 1.500 câmeras de monitoramento.

Vídeo do momento em que Giovane era agredido na UFSC – Foto: Reprodução/RICTV/ND

“A vigilância eletrônica ajuda, inibe alguns crimes, mas só isso não basta”, pontuou o secretário de Segurança Institucional. A própria CGU (Controladoria Geral da União) já recomendou à universidade melhorar o cercamento do campus.

“Nós temos um campus que ainda tem um controle inadequado. Temos o controle de acessos de veículos, mas o acesso de pessoas é precário e precisa ser alterado”, relatou o secretário.

Alunos

Os alunos dizem que se sentem tranquilos em circular pelo campus de dia, mas a apreensão vem com a noite. A maior preocupação é com as festas não autorizadas.

Amanda Zanghelini, estudante de economia, diz que não anda sozinha à noite depois das 22h e que nos bailinhos é melhor nem vir.

Outras agressões no campus

Além do caso envolvendo o Giovane, outras cinco pessoas registraram boletim de ocorrência por agressão dentro do campus. Nenhuma delas tão grave quando a do lavador de carros.

Na internet ainda é possível visualizar convites de festas passadas. Mas desde que a universidade se uniu a outras instituições de segurança, a UFSC conseguiu barrar este tipo de evento.

O secretário de Segurança Institucional da Universidade, Leandro Luiz de Oliveira, relatou que foi criada uma força-tarefa entre a universidade, Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Publico. “Há três semanas não acontece mais os bailes do Madalena e Fluxos da Ilha dentro do Campus, são três fins de semana sem nenhuma ocorrência por aqui”, afirmou o secretário.

Futuro incerto de Giovane

Thayná pede ajuda de todos pra superar esta fase e espera é que tudo acabe bem. Mas ela cobra justiça e mais segurança. “Se a polícia não pode entrar lá, tem que acabar com estas festas, olha o que aconteceu com ele. E se acontecer com outra pessoa também isso”, relatou a mulher, diante do futuro ainda incerto do marido.

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