“Dr. Aderbal”, o apaixonado por Florianópolis

Lélia Pereira Nunes

Escritora e membro da ACL (Academia Catarinense de Letras)

lpn.acl26@gmail.com

Divulgação/ND

Repetidas vezes tenho escrito sobre a história cultural de nosso Estado a partir das minhas mundividências na tentativa de salvaguardar a memória coletiva antes que se perca no deslizar do tempo e das gerações. É bom lembrar a história do lugar e das personagens indeléveis que fazem parte dessa história, configurando o patrimônio cultural da nossa gente. Jorge Luis Borges, em Ensaio: O Tempo, afirma que “o presente contém sempre uma partícula do passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo”.

Há cem anos, num domingo de Pentecostes, a Irmandade do Divino Espírito Santo fez a sua Festa do Divino coroando o Menino Imperador Aderbal Ramos da Silva e a Menina Imperatriz, Hilda Ramos da Silva, sua irmã. Na fotografia, no registro da cerimônia, sobressai o olhar resoluto e garbo do menino Aderbal numa profética visão do futuro.

A vida comprova e o catarinense respeita e reverencia este que foi um dos mais extraordinários homens públicos, ícone da história política e econômica de Santa Catarina – Aderbal Ramos da Silva, o “Dr. Aderbal”, um apaixonado por Florianópolis e pela Ilha de Santa Catarina. Aliás, preocupado com o futuro da cidade e da Ilha até chegou a defender o seu tombamento integral. Dia 18 de janeiro, foi o aniversário de 105 anos de Aderbal Ramos da Silva, falecido a 13 de fevereiro de 1985.

Infelizmente, quase passa despercebido, ante a crise ambiental provocada pelo elevado nível de poluição dos mananciais contaminados pelo despejo de esgoto, agredindo o mar que nos abraça, colocando em holocausto a vida na Ilha. Enquanto isso, medidas “pontuais” vão dando um jeitinho de driblar o grave problema e os tropeços da gestão pública municipal. Que triste cenário se desenha para nossa Florianópolis e a Ilha de Santa Catarina que o Dr. Aderbal tanto amou e protegeu, protagonizando grandes feitos para o desenvolvimento da capital e para a qualidade de vida da população.

Simples, generoso, alma grande, pronto a ouvir e ajudar os cidadãos. Lídimo líder político. Quando governador do Estado (1947-1951) prometeu ao povo de Florianópolis dar o que mais faltava para o bem viver – água, luz e leite. Não se omitiu da promessa feita. Palavra dada, palavra respeitada e cumprida. O problema do leite solucionou com a Usina de Beneficiamento de Leite (UBL), a água trouxe do Salto do Pilão, canalizando pela Ponte Hercílio Luz e o fornecimento de luz veio de Capivari. Florianópolis deixava de ser a cidade “que de dia falta água e de noite falta luz”.

Sua biografia narrada com competência pelo jornalista Luiz Henrique Tancredo, em Doutor Deba: Poder e Generosidade (Insular,2011), retrata o cidadão, o político e as qualidades essenciais que o perfilam e são exemplares ao autêntico homem público. Lições para serem lembradas e não esquecidas nas curvas do tempo.

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