Lentidão nas obras do corredor exclusivo de ônibus Rapidão, em Florianópolis

A obra do corredor exclusivo para ônibus do sistema BRT, o Rapidão, em Florianópolis, começou no dia 27 de março, mas raros são os funcionários no local e o serviço pouco evoluiu. Do trecho de 300 metros, que deveria ser executado em dois meses na avenida Beira-Mar Norte, na região da UFSC, a empresa ainda não retirou as camadas de asfalto das duas pistas bloqueadas. Para piorar, os funcionários do consórcio Alves Ribeiro/Conpesa trabalham em mais de uma obra pública ao mesmo tempo. A obra tem financiamento da Caixa Econômica Federal e o primeiro trecho está orçado em R$ 37 milhões.

Na manhã desta quinta-feira, apenas dois funcionárias trabalhavam na obra do corredor de ônibus na Beira-Mar Norte - Flávio Tin/ND
Na manhã desta quinta-feira, apenas dois funcionárias trabalhavam na obra do corredor de ônibus na Beira-Mar Norte – Flávio Tin/ND

Morador do bairro Córrego Grande, o aposentado Paulo César Peter, 66 anos, lamenta o que ele chama de “encenação da prefeitura”. “Passo aqui todos os dias e quase nunca vejo os funcionários na obra. Se é para anunciar um projeto e deixá-lo parado com duas pistas bloqueadas, o melhor era não ter começado”, criticou.

O sistema Rapidão contornará o maciço do Morro da Cruz, saindo do Centro e passando por mais quatro bairros. O corredor integra o anel viário e prevê a construção do pavimento de concreto e de estações centrais.

O projeto também contempla acesso para pedestres e ciclistas, além de interseções no sistema viário atual. “A informação é de que as obras do elevado do Rio Tavares e do Rapidão são de responsabilidade das mesmas empresas e que os mesmos funcionários são deslocados de um local para o outro e, por isso, o trabalho não avança”, lamentou Peter.

Ao ND, um funcionário da empresa Alves Ribeiro confirmou a situação. “São empresas associadas e quando precisamos de reforço no elevado nós somos deslocados para o Rio Tavares”, disse.

O estudante Rodrigo Almeida, 21, sabe da importância do corredor exclusivo para ônibus. “Morei em Curitiba e o deslocamento de ônibus é muito rápido pelos corredores exclusivos. Na semana passada não vi os funcionários aqui e hoje [quinta-feira] são apenas dois trabalhando”, afirmou.

Projeto passa por adequações, segundo a prefeitura

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Florianópolis justificou que o trecho passa por ajustes para maior durabilidade do pavimento da via, que será de concreto. “A comissão técnica avalia o solo para que seja realizado o projeto com a máxima perfeição possível, evitando problemas posteriores quando o BRT já estiver em trânsito”, informou.

A nota diz ainda que por conta de adequações durante uma obra, “não é possível prever em projeto e que os prazos podem variar por dias ou semanas, nada que afete o cronograma da obra como um todo”. Sobre a possibilidade de os mesmos operários estarem trabalhando em mais de uma obra, a prefeitura informou que “esta é uma questão de gestão de pessoal que diz respeito às empresas consorciadas, à prefeitura cabe fiscalizar a execução e a qualidade dos serviços prestados”.

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