“Eu não fui racista e nem xinguei ele de nenhuma outra coisa”

Ingrid Maçaneiro conta sua versão sobre a briga no posto de combustível em Camboriú

Reproduação/RICTV Record

Entrevistei Ingrid Maçaneiro no escritório do advogado dela

Entrevistei a Ingrid Maçaneiro, garota agredida por Maiquel Falcão no posto de combustível em Camboriú, na madrugada do dia 6 de julho. A briga deixou o lutador de MMA Kauê Mena gravemente ferido. Nossa conversa aconteceu  no escritório do advogado que a representa. Confira a entrevista na íntegra.

Graciliano Rodrigues – Naquele dia que aconteceu a briga, como foi o teu dia?

Ingrid Maçaneiro – Meu dia foi tranqüilo. Eu trabalhei normalmente e à noite a gente resolveu dar aquela descansada, brincar um pouco com os amigos. Saímos, fomos para uma festa, correu tudo tranquilamente e já estávamos indo para casa quando resolvemos dar uma paradinha no posto para ver se íamos a outro lugar ou não. Resolvermos ir para casa e eu resolvi descer para comprar um refrigerante.

GR – Como foi dentro do posto, quando o lutador te encontrou?

IM – Eu peguei o refrigerante e, quando estou saindo em direção ao caixa, ele passa por mim a já dá uma olhada bem forte. Eu baixei a cabeça, ignorei e fui pagar a minha conta. Quando eu estou pagando a conta, ele vem por trás em encosta em mim.

GR – Ele chegou a encostar em você?

IM – Sim. Por isso que eu fiquei brava na hora.

GR – Antes de você ficar revoltada com ele, ele chegou a te falar alguma coisa?

IM – Não. Não falou nada. Só chegou e encostou mesmo.

GR – O que você disse para ele?

IM – “Tu tá louco? Eu não te conheço, como é que tu chega assim e me encoxa?” Ele olhou para a minha cara, me xingou, me fez um gesto obsceno.

GR – Foi nesse momento que ele te deu o soco?

IM – Ele me xingou e, quando eu olho para ele espantada, ele pega e me dá um tapa.

GR – Após ser atingida você chamou os colegas ou eles viram o que aconteceu?

IM – Eu estava com uma amiga ali. Ela viu e eu disse para ela chamar o meu namorado. Ela correu lá e disse: “Bateram na Guiga dentro da conveniência”. Eles estão me olhando lá de fora quando ela fala isso para eles. Então eu chamo eles e os meninos vêm junto.

GR – Todos os que estavam na briga eram seus amigos?

IM – Não. Muita gente que se envolveu a gente não conhece. Entraram em defesa, porque viram que os meninos estavam sendo agredidos fortemente. Viram que os dois que os dois brigavam bem. A gente não sabia quem eles eram até então. Eles entraram em nossa defesa. Muita gente entrou e apanhou também e saiu revoltada. Coisas que a gente nem viu na hora. Só viu depois, quando as imagens foram sendo divulgadas.

GR – Depois que o pessoal saiu da loja de conveniência, a situação lá fora já estava mais calma?

IM – Nós saímos para ir embora. Todo mundo correu para ir embora. Só que o Falcão sai atrás, querendo briga de novo. Quem tentou apartar lá dentro correu para fora. Quando viram que ele recomeçou a briga, o pessoal começou a se misturar de novo na briga. Muita gente que não tinha entrado acabou se envolvendo na briga, quase todo mundo em nossa defesa porque eles viram que os caras eram bem fortes e bem preparados.

GR – Qual foi a sua reação?

IM – A gente estava se preparando para ir embora. A gente ficou encurralada, quando ele chegou. Para tirar o carro dali a gente tinha que manobrar. Não tinha como entrar no carro. Não tinha uma saída simples. Todo mundo começa a gritar e cada um corre para um lado. Ele fixa bem os olhos e vem em mim. E ele diz para o meu amigo: “Agora eu vou dar uma lição em você e nessa sua vadia”. É quando recomeça a briga e aparece aquele menino. Se não fosse ele, que estaria mau hoje seríamos nós porque eu mesmo não ia aguentar um tapa dele.

GR – Como está o seu dia a dia depois disso tudo?

IM – A rotina mudou totalmente. Eu não fico mais em casa. Eu mandei o meu filho para a casa de um parente.

GR – Era possível resolver aquela situação sem chamar os seus amigos?

IM – Na verdade, foi um susto. Ninguém espera. Se os meus amigos não estivessem lá eu ia pedir a ajuda de outras pessoas. Se tivesse um carro da polícia ali, eu obviamente teria chamado a polícia e teria evitado toda essa confusão. Alguém eu iria chamar porque ele ficou me encarando e fixando os olhos como quem queria confusão. Tanto que eu saio de costas porque eu fique com medo de ele me agredir de novo.

GR – O que você aguarda agora?

IM – Eu espero que, depois dessa, isso não se repita. Eu acho que estou reclamando os meus direitos, eu sou mulher. Acho que se toda mulher fizesse isso, não teria tanto abuso no Brasil. Então par que lei se ninguém vai cumprir?

GR – Na entrevista que concedeu a RICTV Record, Maiquel Falcão dá a entender que você foi racista…

IM – Ele fez essa infeliz declaração. Ele não deve ler jornal e nem ter internet em casa. Porque se ele observasse o que a mídia colocou no ar, ele veria que o meu namorado também é negro. A declaração dele foi muito infeliz. Antes de ele dar essa declaração, tem um funcionário que já de um depoimento para a delegada, dizendo que em momento algum eu xinguei ele de nada. Eu não fui racista e nem xinguei ele de nenhuma outra coisa. Eu acho que os fatos falam por si.